A higienista oral
A Madalena chegou um dia desta semana a casa a dizer que tinha ido lá à escola uma... não era dentista... era uma... ai... é parecido e tem a ver com os dentes mãe...
- Higienista?
Isso! "Higienista oral", acrescentou com ar douto. Depois explicou como se deviam lavar os dentes. "Foi a higienista oral que ensinou". E que queria passar a levar a escova e a pasta para a escola. "Porque a higienista oral disse que devia ser". E que os doces eram terríveis para os dentes. "Disse a higienista oral". E que as pastas deviam ter 1450 de não sei o quê, senão não prestavam. "A higienista oral repetiu isto algumas vezes. Abaixo de 1450 não presta." Nós, que nunca tínhamos ouvido tal coisa, entreolhámo-nos com o sobrolho engelhado. 1450? "Sim, foi a higienista oral que disse!"
Higienista oral, higienista oral, higienista oral. Assim mesmo, com as duas palavras juntas e uma expressão de quem teve contacto com um especialista que tudo sabe.
Quando terminou de jantar, foi lavar os dentes. Passado quase tempo nenhum chegou à cozinha com a boca cheia de espuma, a falar uma língua imperceptível e a projectar gafanhotos: "Vês, vês, vês???? Esta pasta é boa!"(soou a qualquer coisa como "ês, ês, ês? Exa parrtrra é ôa!" E lá estava, 1450 de fluor. A seguir andou a correr as pastas todas, a ver se havia alguma que não prestasse. Não havia. Sossegou.
(obrigada, senhora higienista oral. Agora tenho ainda mais argumentos para combater alguns desejos mais açucarados)

sonia.morais.santos@gmail.com