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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Clube de Leitura. Foi na sexta e eu ainda não estou em mim

Durante dois anos tivemos poiso na Fnac do Colombo mas como diz o provérbio alemão: "Tudo tem um fim, só a salsicha tem dois". De maneira que, terminada a parceria anterior, fomos agora calorosamente recebidos pelo Hotel Real Palácio, que nos acolheu num espaço fechado só para nós, uma espécie de jardim de inverno contíguo à Adega do Palácio, com petit fours e sumos e cafés e uma atenção que nos deixou mesmo felizes. 

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O que mais me impressionou foi a quantidade de pessoas novas. Porque em dois anos disto já sei que, em cada encontro, há uma ou duas pessoas novas, e o resto são as que já sentem estes encontros como parte das suas vidas e já sentem o clube como uma comunidade a que pertencem. Desta vez, porém, eram 15 pessoas novas. Quinze! Se todas as leitoras costumeiras tivessem podido ir tinhamos sido umas 50 participantes. Assim, fomos 30. 15 "velhas", 15 "novas". Uma maravilha.

Falo-vos de números como se isso fosse importante porque, na verdade, é importante. Reformulo: quando éramos apenas 9, na sala de reuniões do The Woffice, foi tão emocionante como agora, que somos muitos. A emoção é a mesma, mas o facto de saber que estamos a crescer, que estamos a contagiar outras pessoas para a leitura, que houve quem fizesse a promessa, nas resoluções de ano novo, de se inscrever nestes encontros para se "obrigar" a ler, porque é fácil arranjar desculpas (séries, sono, filhos, cansaço) para adiar a leitura... tudo isto me enche de uma alegria que tenho dificuldade em descrever.

Isto deixa-me tão feliz que acho que podia fazer disto vida. Andar pelo país a criar comunidades de leitores, a fazer estas reuniões de livros, a contagiar novas pessoas, a fazer amigos leitores por aí. 

Bom... antes de seguirmos pelos livros que cada participante leu, não posso deixar de agradecer à Beatriz Palhais, que não só esteve presente para nos falar dos livros que leu, mas também levou os vinhos que ela, enóloga, faz. E que vinhos, senhores! O Malandra, quer tinto quer branco, é um daqueles vinhos que, se puderem, não devem perder. Há à venda no El Corte Inglés. São mesmo, mesmo bons. Obrigada, Beatriz!

Vamos então aos livros lidos:

Isabel Sobrinho - Marca de Água, de Joseph Brodsky; A Morte de um Apicultor, de Lars Gustafsson; Estar Vivo Aleija, de Ricardo Araújo Pereira (a Isabel referia - e bem - que só conseguia ler 3 contos porque havia sempre um convite a uma reflexão depois de cada um, que é algo que muitos escritores não conseguem ao fim de um livro inteiro e RAP consegue com cada conto); O Complexo de Portnoy, de Philip Roth (destaque para este útimo, de que Isabel gostou muito pela ironia, pela graça, pelo tom despudurado sobre a sexualidade).

Didi - O Princípio de Karenina, de Afonso Cruz (para a Didi o melhor dele, para mim também); Tanta Gente, Mariana, de Maria Judite Carvalho (disse tantas coisas boas que fiquei cheia de vontade de ler)

Sara - Pequenos Fogos em Todo o Lado, de Celeste Ng.

Isabel Oliveira - A Noite Passada, de Alice Brito

Filipa - Arquipélago, de Joel Neto (gostou mas achou-o irregular - umas vezes muito interessante, outras páginas maçador)

Luísa - As Intermitências da Morte, de José Saramago (gostou muito e eu, que não li ainda este livro, fiquei com ele na minha lista dos próximos a atacar).

Marta - Uma educação, de Tara Westover; Sob um Céu Escarlate, de Mark Sullivan; Sobrevivente, de Álvaro Faria (destaque para Uma Educação, também destacado pela Beatriz, por ser a história verdadeira de uma ex-mormon que escapou aos rigores da vida mormon).

Margarida - O Comboio dos Órfãos, de Christina Baker Kline.

Elsa - 21 Lições para o Séc. XXI, de Yuval Noah Harari 

Beatriz - Uma Educação, Tara Westover

Bárbara - No teu Olhar, de Nicholas Sparks (a Bárbara tem 18 anos e anda rendida aos romances do autor conhecido pelas suas histórias de amor)

Cátia - My Other Life, Paul Theroux.

Teresa - Berta Isla, Javier Marías (e aproveitámos para falar dos livros de Elena Ferrante, que já tantas vezes foram debatidos no clube, em que a maioria gosta muito e depois há quem não tenha ficado rendido - eu, por exemplo, que não passei do primeiro livro).

Elisabete - A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha, de Stieg Larson

António - A Família Anjos, de Alexandre Carvalho Antunes 

Fátima - Dentro do Segredo e Morreste-me, de José Luís Peixoto 

Antonieta - Silêncio na Era do Ruído, de Erling Kagge (uma meditação sobre o poder do silêncio, que marcou muitíssimo a Antonieta); Uma Pequena Sorte, de Cláudia Piñeiro.

Ana - Os Médicos da Morte, de Philippe Aziz (sobre os horrores da "medicina" nazi durante a Segunda Guerra Mundial).

Sofia - Pequenos Fogos em Todo o Lado, de Celeste Ng; A Grande Solidão, de Kristin Hannah.

Marta - Rumo a Casa, de Yaa Gyasi.

Paula - Estar Vivo Aleija, de Ricardo Araújo Pereira; Sementes de Estrelas, de Ana Cadima.

Sofia - O Tatuador de Auschwitz, de Heather Morris.

Beatriz - Perguntem ao Pediatra, de Carlos Gonzalez; Besa-me Mucho, de Carlos Gonzalez; Crianças Felizes, Magda Gomes Dias (a Beatriz foi mãe pela primeira vez há pouco tempo e as leituras andam nesta espécie de busca pelo "livro de instruções" que eles não trazem).

Sandra - Manual dos Inquisidores, de António Lobo Antunes (adorou - como não?)

Rita - É isto que eu Faço, de Lynsey Addario (recomenda muito); Nós, os Afogados, de Carsten Jensen

Marta - Vai ler para a próxima. :)

Eu - Os Meus Sentimentos, de Dulce Maria Cardoso (brutal, sufocante, imperdível).

Ricardo - Uma Cana de Pesca para o Meu Avô, de Gao Xingjian

Houve uma pessoa que teve de sair por culpa de uma emergência - espero que não tenha sido nada de grave (fiquei a pensar nisso).

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Quando fizemos a foto dos livros já muita gente se tinha ido embora,

por isso não estão cá todos

 

Obrigada, queridas pessoas. Foi mesmo bom. 

Obrigada, Hotel Real Palácio e Adega do Palácio Wine Bar.

No próximo encontro, vamos falar de um só livro. Quem quiser levar outro lido, sem ser este, pode ir na mesma, claro está. Mas de vez em quando analisamos só um, porque esse esmiuçar permite reflexões ricas, por vezes concordantes, outras tantas dissonantes, e dessa discussão nascem novos pensamentos sobre o livro e sobre a vida. Acho que foi a Teresa que disse, com muita graça, que o que a tinha feito juntar-se ao nosso Clube do Livro tinha sido justamente não haver um livro "obrigatório", coisa que sempre lhe fez lembrar a obrigação de ler da escola. :) Não é essa a intenção, nem será sempre assim. Mas de vez em quando... também proporciona bons momentos na nossa tertúlia.

O livro que vamos ler este mês e debater no próximo encontro é esta pequena maravilha (sim, já o comecei):

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Em breve digo o dia e o local do encontro!

 

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