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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Covid que te pariu!

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Nos últimos anos temos recebido uma autêntica lavagem ao cérebro sobre ambiente, alterações climáticas, poluição, aquecimento global, buraco na camada do ozono, raios UV, derretimento das calotas polares, oceanos de plástico, lixo, reciclagem, fim do mundo iminente. Mudámos os nossos hábitos, fizemos das tripas coração para usar sacos de papel, de pano, levar o carrinho das compras em vez dos sacos, andámos carregados para contentores de reciclagem que ficam por vezes absurdamente longe das nossas casas, apanhámos lixo que não era nosso e colocámos no recipiente correcto, largámos os cotonetes, as palhinhas, diabolizámos os plásticos. Fizemos a nossa parte. E, muitos de nós, fizemo-lo com o empenho e a certeza de estarmos a fazer a coisa certa em nome de um planeta em claro sofrimento. 

Só que entretanto veio a Covid-19 em jeito de pandemia. E pronto. Acabou tudo. Em nome da segurança, hotéis passaram a ter produtos embalados em celofane nos buffets, supermercados voltaram aos produtos dentro de caixas de plástico e agora soube de dezenas de escolas a pedirem que não se levem mochilas mas sim sacos de plástico que possam ir para o lixo e até garrafas de plástico que tenham o mesmo destino (felizmente nenhuma das escolas que os meus filhos frequentam). Tudo porque querem evitar o leva-e-traz com a consequente viagem de eventuais vírus. Compreendo os medos mas acho um absurdo. O plástico, que até há pouco tempo era o nosso inimigo mortal, voltou sem problemas? O nosso único mal é o novo coronavírus? Não há mais nada?

Além desta questão, outra: durante anos ensinaram-nos a ser solidários. A não deitar fora o que já não queríamos mas a dar a quem possa usar. E nós cumprimos. Reunimos o que não queremos, vamos levar, ficamos felizes por poder contribuir para uma melhoria na vida de alguém. Bom, aparentemente também isso está em vias de mudar. Fiz arrumações cá em casa e tenho 8 sacos de roupa em optimo estado para entregar a quem precise. Já liguei para a Junta, já liguei para instituições. A resposta? Sempre a mesma. "Não estamos a receber". A culpa adivinha-se depressa: Covid. Portanto, por causa do bicho, quantas pessoas há que não vão beneficiar de roupa e de brinquedos e outros bens? 

Já para não falar nas consultas adiadas, nas pessoas que não vão ao médico controlar as suas doenças crónicas ou agudas com medo de apanhar a bicheza do momento, com o consequente aumento da mortalidade e morbilidade na população.

Compreendendo eu tudo, porque tendo a ser dada à tentativa de compreender sempre o outro lado, acho que há aqui um acumular de incongruências que me levam a temer todo o rol de consequências nefastas desta pandemia que eu ainda nem sequer assimilei. Julgo que estamos a retroceder décadas. Financeira, social, ambiental e culturalmente. Covid que te pariu.

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