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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Boomerang de letras

Escrever um texto. Relê-lo para dentro, voltar a lê-lo em voz alta. Corrigir repetições, limar imperfeições. Gostar dele primeiro. Já não gostar assim tanto depois. Voltar a gostar um bocadinho a seguir. Ter quase certezas, depois ter muitas dúvidas. Ler de novo. E, no final, escrever um email, anexar o texto escrito, relido e limado, e ficar ali um pedaço à espera, como que a aguardar pelo instante certo, o segundo certo em que o vento, de feição, levará o texto a bom porto, sem lhe baralhar as linhas, sem lhe descompor a ordem. Como se uma simples aragem fresca pudesse trazer-lhe o caos ortográfico ou a desordem sintáctica. E então, chegado esse momento, clicar no rectângulo que diz «Enviar». E ficar a imaginar o texto, 17 989 letras, a voar rumo ao destino. Um céu cheio de letras. E um frio na barriga a crescer, perante a incerteza do impacto que as letras terão, ao chegarem ao destino; e uma inquietação avolumada, enquanto a resposta não chega; e subitamente a vida um bocado suspensa, na expectativa de uma reacção. As letras feitas boomerang, e eu à espera do seu retorno.

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