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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Abstenção

Não. Não votar não é uma forma de dizer à classe política que está no mau caminho. Não votar é uma forma de desistência, demissão, desinteresse por tudo e por todos. Não votar é dizer "há coisas muito mais fixes para fazer do que exercer o meu direito, o meu dever". 

No meu entender, não há luta sem movimento. Alguma vez conheceram alguma forma de luta com o rabo alapado numa toalha de praia ou  à beira de uma piscina? Só se for a luta pelo bronze, meus caros. Lutar implica movimento, sempre. Ora, se querem lutar contra uma classe política que não vos diz nada (o que é perfeitamente legítimo e compreensível), então têm de ir às urnas e deixar o vosso voto em branco, desenhar pénis amorosos com olhinhos ou escrever mensagens iradas como: "sois todos a mesma cambada, ide roubar para a estrada". Se os 70% que não mexeram o cu para lutar (quando na verdade juram a pés juntos que esta foi a sua forma de luta, não, eles não foram para a praia porque estava sol, eles foram para a praia para mostrar a sua indignação), se os 70% que não mexeram o cu para lutar - repito - tivessem ido às urnas e desenhado pichas voadoras, falos entristecidos, mangalhos valentes... acreditem que hoje todos os meios de comunicação social estariam a falar de uma inequívoca mensagem dada pelos cidadãos a todos os políticos, um cartão vermelho, uma honorável lição. Em vez disso, estão todos a dizer que somos uns tristes, que mais uma vez mostrámos que preferimos ir lamber gelados à beira-mar do que fazer alguma coisa pela europa onde vivemos, em cujos fundos mamamos, por onde circulamos livremente, por onde estudamos saltitantes em Erasmus que são sempre "tão giros". Discordo muitas vezes do Miguel Sousa Tavares mas ontem concordei com ele a 100% (e não a 70%). Disse ele: "É incompreensível que os jovens não vão votar (...) Quem não vota nas europeias não devia poder ir em Erasmus, nem devia poder candidatar-se a subsídios e bolsas europeias". É isto, sem tirar nem pôr. E agora não se esqueçam de ir para o café dizer que isto é tudo uma cambada. Vale-nos de muito.

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