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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Burro velho aprende línguas (e muitas outras matérias)*

Este é o segundo ano que a minha mãe está a frequentar a Universidade Sénior e eu não podia estar mais contente com tudo o que ela me vai contando. Para começar, não podia estar mais contente com ela, com a minha mãe. A minha mãe, que é tradutora de alemão, trabalha há vários anos sozinha e não é propriamente daquelas pessoas muuuuuito dadas aos outros, no sentido de ter um milhão de amigos e convívios e cenas várias. É, de resto, mais para o reservada, fechada, metida consigo. De modo que, se me tivessem dito, há uns anos, que ela havia de ir para a universidade sénior e que até havia de ir a convívios e passeios com os novos colegas... eu era menina para acusar o mensageiro do futuro de ser um bêbado inveterado. E no entanto... lá anda ela, toda satisfeita da vida, cada dia com novas histórias, cada dia com um novo brilho nos olhos, cada dia com diferentes aprendizagens.

Este ano, além das Artes, da Filosofia e de mais umas disciplinas, a minha mãe escolheu Teatro (mais uma daquelas escolhas que julgaria absolutamente impossível) e Desenvolvimento Pessoal (WHAT?? A MINHA MÃE? Really???). E sabem que mais: está a adorar ambas. Até parece mais nova, o raça da rapariga! Mais alegre, mais solta, mais aberta a compreender-se e - quiçá - a modificar-se. Prova provada de que nunca é tarde para fazermos coisas que nos desafiam, prova provada de que nunca é tarde para aprender.

A minha mãe tem quase 74 anos e continua a surpreender-me e, mais importante ainda, a surpreender-se. 

 

*Este título (antes que me apedrejem e digam que estou a chamar burra e velha à senhora minha mãe) é uma ironia ao ditado popular que diz justamente o contrário: "Burro velho não aprende línguas". Podeis respirar e... guardar a pedra. 

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