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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

A família cresceu

Para quem não me segue no Instagram ou no Facebook, a novidade ainda não terá chegado. Em bom rigor, a novidade aconteceu há pouco tempo (apesar da decisão já ter sido tomada há um mês), e ao meu cérebro chegou mesmo ainda mais recentemente (demorou a cair-me a ficha).

No dia 21 de Julho, saí de casa de manhã para ir dar a voltinha costumeira com o Mojito, quando vi à porta de casa um certo aparato: havia um cão, havia um polícia, uma senhora com uma criança, uma lata de comida, uma tigela de água. Estavam todos com aquela postura corporal de quem tem algo em mãos que não sabe ainda como resolver mas, nem sei porquê (provavelmente era o meu instinto a dizer-me para não me meter em sarilhos), não perguntei o que se passava e continuei na minha vidinha.

Dei a volta com o Mojito, de caminho ainda tomei café com a minha mãe, e quando regressei já só estava a senhora e a criança e... o cão. A senhora tinha um olhar perdido, o telemóvel na mão, e aí já não consegui ignorar. Perguntei o que se passava, se precisava de ajuda, e é então que a senhora me explica que tinha encontrado aquela cadelinha, que estava perdida e assustada, mas que não a podia levar para casa porque tinha um cão bebé que ainda nem tinha tomado as vacinas. A senhora estava mesmo à toa, sem saber o que fazer, porque tinha de se ir embora mas não estava a imaginar-se a deixar ali a bicha. Foi então que me cheguei à frente: a minha casa era mesmo ali, eu tinha plataformas digitais que chegam a muita gente (para procurar os eventuais donos) e então levei-a.

Pus a foto nas redes e aguardei. Foi então que começou o massacre.

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A minha filha Mada (que alterou o seu nome na minha lista de contactos para "filha lindinha") estava em casa dos avós, de férias, e iniciou um verdadeiro ataque, com centenas de mensagens onde pedia, implorava, descabelava-se por uma cadela. Primeiro achei graça, achei que lhe passava, achei que quando os donos aparecessem ela ia acabar por desistir. Tremendo engano. Os donos apareceram, levaram-na, e a torrente de mensagens continuou.

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Uma nota: "Nós pensámos em ter uma cabra" deve ser traduzido para "ela pensou em ter uma cabra e eu diverti-me a imaginar a bicha aos pinotes por todo o lado". 

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De repente, sem perceber bem como, já havia um autêntico movimento #teamMada e havia gente a enviar fotografias de cães bebés, cães adultos, cães pretos, brancos, castanhos, cães de pelo curto, médio e comprido. Cães de olhar triste, de quem já viveu o horror, cães mais felizes, cães de orelha murcha, cães atrevidos. De repente, já o tema não parecia estranho e estava eu própria a ver os cães e a ter vontade de os trazer a todos para casa. De repente estava na Associação Java, na Lourinhã, onde a Mada tinha visto a foto de uma cadelinha com cerca de 3 anos e outras fotos de cães bebés, e foi então que se deu o encontro das duas, o olhar tristíssimo da Molly a arrebatar o coração da Mada, que sentiu uma espécie de chamamento para lhe mudar a vida, o destino, o futuro. De repente, o Ricardo já não dizia nada e até mostrava um sorriso de abertura, coisa nunca antes pensada ou imaginada, e de repente estávamos a dizer na associação que sim, ficávamos com a Molly, íamos só de férias e quando voltássemos íamos buscá-la. 

E assim foi. Durante as férias, o amor foi sendo alimentado pelas fotografias e vídeos que as queridíssimas voluntárias da associação enviavam (obrigada Sofia, obrigada Cláudia). 

A Molly veio para casa este domingo, dia 30 de Agosto. É uma cadelinha muito traumatizada. Estava há um ano no canil, e foi encontrada ali perto, ao abandono (não sei em que estado). Não sei que diabo lhe fizeram, mas palavra de honra que gostava que essa criatura do demónio recebesse sofrimento em dobro. A Molly tem medo da própria sombra, baba-se muito (sinal de stress), deita-se quando alguém se aproxima, e quando vai à rua está desatinada a olhar para todos os lados, como se temesse que a ameaça chegasse a qualquer momento. Só fez xixi na terça-feira de manhã (relembro que chegou no domingo) e cocó também, ambos na rua. Fiz uma festa. Escolheu o hall para se refugiar, porque é o lugar da casa mais parecido com a "assoalhada" onde ela vivia. É um quadrado pequeno, longe do nosso olhar, encostado à porta da rua. Levámos para lá a cama dela e respeitamos o seu espaço. Ainda assim, de vez em quando vamos até lá para uma sessão de mimos. Quando ouve o Mojito, levanta-se, espreita e, às vezes, aparece no corredor e cruza a sala e até já foi ao terraço (mas sempre por brevíssimos instantes - mal se dá por ela já está de regresso ao seu micro-lugar).

O Mojito ignora-a e tem medo dela (tem medo dos cães em geral e só confia mesmo quando tem provas de que é para confiar) e ontem estava particularmente stressado (andava de um lado para o outro, babava-se, espreguiçava-se a toda a hora - tudo sinais de inquietação). Ela mete-se com ele amistosamente quando estão ambos de pé, nos passeios ou nos raros momentos em que ela se aventura pela casa. Mas quando está deitada e estamos a mimá-la e ele aparece... rosna-lhe e ameaça morder. A primeira vez que aconteceu fiquei destroçada e fui a correr confortar o Mojito. Senti que tinha trazido para casa uma ameaça ao nosso cão e doeu-me. Mas rapidamente fui ler e percebi que isto é só medo. Que a melhor defesa é o ataque. E que mal ela perceba que nenhum de nós, seja cão ou humano, lhe quer fazer mal, tudo ficará bem. Entretanto, estamos a reforçar a confiança do Mojito, dentro dos nossos conhecimentos (felizmente aprendemos algumas coisas nestes 6 anos com ele), e estou certa de que vai entender que o amor não se divide, multiplica-se. Tenho 4 filhos e sei bem que há sempre ciumeiras, com os cães não há-de ser muito diferente. Com equilíbrio e amor, suponho que tudo vá ao sítio.  

Quanto à Mada... acho que vai conseguir tudo o que quiser da vida, por exaustão. Nunca conheci outra pessoa assim. É a maior chata persistente do mundo.

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