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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Aproveitar a paixão

Nestes 4 dias em que estive fora, o Mateus chamou muito por mim. De noite, de hora a hora. (pobre Ricardo )

Boa fase, esta, em que os filhos ainda nos amam com esta intensidade e fervor. Quando voltei, saltou para o meu colo, ficou a olhar-me longa e lânguidamente nos olhos, segurando a minha cara com ambas as mãos. Foi um momento de paixão assolapada, comovente, que degustei com um prazer que não poderia sentir se fosse o meu primeiro filho. Porquê? Porque o facto de já ter outros, que claramente já ultrapassaram esta fase de ternura avassaldora pela mãe (e ainda bem, nem seria saudável de outro modo), permite-me aproveitar cada segundo deste amor de um modo muito mais especial. Quando sabemos que os momentos são finitos conseguimos saboreá-los com redobrado deleite. Bom, nem sempre. Porque na verdade sabemos que a vida é finita e, demasiadas vezes, não temos a inteligência ou simplesmente a capacidade para a viver com o gozo com que deveríamos. Mas aqui é diferente. Este olhar de enlevo dos bebés para as suas mães é muito datado, é breve, é efémero. E é tão bom que devemos imprimi-lo na memória, para nos alimentar mais tarde, nos dias de fome dessa paixão filial. (Atenção que usei a palavra "paixão" propositadamente. Porque o amor filial existe sempre, acredito que sim, pelo menos quando tudo corre bem. Todos eles correram para mim, no aeroporto, e imagino que tenham ficado contentes por me ver. Mas a paixão, este sentimento fervilhante que põe os bebés a chorar de hora a hora quando não estamos, isso acaba. E repito: ainda bem. Seria esquisito se não acabasse. Ainda que sintamos saudades).

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