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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

A casa

A casa ao lado da minha era para fazer parte da minha. Ou seja, quando se construiu o prédio, estes dois apartamentos eram, na verdade, para ser um só. Mas depois um dos membros da cooperativa decidiu que a casa era demasiado grande para si e então dividiram-na em dois (isto foi, pelo menos, o que me contaram). Acontece que o senhor que era para ter ficado com a casa onde vivo decidiu ir morar para a sua terra Natal e pôs o apartamento à venda. E foi aí que nós entrámos e em boa hora, que eu amo a minha casinha.
Entretanto, o apartamento do lado esteve não sei quanto tempo à venda. Nós nem sequer ligámos. Tínhamos dois filhos, estava tudo muito bem assim. A casa entretanto foi vendida mas o vizinho quase nunca lá põe os pés. Vive não sei onde e só cá vem de tempos a tempos. Às vezes passam-se meses sem que apareça. Há uns três anos, quando estava grávida da Madalena, pus-lhe uma carta no correio a dizer para nos avisar se pretendesse vender, que a gente ia tentar comprar (ficávamos com 7 assoalhadas, era mesmo a cena da minha vida). Ele já falou connosco entretanto, mas a crise está bera e não chegámos a concretizar o negócio. Consciente das dificuldades com os créditos nos bancos, para já também decidiu não vender.
Bom, mas esta converseta toda para dizer que, quando o vizinho está cá, nesta casa que é dele mas que era para ser parte da minha (e que, se os astros do universo se alinharem, voltará a ser), eu oiço tudo, mas mesmo tudo o que lá se passa. A divisão há-de ter sido feita um bocado às três pancadas porque cada passo que o senhor dá a gente ouve. Há dois dias que o homem está cá e hoje já o escutei ao telefone, já o ouvi no WC (com tudo incluído), já sei que tomou banho e secou o cabelo com secador. É tão desagradável... A Madalena, que tem o quarto pegadinho ao dele, já acordou 4 vezes a chorar porque é como se ele estivesse ali, ao lado dela, só que a comportar-se naturalmente sem os cuidados de quem tem uma criança a dormir em casa. Ele não sabe, mas ele tem uma menina de dois anos a dormir-lhe em casa.
Só penso no que será a nossa vida se ele se mudar de vez para aqui ou se acabar mesmo por vender (e a gente não conseguir comprar) a alguém que venha para cá viver. Como é que vai ser ter de ouvir o chuveiro, o autoclismo, as conversas, tudo. Mas, por outro lado... nós somos cinco! E três de nós conseguem ser muuuuuuuuuuuuuuuuito barulhentos. Hummm... espera lá... quer-me parecer que talvez não seja assim tão difícil comprar a casa, after all.

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