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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Amor de irmãos

Sim, todos sabemos como ameaçar as criancinhas não é a melhor forma de educar. Que devemos conversar, que o diálogo é que é, blablabla whiskas saquetas. Sem dúvida. Mas a verdade é que, por vezes, não há melhor que uma ameaça: ou paras já com isso ou acabou-se a televisão; se voltas a bater no teu irmão ficas uma semana sem playstation; ou comes a porcaria dos brócolos ou vais direitinho para a cama; baixa já o tom de voz ou não sais com os teus amigos. Não se faz, é feio, anti-pedagógico? Pois será. Mas resulta que é uma beleza.

Da última vez que pequeno Manuel teve um ataque de adolescentite aguda, troçando do irmão e chamando-lhe nomes, passei-me da marmita (era para aí a 26ª vez nesse dia que mostrava todo o seu adolescentismo latente) e, de dedo em riste, disse:
- Se eu volto a ouvir-te espezinhar o teu irmão vais direitinho para um colégio interno* no próximo ano. Ficas lá a semana toda e só vens a casa ao fim-de-semana. Aí é que tu vais ver o que são regras! Vais andar direitinho que nem um fuso. Com uma vantagem suplementar: vais aprender a dar valor ao teu irmão porque vais ter saudades dele.

[*Bom, na verdade eu não disse "colégio interno" mas sim "colégio militar", para a coisa ter ainda mais impacto. Mas como a coisa está agreste com as alterações previstas naquela instituição mais vale continuarmos a assumir que disse colégio interno, que o tema do post não é esse e há sempre quem confunda as coisas.]

Saí de cena, dramatizando um pouco mais o quadro. Quando cheguei ao quarto já estava mais que arrependida da ameaça mas pronto, estava feito (antes de atirarem pedras, aguardem por esta bonita idade, sim?)
Bom, mas o que importa mesmo foi o que se passou a seguir. Ouvi passos no corredor e entrou no quarto o Martim que, a soluçar, perguntou:
- Estavas mesmo a falar a sério, sobre o mano ir para aquele colégio?
- Filho, o teu irmão tem de aprender a respeitar as pessoas. Se eu e o pai não estamos a conseguir, se calhar temos de entregar o assunto nas mãos de quem saiba.
Nisto, o Martim irrompe em lágrimas:
- Oh mãe... nao faças isso. Deixa-o chamar-me o que ele quiser. Eu não me importo! Mas... mas... eu... eu... eu quero vê-lo todos os dias!


«Eu quero vê-lo todos os dias». A frase mais bonita que o Martim já terá proferido, e que revela bem o que é este amor de irmãos. Espero que nunca mude, que nunca acabe.

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