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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Circo

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Há uns dois ou três anos que não ia ao circo. A cena dos animais em performance é uma coisa que me chateia e, por isso, na última vez que fui pensei que não queria voltar tão cedo. Além disso, a Madalena é altamente prejudicada por ser a terceira no que aos espectáculos diz respeito (e nem quero imaginar como será o Mateus). Ou seja: se o primeiro filho ia a tudo o que era teatro, concerto, exposição, workshop, costumo dizer que a terceira filha não vai a lado nenhum, vê na televisão! E mesmo isso só se tiver a sorte de os irmãos mais velhos não estarem a ver televisão! Por isso, o circo foi mais uma das actividades que foi sendo sempre chutada para canto. Ah, talvez amanhã, talvez para a semana, possivelmente para o ano, vamos ver. Desta vez, porém, não tive coragem de tornar a adiar. Foi hoje.

No fim do espectáculo concluí o seguinte: se o circo não tivesse leões, camelos, lamas, cavalos, póneis e elefantes era bem possível que voltasse para o ano. Assim... não penso voltar. Foi penoso ver os leões. Pareciam bem alimentados, gordinhos, com um pelo bem tratado mas ver aqueles portentos selvagens a obedecer às ordens de um homem que chicoteia o chão com violência não me parece um bom exemplo para se mostrar às crianças. O mesmo com os outros animais, sempre aquele olhar cabisbaixo, vago que parece gritar "mandem-me de volta à savana por favor". Dir-me-ão: ah, mas o circo SEMPRE teve animais. Pois. Até se acabar com os gladiadores também tinha havido SEMPRE gladiadores. É uma questão de evolução da espécie.

Tirando os números com os animais, até gostei. A senhora que mudou de roupa não sei quantas vezes em 2 segundos (como raio é que ela fez aquilo?), os trapezistas, o grupo dos saltos, e até a palhaça chicha. A Madalena gostou de tudo, se bem que na parte dos leões estava sempre a perguntar por que é que o senhor era tão mau e estava sempre a gritar com os leões e a chicotear o chão. O Mateus esteve paralisado durante as duas horas e meia que durou o espectáculo. A ver tudo, a bater palminhas, a passar pelas brasas.

No final, disse à Madalena que achava mal que se usassem os animais para o circo. Expliquei-lhe que não era preciso, que os animais pertenciam à selva, savana, deserto ou campo, e que os homens e mulheres podiam perfeitamente ser suficientes para o nosso deslumbramento. Ela torceu um bocado o nariz mas estas coisas demoram o seu tempo a serem percepcionadas. É uma questão de continuar a explicar.

Acho mesmo que o senhor Victor Hugo Cardinali podia compreender que as coisas mudaram e que o nosso respeito pelos animais implica uma atitude diferente. Tenho quase a certeza de que, se apresentasse números verdadeiramente espectaculares com seres humanos, não era preciso os bichos para lhe encherem o circo. 

 

 

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