Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Agradecer

IMG_5615.jpg

Nem sempre alinho em jogar à bola com eles aqui em casa. Sim, em casa. Na sala. Arredam a mesa, arredam o sofá e anda a bola de pano de um lado para o outro, e eles descalços, ainda assim fazendo entradas feias nas canelas uns dos outros. Por vezes a bola voa em direcção às molduras e cai uma e parte-se e eu passo-me, mas sou incapaz de lhes negar aquele momento de alegria. Sim, a minha casa tem pouco de casa de revista, em que parece que não vive lá ninguém. Acho bonito de ver mas sei que não é para mim. Aqui vive-se, desarruma-se, suja-se, estraga-se. Depois arruma-se de novo, conserta-se, e a seguir repete-se tudo de novo. Mas, voltando aos jogos na sala, são sempre algo violentos porque o espaço não é muito e não existem momentos mortos. Quando jogo fico geralmente à baliza e é confrangedor porque deixo entrar as bolas todas. A maior parte das vezes digo que não jogo e fico a ver, estarrecida, como eles se fintam e magoam e esquivam e deslizam e gritam goooolo e acabam quase sempre amuados uns com os outros. O pai alinha quase sempre e, assim, defini para mim que aquele é um momento "lá deles". Deles, leia-se: deles todos. A Mada está obviamente incluída, até porque gosta tanto de jogar futebol como eles (ou mais).

No outro dia, porém, pressionaram muito. E eu joguei. Fiquei à baliza e deixei, como sempre, entrar as bolas quase todas. Mas eles não se zangam comigo (ao contrário do que fazem sempre que o guarda-redes é outro e deixa escapar uma bola para o interior da baliza improvisada). Há uma condescendência para comigo porque sabem que não gosto e não tenho jeito e porque sabem que estou em esforço.

Dois dias depois desse jogo, o Mateus olhou para mim e, assim vindo do nada, disse:

- Obrigado mamã.

Eu revi mentalmente as minhas últimas acções mas não consegui vislumbrar uma que fosse assim tão digna de agradecimento (tirando todas aquelas que as mães fazem sempre mas para as quais não contam com qualquer gratidão, pelo menos verbalizada).

- Obrigado porquê, Mati?

- Por teres jogado à bola connosco no outro dia.

E pronto. Quer-me parecer que conquistaram um jogador novo. 

11 comentários

Comentar post

Pág. 1/2