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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Ansiedade nos pais: como controlar?

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Há quem diga que nunca fomos tão bons pais como hoje. Por um lado concordo. Há apenas alguns anos pouco se ligava ao que sentiam as crianças, ao modo como digeriam tudo o que se lhes dizia, à forma como interiorizavam uma tareia (que nem sequer se questionava), um raspanete injusto, um certo desprezo, até, a que eram votadas. Os pais não faziam por mal. Era assim que funcionava em muitas casas, sem que se pensasse muito nas repercussões de tudo isto. Eram "só" crianças, assim como se fossem seres mais ou menos inferiores, numa espécie de estágio para chegarem a seres humanos completos. Também as manifestações de carinho não eram propriamente abundantes em muitas famílias, e o pai não tinha a presença na vida dos filhos que hoje tem. 

Mas... (e parece haver sempre um mas)... também há o reverso da medalha. Os pais, de tanta informação disporem, tornaram-se ansiosos. Parecem precisar de manuais para tudo. De tanto saberem que podiam falhar, ganharam medo de fazer errado. o facto de também terem menos filhos fez com que se preocupassem mais (quando são muitos há uma certa tendência para descomplicar, por uma questão de sanidade mental). E tudo isto misturado fez com que hoje tenhamos melhores pais mas, por vezes, também pais mais ansiosos. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 33% da população mundial sofre de ansiedade. Incluídos nesta estatística estão os pais, que cada vez mais se apresentam com um comportamento ansioso, concorda Elisabete Vieira, psicóloga na Clínica de Stº António. “É normal e esperado que os pais se preocupem, mas tudo o que é excessivo é nefasto”, salienta a psicóloga. Quando a fronteira entre preocupação e ansiedade nos pais é ultrapassada pode ter consequências negativas graves e requerer ajuda especializada."

Qual são, então, as diferenças entre preocupação e ansiedade? 

A preocupação engloba pensamentos relacionados com acontecimentos futuros mas, segundo Elisabete Vieira, "a preocupação tem um carácter funcional e importante, desde que numa proporção ajustada à natureza da situação e que interfira minimamente com a qualidade de vida e bem-estar dos indivíduos.”

Já a ansiedade pode ser definida como um estado psíquico de apreensão ou de medo provocado pela antecipação de uma situação desagradável ou perigosa para a própria pessoa. Esta antecipação não permite viver o presente, pois “as pessoas ansiosas preocupam-se mais com o futuro e com a tentativa de controlar as situações e quem está ao seu redor”, descreve a psicóloga.

E quais as causas mais comuns de ansiedade nos pais?

Elisabete Vieira aponta alguns factores que contribuem para a ansiedade nos pais: uma vida agitada, assim como as exigências profissionais, a competitividade, as exigências familiares, os desajustes familiares, o desconhecido e o inesperado, todas estas características podem promover um estado de alerta, apreensão e preocupação que é natural do ser humano.

E será que a ansiedade nos pais contribui para a ansiedade nos filhos? A psicóloga responde: “As crianças têm tendência para replicar o que veem, neste caso, o que veem os pais fazerem e se os pais têm comportamentos em que demonstram irritabilidade, nervosismo, agitação, as crianças também vão ter comportamentos neste sentido”.

Podem ver AQUI alguns truques para lidarem melhor com a ansiedade e, assim, melhorarem a vossa qualidade de vida e... a de todos aí em casa, crianças incluídas.