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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Brincaaaaaaar!

Durante o ano lectivo, todos os pais dos meninos da turma do Mati foram convidados a ir à escola fazer uma actividade qualquer com eles. Uns fizeram bolos, outros leram histórias, outros fizeram habilidades diversas. Nós fomos empurrando com a barriga porque já levamos 17 anos disto, três filhos e várias escolas antes deste filho e desta escola, e chega a uma altura em que começa a faltar imaginação e até - crucifiquem-nos - a vontade. Decidimos então fazer algo diferente. Comprámos bisnagas de água, pedimos para as educadoras avisarem os pais para mandarem uma muda de roupa, comprámos bolinhos e sumos e... lá fomos nós. Foi uma manhã mesmo, mesmo boa. Encheram-se alguidares e baldes com água e, no enorme recreio, dividimo-nos em dois grupos: um grupo com bisnagas e o grupo sem bisnagas. Uns correram atrás dos outros, molhando-os e depois, ao fim de um bom bocado, trocámos até ficarmos todos ensopados. As gargalhadas eram contagiantes, os gritinhos, as correrias para fugir a mais um banho... foi mesmo giro. E também foi curioso perceber como, no início, muitas crianças estavam verdadeiramente perturbadas com a questão de irem molhar as roupas, apesar de lhes ter sido dito que não havia qualquer problema, que os pais tinham enviado mais roupas para trocar e, assim sendo, tinham dado o seu aval àquele "disparate". Interessante pensar como lhes incutimos regras de forma tão profunda, como se fosse um ferro em brasa. "Não te sujes". "Não te molhes". "Olha só que grande asneira, agora estás todo molhado". Muitas crianças pareciam desconcertadas, no início, olhando as camisolas molhadas, as calças, as saias, os sapatos. Como se estivessem a cometer uma infracção, um deslize, um crime. Foi preciso repetir-lhes mil vezes que não fazia mal, que era divertido brincar assim, que estava calor, que tinham mais roupa, para começarem por fim a descontrair e a desfrutar do momento. E foi uma delícia vê-las brincar livremente, à solta, aos gritos, às gargalhadas. Foi bom vê-las molharem-se, já libertas das convenções, já sem a prisão do que está certo, do que "deve ser". É óbvio que nós, os pais, temos de lhes ensinar as diferenças entre o certo e o errado, mas a verdade é que às vezes o que temos diante dos olhos são mini-adultos já formatados, já programados, já pouco livres. E hoje isso foi tão claro como... a água. 

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