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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Dos ciclos

Levo-me frequentemente ao limite. Corro, organizo, combino, encho a casa, faço jantares, volto a correr, vou buscar, levo, faço, aceito, cumpro, volto a ir buscar, levo, trago, faço, agilizo. Já compreendi e aceitei que só sei viver assim. Não gosto de olhar para a agenda e de a ver vazia, tanto espaço, tanto tempo, nada programado, nada para fazer. Gosto de ter cenouras diante do nariz, sejam elas de afazeres profissionais, rambóias com amigos, viagens a dois ou a cinco. Mas depois, claro, pago a factura. De vez em quando o meu corpo cede. Não quer levantar-se da cama, arrasta-se. O coração parece bater mais devagar, custa-me levantar os braços, caminhar, até falar. Já me podia ter acostumado a esta cedência do corpo, que mais não é que um pedido de clemência. Mas não. Surpreendo-me sempre. Assusto-me. E acho sempre que é desta que se vai descobrir uma doença terminal qualquer. Fico dois dias numa prostração imensa, na qual não me reconheço, cheia de macaquinhos no sótão (a imaginar cenas de despedida e a minha própria morte), e depois, ao terceiro dia, sinto-me melhor e pronta para entrar de novo no olho do furacão. É assim há anos. Este fim-de-semana foi tempo de recarregar baterias (e de pensar que era desta, que tinha de ir ao médico, fazer análises, porque de certeza que…). Hoje é dia de voltar a entrar na espiral.
Boa semana, pessoas!

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