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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Crónica de uma morte anunciada

Alguém me explica qual é a piada de fazer circular boatos sobre a morte de alguém? Ah, a Eunice Muñoz morreu. Ah, o Ruy de Carvalho morreu. Ah, o Bon Jovi morreu. Ah, a tua prima morreu. Ah, tu morreste. Mas quem é o cretino, a sério, que espalha estas notícias? Um cangalheiro frustrado? Um tipo que sonha ter uma carreta, um jazigo? Um fulaninho que dorme num caixão?
Hoje foi a Simone. Estava eu no café com a minha mãe, tranquilamente a tomar um chá de maçã e canela, quando alguém chegou e disse:
- Ah, a Simone de Oliveira morreu. Coitadinha. De doença prolongada.
Queimei os beiços na chávena. Entornei um pedaço. Oi? Pus-me à procura no telemóvel, nos sites de notícias, no Google notícias, nos jornais e revistas online, no facebook. Nada.
- Olhe que isso deve ser mentira - atirei, esperançosa.
A senhora botou ares de ofendida. Ligou para quem lhe havia dado a notícia. Do outro lado confirmaram, que sim, era verdade, a Simone tinha falecido, que pena.
Até agora não vi a notícia confirmada em lado algum, só gente confusa no Facebook, em busca de uma morte que não se sabe se foi ou se não foi. A esta hora, a Simone já há-de ter recebido umas dúzias de telefonemas e, por aí, já há-de ter havido corações em sobressalto e lágrimas e medos e até saudade.
A sério, qual é a piada disto, alguém me explica como se eu fosse muito, mas mesmo muito burra?

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