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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Daniela, querida... arranja uma vida

Ao longo de 8 anos de blogue já me apareceu de tudo. Os fãs, os mais ou menos, aqueles que se tornaram amigos reais, os que vêm, lêem e vão à sua vidinha, os haters e os mega-haters (que são aquelas pessoas que me odeiam mas, por falta de outras ocupações, insistem em vir aqui a este antro para se enervarem).

Entre todos os haters há que dar destaque à Daniela. A Daniela é aquela pessoa que odeia tudo o que eu escrevo, tudo o que eu faço, tudo o que eu represento. Se eu digo que está um bonito dia de sol, lá vem a Daniela dizer que eu sou uma vendida, que o Sol me deve estar a pagar balúrdios, e que toda a gente vê que, na verdade, está a chover. Se mostro um dos meus filhos, a Daniela acha nojento eu não mostrar os outros. Mas se mostro os outros, ela acha horrível que os exponha. Se estou feliz a Daniela odeia-me por isso e garante que não estou nada feliz, que na verdade estou (e sou) miserável e que me finjo feliz para angariar mais visitas, mais simpatias e mais publicidade. Se estou triste a Daniela odeia-me por isso e jura a pés juntos que não estou nada triste, que é tudo uma estratégia de comiseração para angariar mais visitas, mais simpatias e mais publicidade.

A Daniela é uma pessoa que acompanha todos os meus passos e comenta todos os meus posts.

A Daniela tem, claramente, um problema na sua vida. Não, não vou dizer que a Daniela tem inveja da minha vida - já sei que as bloggers têm a mania de medir tudo pela inveja. Eu não vou dizer isso da Daniela. Mas que a Daniela tem falta do que fazer... lá isso tem. E que sofre de um ligeiro distúrbio que mete a minha pessoa... lá isso sofre. Eu queria dizer à Daniela que está bom tempo, que há imensos cafés, esplanadas, jardins, restaurantes, parques, centros comerciais onde a Daniela pode gastar o seu tempo. Queria dizer-lhe que há empresas suecas de mobiliário girísimas, a preços muitíssimo acessíveis, que podem transformar a sua casa num sítio aprazível onde a Daniela se sinta bem, se sinta feliz, e com vontade - quiçá - de receber amigos, de ver uma série, fazer o amor, ou até - espantemo-nos! - ver blogues giros com os quais se identifique e dê por si a pensar "esta pessoa é mesmo fixe! Vou deixar um comentário simpático!" (não estou obviamente a falar do meu blogue, que ela odeia militantemente; a Daniela precisa de conhecer outros blogues - e há tantos! - onde não se sinta ofendida todos os dias).

Em vez disso, a Daniela desperdiça o seu tempo deixando comentários azedos em TODOS os meus posts, comentários esses que nunca chegam a ver a luz do dia porque, desde que comecei a perceber que havia aqui um padrão, de Daniela-every-fucking-day, passei a apagar TODAS as suas prosas maledicentes. Nem leio. Vejo o nome Daniela, espreito duas ou três frases, percebo que é a taradinha-de-serviço e... lá vai ela parar ao caixote do lixo que é um regalo.

A Daniela é um case study. Escreve, eu apago, ela escreve, eu apago, ela escreve, eu apago, ela continua. Eu escrevo sempre, ela comenta sempre, eu apago sempre. É o tipo de relação que criámos. 

Imagino sempre a Daniela a espumar da boca. A rosnar. A escrever com fúria, as teclas do computador já gastas da força que ela faz ao premi-las, e a pensar "deves pensar que te safas com esta, engraçadinha!" Eu, deste lado, encolho os ombros e... com um simples clique apago a Daniela. Deve ser frustrante. Passar que tempos a teorizar sobre isto e aquilo, tecendo verdadeiras teorias da conspiração (ela acha que tudo o que eu faço tem um segundo sentido, uma segunda intenção, uma porra subliminar qualquer), e depois vem a outra e puffff. Apaga tudo. Tanta prosa assassinada. Não há direito.

Por isso quis hoje deixar esta singela homeagem à Daniela. Já é tempo, caramba! Tanto comentário, tanta perseverança, tanto ardor já mereciam da minha parte qualquer coisinha. Assim, daqui onde me encontro, ergo-lhe a minha flute e desejo-lhe um bom fim-de-semana. E uma boa vida, já agora (é capaz de ser um desejo mais adequado do que limitar a coisa ao fim-de-semana). Boa vida, Daniela! 

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