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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

AMORE: amor pelos animais

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Quando o Mojito veio cá para casa, ainda muito bebé, a coisa não foi fácil. Além dos cocós e dos xixis (naturais para um bicho que ainda está a aprender), o Mojito parecia o Marley. Sabem, o Marley? Aquele cão levado da breca que esteve quase a destruir uma família? Pois bem, assim era o Mojito. Destruía tudo, mordia tudo (a brincar) e como em poucas semanas se tornou um cavalo, o seu descontrolo estava realmente a descontrolar a casa inteira. Eu tinha acabado de ter um recém-nascido quando ele saltava por cima das mesas e dos sofás, roía as cadeiras e os rodapés, fazia xixis e cocós (parecia não aprender), e na rua puxava por nós de tal maneira que parecia que estávamos a fazer wakeboard. Para agravar a situação, o Ricardo nunca teve cães em casa, não gostava da ideia, e só acedeu porque eu lhe dei cabo da cabeça. Nesses tempos, eu via a tristeza no olhar do Ricardo. Uma espécie de: "Estava tudo tão bem, porque é que esta gaja decidiu estragar tudo?? Porquê????"

O problema atingiu o seu pico quando, num desses momentos de excitação em que vivia quase permanentemente, o Mojito deu uma trinca no pé do Mateus (repito: recém-nascido) e foi então que soube que precisávamos de ajuda.

O Ricardo Oliveira apareceu na nossa vida quase como se tivesse sido enviado por uma entidade divina. Eu não acredito nestas coisas mas há de facto circunstâncias que, de tão perfeitas, parecem tecidas por algo superior ao nosso entendimento. Tínhamo-lo conhecido porque trabalhava num hotel onde tínhamos deixado o Mojito (para irmos de férias) e ele, quando saiu de lá por incompatibilidades com o dono do hotel (que não seria tão amigo dos animais como devia), contactou-nos para nos dizer que, sempre que quiséssemos deixar o Mojito, que falássemos com ele.

O Ricardo ajudou-nos de um modo que não tem preço. Não há retribuição monetária possível (ok, talvez se lhe comprasse uma quinta gigante, para ele ter lá o seu projecto, talvez assim ficássemos quites). Ele pegou no Mojito e, com muito amor, meteu-lhe juízo naquela cabeça. Hoje, o Mojito é o mais pachola de todos os cães, a coisa mais querida, tranquila e sensível do mundo.

O Ricardo estudou o comportamento animal e se há pessoa que sabe dar a volta aos bichos é ele. Já vi cães que estavam para abate por terem tido comportamentos agressivos mudarem do dia para a noite com a intervenção dele. Já vi cães que tinham medo de tudo (vítimas de maus tratos continuados) passarem de novo a confiar e a deixarem-se amar. Já vi - até - galinhas a deitarem-se no seu colo e a fecharem os olhinhos de prazer enquanto ele lhes dá festas. O Ricardo não tem uma vida como todos nós. Juro. Ele não faz mais do que dar a sua vida pelos animais. Ele passa os dias inteiros, todos os 7 dias da semana, dedicado a dar tudo o que tem (e às vezes até o que não tem) aos bichos. Ele e os animais são a mesma entidade. Não há distinção. Ou melhor, eu creio que ele faz a distinção, sim, sendo que nós - os humanos - saímos sempre a perder.

Entretanto, o Ricardo criou a Amore. Um Centro de Protecção e Reabilitação Animal que coloca as competências de um grupo de pessoas ao serviço do sonho de, um dia, nenhum animal precisar mais dos seus cuidados ou protecção, mantendo apenas a necessidade de respeito. Na Amore, podem encontrar: Reabilitação de Cães e Gatos com problemas de agressividade, medo ou de convivência familiar; Alojamento Familiar; Dog Walking e Pet Sitting. Está tudo lá, no site absolutamente lindo, com preços incluídos.

A Amore é composta também por dois projectos que a integram, para além da prestação de serviços (que o suportam): o Projecto Hopeful, que visa potenciar a adopção animal em Portugal através de protocolos e iniciativas juntos de parceios e adopção directa de animais reabilitados pela Amore; e o Santuário Empatia, que visa resgatar e proteger animais de pecuária de situações que ponham em causa o seu bem-estar ou a sua própria vida, permitindo também que através deles todos possam ver quem eles realmente são. O santuário não está aberto ao público por motivos de segurança e de bem-estar, mas eu já o vi e posso dizer-vos que aqueles são bichos de sorte.

Hoje, Dia Internacional dos Direitos dos Animais, queria dar-vos a conhecer a Amore. Que só podia chamar-se assim porque o mais que o Ricardo tem para com os animais é mesmo amor. Amor como por vezes não se vê entre pessoas. Amor verdadeiro. E, como ele, todas as pessoas de quem se rodeia. Porque não podia ser de outra forma. Porque o que ele faz é muito mais do que um trabalho. É uma missão. 

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http://www.amorempatia.org

 

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