Só sou feliz numa destas situações: ou de férias com a minha gente ou, se estiver a trabalhar, tenho de estar em reportagem para ser feliz. A conhecer pessoas que valem a pena. A comover-me com as histórias que contam. A sentir os ambientes. Os cheiros. As formas distintas de se falar a mesma língua. A conversar. A partilhar refeições caseiras, com vinho daquele que cheira mesmo a vinho e do qual não se pode beber mais do que um copo pequeno, se se quiser continuar a trabalhar durante a tarde. Quando estou muito tempo sem sair para o chamado país real perco a vontade, esqueço-me do quanto amo esta minha profissão, esmoreço. Hoje que voltei à estrada depois de algum tempo mais dedicada a trabalho de secretária, constato isto mesmo: só sou feliz pelos caminhos que me levam a quem interessa. E a mim interessa-me sobretudo quem tem pouco palco, quem poucos conhecem, mas quem todos deviam poder conhecer.
Espero um dia sentir-me assim relativamente à mesma profissão... Estudo para ser jornalista mas não tenho grande esperança que um dia me seja dada a oportunidade de exercer essa profissão!
... Que bom "sentir o pulso" dos que não têm palco mas têm um coração enorme. Que bons esses "mergulhos" que nos remetem para o essencial. Muito bom. :-)