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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Dias estranhos

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Os dias passam depressa, neste confinamento. Passam e sinto que fiz pouco, ainda que até possa ter feito muito. Às vezes, ao final de mais um dia, quando coço a cabeça a pensar que nada fiz (gosto sempre desta imagem de alguém a coçar a cabeça enquanto pensa), faço uma revisão mental e concluo que, afinal, fiz muita coisa, só que foram coisas que contam pouco para aquilo que me parece revelante na vida. Máquinas de roupa, aspirar, pôr miúdos a fazer coisas, dobrar meias e cuecas, apanhar merdas do chão, tentar escrever alguma coisa, arrumar, fazer comida. Chego ao fim do dia sempre cansada, como se tivesse feito muito, e até fiz, só que não parece. 

Achei que este podia ser um bom momento para me organizar. Não tenho sido lá muito bem sucedida. Entre não deixar que a roupa chegue ao tecto (suja ou já lavada), fazer 6 refeições quatro vezes por dia (não estou sozinha, o Ricardo é até geralmente quem se ocupa dos almoços e jantares), ir ao supermercado, lavar loiça, arrumar loiça, dar um jeito à casa para que a sujidade e a desarrumação também não atinjam limites catastróficos, e ainda ajudar a criançada a orientar-se com aulas em streaming e trabalhos e actividades, não sobra assim muito tempo.

Até agora, ataquei duas gavetas de uma cómoda e uma estrumeiroteca (uma biblioteca de livros infanto-juvenis que estava transformada em terra de ninguém para onde ia parar tudo o que não tinha destino próprio). A estumeiroteca ficou linda e até me deu um pouco mais de coragem para atacar a estante da sala que cobre uma parede inteira e mais um bocadinho de outra, com os livros dos crescidos. Será um trabalho hercúleo, e não me sinto ainda preparada para tanto, mas talvez consiga encher-me de brio e avançar um dia destes. Assim como para as gavetas sobrantes e armários onde devem morar coisas de cuja existência já esqueci. O Covid e respectivo confinamento também podem ter coisas boas.