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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

As velhotas nas piscinas viram de novo meninas

Por causa desta coisa de me ter metido no triatlo, tenho ido duas vezes por semana treinar à piscina. Na maior parte das vezes tenho uma pista só para mim, outras vezes está lá mais um tipo que nada bem e que, pelas tralhas que leva com ele (similares às minhas) deve estar metido em coisa semelhante.

Bom. Mas numas pistas ao lado estão as senhoras da hidroginástica. Digo senhoras porque são maioritariamente senhoras, havendo um ou outro senhor lá pelo meio. Ora, e o que sucede com estas senhoras idosas? É verdadeiramente impressionante, mas ao chegarem ali viram crianças de novo. É como estar a olhar para uma aula de miúdas, sem tirar nem pôr. 

Na classe, há de tudo, tal como na escola:

- A velhota-menina bem comportada e boa aluna - é a que cumpre escrupulosamente tudo o que a professora diz, perna esquerda para cima, braço direito para baixo, saltinho, pé para um lado, pé para o outro, e que se mostra incomodada com algum do barulho feito por colegas menos compenetradas;

- A velhota-menina insubordinada - é a "maluca" do grupo, a desestabilizadora. Quando as outras já estão dentro de água, ela assume o comando e finge ser a professora: "Vamos lá, perna para cima, perna para baixo". As outras gargalham. De repente, aparece a professora, e ela encolhe-se e foge para dentro de água, com um ar travesso de quem fez merda e foi apanhada. De resto, durante todas as aulas está sempre a mandar bocas, a apalpar rabos e a fazer partidas diversas. As outras oscilam entre achar-lhe graça e terem medo dela. 

- A velhota-menina tagarela - é o que há mais. Ao mesmo tempo que cumpre os exercícios propostos (mais ou menos, vá) dá corda à língua e fala-fala-fala-fala-fala-fala. Quando a professora chama a atenção faz ar de gato do Shrek para, logo de seguida, continuar a contar o baptizado do neto mais novo ao mais ínfimo detalhe.

- A velhota-menina velhaca - diz mal de tudo. A água que está fria, a professora que não esteve no seu melhor, a música que é uma porcaria, a colega que tem a mania que é a rainha e toma duche de porta fechada em vez de tomar duche ao pé das outras, a outra colega que é uma desrespeitadora e uma malcriada, o homem que a olhou de forma lasciva, o nadador-salvador que está ali nem se sabe para quê, os outros nadadores que têm a mania. Eu diria que, se lesse blogues, esta velhota-menina seria uma anónima das cabras.

- A velhota-menina tímida - é a que se põe sempre na fila de trás, que entra muda e sai calada. Sorri para as outras, ri um riso contido quando a velhota-menina insubordinada faz palhaçadas, mas não passa disto. Está ali como se estivesse de favor e agradece se passar despercebida. Sempre que a velhota "maluca" se mete com ela, muda de cor e fica num incómodo quase palpável. 

- A velhota-menina queque - é a que, ao contrário das outras, leva um fato de banho de marca, uma touca de marca, uns chinelos de marca. Tem um broze invejável durante todo o ano, cabelo loiro e olho azul, tem um anel que custou mais do que a reforma das outras todas juntas, e no final arruma tudo no seu saco Louis Vuitton. Faz parte do seu charme conversar com as outras, apesar de as separar tooooda uma existência, mas aposto que chega a casa e diz que são "amorosas", as colegas da piscina.

 

É muito difícil treinar quando se tem tamanha riqueza sociológica ali mesmo ao lado, tenho de confessar. 

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