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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Ah, então está bem!

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A pessoa andava com dores de cabeça excruciantes. Agora abrandou (é melhor nem falar disso para não voltarem) mas estava a ser uma coisa demasiado permanente na minha vida. Vai daí e uma amiga médica marcou consulta para um colega de Medicina Interna. A pessoa explicou o que se passava e o médico, impecável, passou uma bateria de análises, raio-x ao tórax, ecografia abdominal e renal, ressonância magnética ao crânio, ecografia ao coração, electrocardiograma. 

A pessoa vai buscar os exames e descobre nos relatórios uma data de coisas: regurgitações na mitral e na tricúspide, quistos no fígado e num rim, e o mais assustador, uma cena qualquer na artéria comunicante anterior que, não parecendo um aneurisma a quem fez a ressonância, merece uma angio TAC para melhor caracterização.

A pessoa é uma hiponcondríaca em recuperação mas lê isto e teme o pior. Respira fundo, pensa de novo, "se fosse assim tão mau tinham-me ligado, não tinham esperado este tempo todo que viesse buscar os exames", tenta voltar a essa serenidade que tem vindo a conseguir alcançar, mas sente assim um certo formigueiro nas mãos. E então pensa: olha, que se lixe, vou voltar a chatear a minha amiga médica, assim como assim já está acostumada a que tudo o que é ranhoca, quisto ou pior lhe vá parar às mãos (ser médico deve ser tãooooo chato, sempre alguém a perguntar, "e já agora... esta manchinha que me apareceu aqui..."). Ela diz que não é chatice nenhuma, pede para mandar os relatórios, a pessoa manda. E fica a aguardar. E ela diz:

- Puns.

- Oi?

- De tudo isto o que me prendeu foi a aerocolia.

- O que é isso?

- Puns.

😳

Compreendendo a minha inquietação (e espanto), continuou:

- Mas faz lá o angio TAC, que dá imagens bonitas e sempre podes fazer uns quadros.

 

E é isto.

Diz que só faleço lá para 2067. Terei 94 anos. E aposto que partirei cheia de pena de partir. 

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