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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

A viagem e o destino

Não consigo conceber uma vida sem projectos, sem novos desafios, sem muito sonho à mistura. Passar os dias inteiros a fazer o mesmo e sem sequer imaginar uma nova vida não é para mim. É verdade que em 100% dos meus sonhos apenas uns 20% se realizam (em calhando menos) mas só o que eu vibro com o que sonho já compensa tudo. Como disse Eduardo Lourenço, "Mais importante que o destino é a viagem". E é. Quando tenho uma viagem marcada, para usarmos o exemplo da viagem propriamente dita, adoro toda a antecipação. Não é que depois a viagem não seja extraordinária e até supere as expectativas, mas todo o tempo a contar os dias, com aquele friozinho na barriga, supondo cenários, viajando sem sair do sítio, tudo isso já é tão parte da viagem que faz com que em vez de uma semana ou duas consiga viajar durante meses. Mas a frase do filósofo engloba mais do que apenas as viagens, stricto sensu. É antes uma metáfora sobre a vida e como todas as fantasias e todos os projectos e todos os planos que temos conseguem ser mais excitantes e caminhos de aprendizagem do que a sua própria concretização.

Lembro-me de ser miúda e passar 90% do meu tempo numa vida imaginária. Vivia num colégio interno, dormia numa camarata (o filme Annie deve ter ajudado), tinha uma égua chamada Beca (mais tarde tive o Poly e a mãe da Beca que era a FelizmBeca - não perguntem porquê, não faço ideia), tinha irmãos. O excesso de imaginação valeu-me alguns problemas na escola. Inventava mil e uma histórias, gostava de ter os meus colegas em meu redor a escutar as mirabolantes aventuras que tinha para contar, e um dia inventei que o meu pai tinha partido os dois pés a fugir à polícia porque era um famoso ladrão (a parte dos pés partidos era real, mas a verdade bem menos excitante).

Hoje passo na mesma muito tempo da minha vida a imaginar. Nem quero apontar percentagens porque vai na volta e não mudaram assim tanto desde que era miúda. Muitos dos sonhos são mesmo apenas parvoíces quase inatingíveis e depois há os outros. Que começam a ganhar forma e corpo e peso e que tiram o sono. E não são insónias más, são boas, é bom não dormir para sonhar acordado. 

Não consigo imaginar a vida sem ser assim. Seria demasiado sensaborona. Talvez seja toda esta imaginação que faz com que, depois, não chegue a aborrecer-me com a vidinha de todos os dias. Afinal, eu ando metade cá metade nas núvens, numa montanha russa de emoções. Não há aborrecimento que aqui more muito tempo. 

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