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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Clube de Leitura de Lisboa: foi na sexta e a seguir jantámos

(Não admira que tenha demorado uma vida a escrever este post, caraças! Agora que publiquei é que vi o tamanho deste lençol)

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Foi dos bons. Vá, sou franca: nunca há dos maus. Mas, claro, uns acabam a ser melhores do que os outros, às vezes nem sei bem porquê, até pode ser da minha própria disposição.  Este foi dos bons porque teve alguns regressos (Célia e Diana), elas que costumavam vir sempre e já não vinham há tanto, tanto tempo. E teve pessoas novas, o que é sempre refrescante e sinal de que continuamos em reta ascendente. E a Ana Maria Inácio, que nos tinha oferecido uns marcadores lindos em tecido, acabou a aparecer também mas só para dar um beijinho e para que todos os presentes pudessem agradecer-lhe de viva voz o miminho tão querido e desinteressado. Havia vinho, tarte de amêndoa, bolinhos, salgados...

A Sara leu Anatomia de um Escândalo, de Sarah Vaughan e gostou, mas não com aquele entusiasmo que esperava sentir, sobretudo depois de ler algumas das entusiasmadas descrições que vêm no próprio livro. Basicamente, James é um pai dedicado, uma figura pública carismática, um bom homem que, de repente, se vê acusado de um crime terrível. A sua mulher acredita na sua inocência mas a advogada de acusação está segura de que ele é culpado e deve pagar pelos seus crimes. Quem terá razão? Sophie ou Kate? A Sara já sabe mas diz que não foi particularmente entusiasmante descobrir. Também leu Antes de Te Conhecer, de Lucie Whitehouse, e fez com que qualquer pessoa da sala arrepiasse caminho se porventura pensava lê-lo. "Zero emoção", foi assim que se referiu ao livro. E ainda leu (raça da rapariga, que lê que se farta) Os Vizinhos do nº 9, de Felicity Everet, mas também não ficou arrebatada. Dois casais vizinhos tornam-se inseparáveis e, de repente, a relação torna-se muito complexa, com consequências devastadoras. Pergunto à Sara se não se sente também ela devastada quando lê livros que não a arrebatam nem sequer minimamente. Ela explica que não. "Só poderia saber se eram bons ou não lendo-os. E de qualquer maneira são leituras nos transportes, são daquelas leituras que não fazem com que sintamos que perdemos tempo. A alternativa era ir a olhar para o ar..." Bem visto (se bem que a olhar em redor pode aprender-se imensa coisa, atenção!).

A Paula leu Uma Chuva de Diamantes, de Sveva Casati Modignani. Que sim, levezinho, lê-se muito bem (já eu, quando oiço isto, fico assim meia desconfiada, parece a descrição de um comprimido que não é muito grande e, por isso, se engole bem 😂​). Um grande editor morre deixando aos filhos e netos um enorme património e um mistério inquietante: uma parte significativa da herança está pura e simplesmente desaparecida. A leitura do testamento desencadeia uma desenfreada caça ao tesouro. A Paula leu também A Casa na Praia, de Anita Shreve, e sentiu que tudo fluiu bem. É a história de uma mulher que tem pavor que o seu marido, piloto, morra num acidente de aviação e que, por isso, se divorcia dele. A seguir, Sydney casa com outro, um jovem médico, e o destino, que é um grande sacana, faz com que o marido morra subita e inesperadamente no hospital onde trabalha. Mas a viúva ainda tinha muitas aventuras para viver. É assim mesmo, acrescento eu!

O Ricardo, homem entre as mulheres, leu o primeiro volume d'Os Pilares da Terra, de Ken Follett, e está a ler o segundo. Adorou. Ainda nunca tinha lido Ken Follett e ficou rendido a este arrebatador romance histórico que se revelou ser uma obra-prima. É uma história épica, cheia de intrigas, aventura e luta política. A trama centra-se no século XII, em Inglaterra, onde um pedreiro persegue o sonho de edificar uma catedral gótica. À volta desta ambição, o leitor vai acompanhando um período da Idade Média carregado de personagens, poder, vingança e traição.

A Beatriz Mendes leu Normal People, de Sally Rooney (traduzido em português para Pessoas Normais) e gostou muito. Pessoas Normais é a história de um casal que tenta separar-se mas que acaba por entender que não o consegue fazer. Mostra-nos como é complicado mudar o que somos e revela muito sobre sexo e poder, desejo de magoar e ser magoado, de amar e ser amado. Fiquei com vontade de ler, sobretudo depois de ter lido que o The Times o considerou o melhor romance do ano. Mas, como sempre, a Beatriz leu mais do que um livro. E trouxe-nos também O Sentido do Fim, de Julian Barnes, que só por ser de Julian Barnes já leva o carimbo de qualidade (li o Nada a Temer e gostei muito). A Beatriz descreveu este livro como sendo uma pequena maravilha, porque é a história de uma grupo de amigos que, chegados a velhos, recordam o que ficou para trás, descobrindo que a memória é, afinal, uma coisa altamente imperfeita. Além de ouvir a Beatriz dizer que é um livro imperdível, além de ter gostado muito de Barnes, ainda li o que escreveu no Expresso sobre este livro o José Mário Silva, que trabalhou comigo no DNA: "A escrita de Barnes – com as suas frases perfeitas, por vezes a raiar o sublime – faz deste livro uma obra-prima." Lá terá de ser. A Beatriz ainda leu Jesus Cristo Bebia Cerveja, de Afonso Cruz, O Optimismo Aprendido, de não sei quem e A Vida que Floresce, de Martin Seligman. Está toda viradinha para a psicologia positiva e agora é só copos meio cheios, que é o que é preciso.

A Andreia, que tem uma página sobre livros, com a irmã, chamada As Miúdas dos Livros, e veio da Suiça, onde está emigrada, de propósito para assistir ao clube (mentira, estava cá a passar uns dias mas não interessa), leu vários livros nos últimos tempos e, como agora não se sabe quando volta, falou desses vários: O Rouxinol, de Kristin Hannah, de que gostou muito (um livro sobre a segunda Guerra Mundial, incidindo sobre uma parte da história que raramente é vista: a guerra das mulheres); bem como A Grande Solidão (da mesma autora). A Grande Solidão é sobre a ida de uma família para o Alasca, numa tentativa (vã) de fugir aos fantasmas do pai, ex-combatente no Vietnam. Por lá, mãe e filha descobrem que estão sozinhas. Um retrato da fragilidade e da resiliência humanas, do amor e da perda, da luta pela sobrevivência e da rudeza que existe tanto no homem como na natureza. Fiquei com muita vontade de ler este. A Andreia está ainda a ler Voar no Quarto Escuro, de Márcia Balsas; Sophia, a Menina do Mar, de Jorge Lima e Cristina Falcão (sobre Sophia de Mello Breyner). E, como esta é uma primeira vez (e sabe-se lá quando será a próxima), a Andreia ainda relembra um livro que leu, chamado Dez Anos Depois, de Liane Moriarty, que conta a história de uma mulher que, aos 39 anos dá uma aparatosa queda no ginásio e a última década da sua vida apaga-se por completo da sua memória. Tem novamente 29 anos, está apaixonadíssima pelo marido e à espera do primeiro filho. Só há um pequeno problema: tudo isto se passou há dez anos… No presente, Alice é mãe de três filhos, enfrenta um difícil processo de divórcio e está de relações cortadas com a irmã, que adora. Conseguirá alguma vez reencontrar a mulher que foi na fase mais feliz da sua vida? Uma nota para a Diana que, ao ouvir a Andreia contar a parte em que a mulher cai no ginásio, interrompe para dizer, com imensa graça: "É por isso que eu não vou ao ginásio". Muito rimos todos.

A Beatriz Couto leu O Contador de Histórias, de Jeffrey Archer, e não me pareceu assim muito entusiasmada. O livro reúne13 histórias distintas, sendo oito delas inspiradas em acontecimentos reais. Aqui podemos ler a história sobre todos os habitantes de uma pequena cidade italiana que quiseram assumir a culpa do assassinato do respetivo Presidente da Câmara, ou a de um homem que enriqueceu a explorar um parque de estacionamento que não lhe pertencia, durante anos a fio.

A Vera, que foi pela primeira vez ao clube, diz que está a tentar voltar às leituras, ela que tem três filhos, o mais pequeno dos quais ainda mama (e ela está de licença de maternidade), razão pela qual teve de sair de repente, como um relâmpago, para ir alimentar a cria. A Vera leu Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio, deixando-nos a todos (ou a muitos, vá) com alguma saudade dos clássicos portugueses. Ela adorou o livro, cuja trama decorre à volta de um namoro, entre João Garcia (filho de uma família nova-rica sem títulos) e uma menina de seu nome Margarida Clark Dulmo (elemento mais novo de uma família respeitável, aristocrática, com origens estrangeiras novas, mas em quase falência), cujas famílias estão afastadas por antigas questões e ressentimentos. Diz quem sabe que a obra apresenta uma panorâmica da sociedade açoriana e também de problemas que animam todos os seres humanos tais como paixões, medos, entusiasmos e angústias. David Mourão Ferreira descreve-a como a obra "mais complexa, mais variada, mais densa e mais subtil em toda a nossa história literária".

Em Teu Ventre, de José Luís Peixoto, foi o livro lido pela Ana. Uma reflexão sobre Portugal, a partir das aparições de Nossa Senhora a três crianças, em 1917. A questão da maternidade é apresentada em múltiplas dimensões, nomeadamente na constatação da importância única que estas ocupam na vida dos filhos. A Ana, que se encanta com os temas da maternidade, deixou-se deslumbrar por este livro sensível e surpreendente de José Luís Peixoto.

A Diana, que já não vinha há tanto tempo que ainda nem conhecia o nosso "novo" poiso (o fantástico Brown's Hotel), ainda trouxe a sua opinião sobre o Crime e Castigo, de Dostoiévski (que não foi grande coisa, por lhe terem escapado alguns desvarios literários que lhe pareceram extemporâneos), e está a ler Cakes And Ale, de William Somerset Maugham (estranhamente traduzido em português para Destino de um Homem) e a gostar muito

Por Favor Cuida da Mamã, de Shin Kyung-Sook, foi um dos livros lidos pela Susana, que já tinha ido uma vez (salvo erro foi só uma) e agora nos honrou de novo com a sua presença. E que bom que foi. Fiquei cheia de vontade de ler este livro. É a história de uma mulher de 69 anos que, chegada de uma pequena aldeia do interior à movimentada Seul, é separada do marido pela multidão, numa estação de metro, e desaparece sem deixar rasto. A família inicia então uma busca desesperada por toda a cidade. E, de repente, dão por si a pensar: até que ponto conhecessem essa mulher a quem chamam "mãe"? O livro é narrado por 4 personagens distintas: a filha, o filho, o marido e a própria mãe desaparecida. Por Favor Cuida da Mamã, apesar de ter um título miserável em português (que me afastaria do livro se não soubesse nada sobre ele), revela-nos a intensidade da vida familiar e a fragilidade dos seus laços. É um retrato da sociedade coreana contemporânea e uma história universal do amor que une uma família. A Susana também leu O Livro do Destino, de Parinoush Saniee, que é a história de uma adolescente iraniana que descobre o amor mas que é obrigada pela família a casar-se com um homem que nunca viu. O marido é um dissidente político e acaba por ser executado. Quando, ao fim de 32 anos, o seu primeiro amor reaparece, os seus três filhos olham-na com indignação, incluindo os dois que vivem no estrangeiro. Deverá ela colocar os seus sentimentos em primeiro lugar, ou submeter-se aos preconceitos dos filhos? Uma história comovente sobre a vida das mulheres no Irão, que começa antes da revolução de 1979 e atravessa a República Islâmica até aos nossos dias.

A Marta está a ler o livro de um dos laureados com o Prémio Nobel da Literatura deste ano: Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos dos Mortos, de Olga Tokarczuk. A Marta está a gostar e está cheia de sorte porque foi este um dos livros escolhidos como leitura "obrigatória" do mês de Novembro. Numa remota aldeia polaca, uma professora reformada divide os seus dias a traduzir poesia e a observar os sinais da astrologia. Prefere os animais às pessoas. Mas a pacatez dos seus dias é interrompida quando começam a aparecer mortos vários membros do clube de caça local. E é então que a professora reformada decide investigar e descobre algo que deixará a comunidade aterrada. Fiquei curiosa (e vou poder satisfazer a minha curiosidade muito em breve).

A Cláudia veio pela primeira vez, tal como a Andreia, e leu imensos livros no último ano. Aconselha muito o livro Deixo-te para Não te Perder, de Taylor Jenkins Reid, que é um romance sobre casamento, laços familiares, amor, ruptura, interesse individual e colectivo. Um casal decide afastar-se durante um ano, na esperança de voltar a sentir a paixão perdida. A Cláudia também gostou muito de Ontem à Noite, de Catherine O' Connell (Uma mulher vai casar e reúne as amigas para uma despedida de solteira mas... as coisas correm horrivelmente mal. Uma delas morre e a noite, que era para ser inesquecível, torna-se um pesadelo).

A Cristina leu (pela segunda vez) o livro Quem Quer Ser Bilionário?, de Vikas Swarup. Lembrava-se de ter gostado infinitamente mais do livro do que do filme e, agora, decidiu relê-lo e, já agora, ver assim na diagonal de novo o filme, para confirmar que sim, o livro é muito melhor do que o filme, porque o livro conta a história de Ram, que ganha efectivamente um concurso, mas em que cada capítulo explica a razão pela qual ele sabia cada resposta a cada pergunta que lhe é feita. Segundo a Cristina, é mesmo um livro imperdível (e eu, que vi o filme, tenho mesmo de o ler). A propósito do que o Ricardo falou de Ken Follett, ela confirmou o génio do escritor, também pela trilogia O Século, que considerou muito boa. E, ainda a reboque doLivro do Destino, que a Susana trouxe, disse que também leu e gostou, e que também leu outro da mesma autora (Parinoush Saniee): O Silêncio da Minha Voz.

A querida Inês, que tem um lugarzinho muito especial no meu coração porque é muito novinha, entrou este ano na faculdade, e aparece sempre que pode, com aquele brilho no olhar, para nos contar o que leu. Desta vez, não conseguiu ler nada mais que os livros da faculdade e, ainda assim, lá foi ela ouvir-nos, se não é a dedicação e entusiasmo em pessoa, benza-a Deus!

O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati, foi o que a Isabel Oliveira nos trouxe. Gostou muito e confessa que, apesar de ser mulher, de não ser militar, e de não viver num deserto, se sentiu identificada com Drogo, um militar que é enviado para uma remota fortaleza num deserto. Drogo pensa que vai apenas por pouco tempo mas ali fica anos e décadas, aguardando a invasão tártara que nunca chega. A necessidade humana de dar sentido à vida e o desejo de imortalidade através da glória são o tema sobre o qual circulam as alegorias desta obra. O Deserto dos Tártaros é considerado uma das obras-primas do século XX. Sobre o seu autor Jorge Luís Borges disse: "Há nomes que as gerações vindouras não se resignarão a esquecer. Um deles é Dino Buzzati." Sobre o livro, Isabel comentou: "É um livro mesmo bom para maduronas em crise". A Isabel nunca me falha. :) Além desta masterpiece, a Isabel também leu coisas mais prosaicas, como um livro de culinária chamado Super Bowls - Simples e Saudável, de Bérengère Abraham, e que revela o segredo para ter, numa só taça, uma refeição simples, completa, saudável e nutritiva. E ainda conseguiu trazer-nos uma sugestão espiritual, com o livro Uma Beleza Que nos Pertence, de José Tolentino de Mendonça. Isabel, que é ateia, ficou presa da primeira à última página, por estes aforismos, ensinamentos para o dia a dia, perguntas que inquietam ou deixam a reflectir, sempre na permanente procura da felicidade. Ah, e agora está a ler À Espera de Godot, de Samuel Beckett, e está a achar um suplício. Ah ah ah.

A Elisabete leu A Zona de Desconforto, de Jonathan Franzen, mas confessou ter gostado muito mais do Liberdade, do mesmo autor. A Zona de Desconforto é a memória íntima que Franzen guarda do seu crescimento dentro de uma pele hipersensível, de "uma pessoa pequena e fundamentalmente ridícula", passando por uma adolescência estranhamente feliz, até se transformar num adulto de paixões fortes e inconvenientes. A nossa Bete também leu O Senhor Monstro, de Dan Wells, que é um thriller cheio de humor negro. 

A Célia, que era um dos mais fiéis e assíduos membros do clube de leitura e que, por coisas da vida, não aparecia havia meses, deu finalmente o ar da sua graça (e se está com bom ar!) e trouxe-nos os livros À Beira do Colapso, de B.A. Paris, que achou um bocado previsível (mas atenção que ela papa thrillers como o camaleão papa moscas, de maneira que já é diplomada nisto de descobrir ao fim de cinco minutos quem matou quem) e leu também O Equador, de Miguel Sousa Tavares, de que gostou muito. 

A Joana Madeira leu o 4º livro da saga Millennium, A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha, já não escrito por Stieg Larsson (o autor morreu depois de entregar a sua trilogia de mega sucesso mundial, sem nunca ter chegado a conhecer o êxito retumbante que teve), mas escrito pelo seu sucessor, David Lagercrantz. Neste thriller carregado de adrenalina, a genial hacker Lisbeth Salander e o jornalista Mikael Blomkvist enfrentam uma nova e perigosa ameaça que os leva mais uma vez a unir as suas forças. Uma noite, Blomkvist recebe um telefonema de uma fonte confiável declarando ter informação vital para os Estados Unidos. A fonte tinha estado em contacto com uma jovem mulher, uma super-hacker que se parecia com alguém que Blomkvit conhecia muito bem. As consequências são surpreendentes. Blomkvist, a precisar urgentemente de um furo jornalístico para a Millennium, pede ajuda a Lisbeth, que, como habitualmente, tem a sua agenda própria.
Eu li Pequenos Fogos em Todo o Lado, de Celeste Ng, mas não vou dizer o que achei porque para a semana vou ao Porto falar sobre ele também. 

A seguir jantámos e continuámos as conversas, as partilhas. Somos mesmo felizes neste clube de leitura que é, como a Ana Maria Inácio percebeu tão bem quando fez aqueles marcadores para nos oferecer, uma casa. 

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