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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Bem-vindas

Queridas Rita e Joana:
A vossa mãe espera-vos há sete anos.
Não foram nove meses. Foram sete anos.
A vossa mãe acreditou, deixou de acreditar, ganhou coragem e forças e perdeu-as e reencontrou-as e desanimou, e das últimas vezes que a vi estava tão triste que temi que baixasse os braços e se deixasse vencer pela amargura. Das últimas vezes que a vi parecia-me baça, magoada, murcha por dentro e por fora. Como uma flor fora de tempo.
Eu, não sei porquê, acreditei sempre. Não achava possível tamanha injustiça. A vossa mãe nasceu para ser mãe. Uma coisa que lhe vinha das entranhas. Era demasiado cruel que lhe tivesse vedada a vocação. Ainda que, todos saibamos, essa crueldade exista para com muitas outras mulheres igualmente mães por natureza, sem que a natureza corresponda.
A verdade é que vocês nasceram. Ontem. Dia maravilhoso e tão esperado. A verdade é que estão pousadas no colo da vossa mãe, que há sete anos vos esperava. Façam-me o favor de serem felizes, de encherem a vossa mãe e o vosso pai de mimos, de lhes darem todas as alegrias que conseguirem. Não é preciso muito, acreditem. Eles serão felizes só por vos verem existir.
Bem-vindas, Rita e Joana. Aqui a tia Cocó já gosta muito de vocês.
Parabéns, minha querida Elsa. O meu coração transborda de contentamento.

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