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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Dia Internacional da Síndrome de Down

O dia comemora-se hoje. E por isso, hoje lembrei-me de uma coisa que me aconteceu no outro dia.
No outro dia vi uma mãe, num centro comercial, com uma bebé com síndrome de down pela mão. A menina dava os primeiros passos e eu olhei para ela e sorri. Nesse mesmo instante, lembrei-me o que uma mãe de uma criança com deficiência me tinha dito, anos antes: «Aos nossos filhos ninguém sorri. Ninguém se abeira para dizer que são lindos. Ninguém lhes faz uma festa, ninguém faz uma gracinha. As pessoas simplesmente viram a cara para o lado, ou olham de longe com pena.» Ao recordar essas palavras, aproximei-me da menina, fiz-lhe uma festa nos cabelos, e disse que ela era linda. «Olá! Sabias que és linda?» A mãe ficou a olhar-me como se eu fosse um extra-terrestre. Estava boquiaberta e foi abrindo um sorriso enorme. Quando acenei à bebé, para me despedir, a mãe sussurrou um «obrigada» que eu nunca mais vou esquecer. E a verdade é que se não tivesse sido aquela entrevista, anos antes, eu provavelmente também viraria a cara, também não sorriria, também não me aproximaria da menina para dizer que ela era linda. Como se uma criança com uma diferença não merecesse ser alvo de qualquer elogio. Como se fosse um desastre para o qual mais vale nem olhar, quanto mais afagar e dar mimo. Aquelas palavras, daquela mãe que entrevistei, mudaram-me. Percebi que já tinha discriminado, sem sequer me aperceber que discriminara, e sobretudo sem ter qualquer intenção de discriminar. E percebi que as crianças diferentes também gostam de ser elogiadas e mimadas por um estranho que passa. E que os pais sentem esse elogio e esse mimo como se fosse um abraço no coração.

P.S: Um beijo enorme para a Marta, para a Madalena e para o António, três downs que conheço e que admiro muito.

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