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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

As leituras cá de casa (livros de Abril)

Foi ontem. Foi preciso andar atrás deles o mês inteiro, sempre a perguntar se estavam a ler, se iam falhar, se não era melhor irem pegar nos livros, enfim, a animação costumeira. Mas lá se safaram.

O Manel leu "1984", de George Orwell.

O Martim leu "História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar", de Luís Sepúlveda.

A Mada leu o mesmo que apresentou na Fnac: "Os Mini Cinco - Uma Aventura nas Férias".

 

Rimo-nos com a apresentação pouco cuidada do Martim, desta vez. No mês passado foi mais cuidadoso, quando apresentou "Robinson Crusoé, de Daniel Defoe. Ontem fez tudo um bocado às três pancadas, contou a história sem emoção, considerou a história "básica", sendo que foi preciso fazer-lhe ver o extraordinário e raro que é alguém escrever um livro que toca tanto crianças como adultos. Mas ele não se convenceu. Não se emocionou com o final, prova de que fez uma leitura sem paixão, mas conseguiu citar uma parte em que um homem diz qualquer coisa como "só consegue voar quem se atreve", e tirou a ilação certa: "Só quem tem coragem e se empenha é que chega onde quer".

O Manel fez uma análise muito interessante do "1984", um livro escrito em 1949 sobre uma sociedade capitalista altamente controlada, em que todos os cidadãos são vigiados e manipulados. Gostei quando o Manel explicou que o Estado estava a criar uma nova língua, assente em poucas palavras, e reflectiu sobre o assunto dizendo: "Reduzir as palavras é, de certo modo, reduzir o pensamento, porque pensamos por palavras. Se elas forem diminutas, também se mirra assim o pensamento, o que facilita a vida de quem quer cidadãos pouco pensantes e muito obedientes."

A Mada falou do livro dos Mini Cinco com alguma dificuldade em sintetizar e ofendida por estarem a rir-se dela. Fez aquele ar de "ok, não abro mais a boca" mas depois de muitos pedidos de desculpa lá continuou, imperturbável. Acho que esta miúda vai ser uma sobrevivente. 💪

Nós, os pais, também fizemos o resumo dos livros que lemos, e o Manel ficou cheio de vontade de ler a "Breve História da Humanidade", que o pai entusiasticamente descreveu.

É o que eu digo: água mole em pedra dura, tanto bate até que fura... Acredito que o prazer da leitura ainda possa nascer, ainda que nasça de uma obrigação. E mesmo que não nasça, pelo menos alguma coisa fica!

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