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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Recuperadores e guardadores de memórias

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Uma vez o meu computador deu o berro e eu, que sou aquela pessoa que não previne e passa a vida a remediar, fiquei com o coração nas mãos. Ai que lá se foi tudo, ai tanta foto que não tornarei a ver, ai tanto texto, tanto trabalhinho feito que acabou de sumir para todo o sempre. Andei à procura de soluções, já nem sei como cheguei à HD Rescue (até acho que foi alguém que me sugeriu no facebook) mas o que importa é que cheguei e em boa hora. Apareci com a orelha murcha, beicinho a tremer e cara de vergonha por responder "não" à clássica pergunta "tem backups?". A seguir entreguei-lhes o moribundo, suplicando que tentassem tudo, que até o podiam deixar falecer (embora não desse jeito nenhum), desde que me conseguissem recuperar os dados que lá estavam. Quando me disseram, ao fim de um tempo, que tinham recuperado tudo, TUDO, tive vontade de lhes mandar erguer uma estátua, de sugerir que se desse o nome deles a uma rua, de lhes compor uma canção. Depois disso, passei a confiar inteiramente neles para todas as avarias... e não só. Adquiri-lhes uma nuvem (cloud, que é como soa melhor) e depositei lá - a medo, que a pessoa é idosa - todas as minhas coisas. Deve ser uma nuvem daquelas enormes, de inverno, de tanta coisa que já lá tem. Mas aprendi a lição e também passei a ter tudo em discos externos, que eles também têm. Ou seja: neste momento a minha vida está espalhada em nuvens, discos internos e externos e, de tempos a tempos, faço backups para não correr riscos. É que os senhores são bons a recuperar memórias mas não fazem milagres. Se um dia destes o computador arder... já não fico sem nada. 

Volta não volta há alguém que me envia um email a perguntar se aconselho alguma empresa de recuperação de dados, porque o computador teve um fanico. "Acho que vi um post seu, antigo, a falar nisso, mas não encontro! Ajude-me, por favor!" Eu ajudo, claro. Sei bem a aflição que é. De maneiras que aqui fica, de novo, este contacto. Ainda para mais, fui lá à página de facebook quando estava a escrever este texto e descobri que têm a decorrer, até 25 de Outubro, um passatempo em que estão a oferecer 3 discos externos 2.5" de 1Tb MyPassport da marca Western Digital. Se tiverem interesse, vão lá e concorram (AQUIhttps://www.facebook.com/rec.dados.hdrescue/posts/1093349760834710). Se não tiverem interesse, guardem bem este nome (HD Rescue) para o caso de a máquina que vos guarda trabalhos, fotos e coisas infindas, dar o berro um dia destes (o diabo seja cego, surdo e mudo). 

Bom dia!

Ontem ao jantar, o Mateus saiu-se com um buenos dias que nos deixou de cara à banda. 

- Buenos dias? Quem te ensinou?

- Foi a Guida. 

Pensámos que a professora pudesse ter ascendência espanhola ou qualquer coisa assim, quando subitamente, entre duas garfadas, ele segue:

- Buongiorno!

Say what???? Ficámos todos em êxtase a olhar para ele e ele a sorrir, ufano.

- O que é Buongiorno, Mateus?

- É bom dia, em italiano.

Estávamos literalmente em delírio, os irmãos a estrafegarem-no com abraços e beijos. Às tantas, alguém perguntou:

- E em inglês, sabes?

Confesso que até estava com medo. Pensei: "se ele diz isto em inglês, francês, alemão largo a correr daqui para fora". Ele ficou calado até que eu comecei:

- Goo...

Ele deu um salto na cadeira:

- Good morning! 

Uiiiiiii! A loucura! Tudo aos saltos, temos poliglota! A seguir ainda disse bonjour e foi para a cama orgulhosíssimo do seu feito, que concentrou as atenções da família durante todo o jantar (coisa rara, porque geralmente é uma luta para ver quem tem mais tempo de antena).

Querido macaquinho.

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Foto: Afterclick

 

 

Revisão

Fui pôr a mota na revisão e há bocado fui buscá-la. Substituíram montes de coisas, correias de não sei quê, filtro do óleo, mais uns cabos e cenas. Quando a trouxe para casa notei uma diferença incrível na condução!

Em quê?

Nos espelhos! Juro que cheguei a casa e fui verificar, na factura, se os tinham substituído por uns melhores.

Mas não. Só os lavaram. 😬😂

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Ansiedade nos pais: como controlar?

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Há quem diga que nunca fomos tão bons pais como hoje. Por um lado concordo. Há apenas alguns anos pouco se ligava ao que sentiam as crianças, ao modo como digeriam tudo o que se lhes dizia, à forma como interiorizavam uma tareia (que nem sequer se questionava), um raspanete injusto, um certo desprezo, até, a que eram votadas. Os pais não faziam por mal. Era assim que funcionava em muitas casas, sem que se pensasse muito nas repercussões de tudo isto. Eram "só" crianças, assim como se fossem seres mais ou menos inferiores, numa espécie de estágio para chegarem a seres humanos completos. Também as manifestações de carinho não eram propriamente abundantes em muitas famílias, e o pai não tinha a presença na vida dos filhos que hoje tem. 

Mas... (e parece haver sempre um mas)... também há o reverso da medalha. Os pais, de tanta informação disporem, tornaram-se ansiosos. Parecem precisar de manuais para tudo. De tanto saberem que podiam falhar, ganharam medo de fazer errado. o facto de também terem menos filhos fez com que se preocupassem mais (quando são muitos há uma certa tendência para descomplicar, por uma questão de sanidade mental). E tudo isto misturado fez com que hoje tenhamos melhores pais mas, por vezes, também pais mais ansiosos. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 33% da população mundial sofre de ansiedade. Incluídos nesta estatística estão os pais, que cada vez mais se apresentam com um comportamento ansioso, concorda Elisabete Vieira, psicóloga na Clínica de Stº António. “É normal e esperado que os pais se preocupem, mas tudo o que é excessivo é nefasto”, salienta a psicóloga. Quando a fronteira entre preocupação e ansiedade nos pais é ultrapassada pode ter consequências negativas graves e requerer ajuda especializada."

Qual são, então, as diferenças entre preocupação e ansiedade? 

A preocupação engloba pensamentos relacionados com acontecimentos futuros mas, segundo Elisabete Vieira, "a preocupação tem um carácter funcional e importante, desde que numa proporção ajustada à natureza da situação e que interfira minimamente com a qualidade de vida e bem-estar dos indivíduos.”

Já a ansiedade pode ser definida como um estado psíquico de apreensão ou de medo provocado pela antecipação de uma situação desagradável ou perigosa para a própria pessoa. Esta antecipação não permite viver o presente, pois “as pessoas ansiosas preocupam-se mais com o futuro e com a tentativa de controlar as situações e quem está ao seu redor”, descreve a psicóloga.

E quais as causas mais comuns de ansiedade nos pais?

Elisabete Vieira aponta alguns factores que contribuem para a ansiedade nos pais: uma vida agitada, assim como as exigências profissionais, a competitividade, as exigências familiares, os desajustes familiares, o desconhecido e o inesperado, todas estas características podem promover um estado de alerta, apreensão e preocupação que é natural do ser humano.

E será que a ansiedade nos pais contribui para a ansiedade nos filhos? A psicóloga responde: “As crianças têm tendência para replicar o que veem, neste caso, o que veem os pais fazerem e se os pais têm comportamentos em que demonstram irritabilidade, nervosismo, agitação, as crianças também vão ter comportamentos neste sentido”.

Podem ver AQUI alguns truques para lidarem melhor com a ansiedade e, assim, melhorarem a vossa qualidade de vida e... a de todos aí em casa, crianças incluídas.

Pessoas que dizem a idade dos vossos filhos em meses, perdão em mesinhos

Sabiam que, por cada vez que o fazem, falece uma andorinha, um pinguim e uma foca bebé?

No outro dia alguém me dizia que o filho tinha 41 mesinhos. Eu, que sou péssima a matemática, fiquei ali uns segundos à toa. 12 + 12 + 12 dá 36. Ok, mais 5 dá 41. Não era mais fácil dizer que a criança tem 3 anos, senhores? Na realidade, não é uma resposta correcta, são 3 anos e 5 meses. Mas... eu também não respondo, se me perguntarem agora, que tenho 44 anos e 11 meses, caneco! Respondo que tenho 44, até à véspera de fazer 45 (será sempre um facto e contra factos não há argumentos). Ainda menos respondo a totalidade da minha idade em meses! Que seria!

- Quantos anos tens?

- Olha, 539. 

😳

Obrigada e bom dia.

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Dias assim

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Há dias que correm tão bem que ficamos a pensar por que raio não são todos assim. Ontem fiz uma série de coisas que queria ter feito, despachei assuntos, escrevi textos que tinha de enviar. Fui buscar a Mada à escola, às 17.30, estivemos a preparar umas coisas giras, fomos as duas buscar o Mateus, que estava com uma boa disposição rara (quando o vou buscar brinda-me muitas vezes com birras, logo a seguir ao enorme abraço que me dá, e é antipático e chega a casa e recusa-se a falar à dona Emília, tenho de me zangar, e fica tudo estragado), fizemos umas brincadeiras os três, a seguir ele ficou com os irmãos, a Madalena seguiu para a catequese com a mãe de uma amiga, eu segui para o 1Fight para ir à aula de Miss Fight, adorei a aula, esfalfei-me toda mas saí de lá com aquela sensação de ter dado o litro, voltei para casa, o Ricardo tinha o jantar pronto, jantámos, conversámos sobre a actualidade, o Ronaldo, o Bolsonaro, a Manuela Moura Guedes em "Procuradora", o Mateus continuava bem disposto, aceitou logo lavar os dentes, sem negociações nem fitas, não regateou a ida para a cama, estava tudo tão na paz que fiz uma cabana com um edredão gigante e pusemo-nos lá em baixo, foi engraçado durante os primeiros dois minutos mas depois ficou um calor abrasador, de maneira que desistimos da cabana, li uma história mesmo gira ("A Minha Mãe é a Melhor Mãe do Mundo", da Maria João Lopo de Carvalho, com ilustrações de Helena Nogueira), eles ficaram calados o tempo todo a absorver, no final dei beijos e fiquei na sala a ouvi-los rir às gargalhadas, fui incapaz de me zangar, ainda que fosse avisando "a mãe vai-se zangar", até que por fim adormeceram enquanto nós víamos uma série. Ainda li antes de adormecer e desliguei a luz a pensar "se os dias fossem todos assim era muito mais fácil". Hoje, porém, concluo que se fossem todos assim o mais certo era nem lhes dar o devido valor. Por não serem todos assim é que ontem soube tão bem. Agora é tentar que se repita mais vezes (ainda que saiba que se trata de uma conjugação de factores e não dependa exclusivamente de mim).

Mudar de Vida #15: Bruno Teixeira

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Trabalhou 18 anos de gravata a sufocar-lhe a garganta. Durante quase duas décadas, a banca foi a sua segunda casa, às vezes a primeira. Passou por alguns dos mais importantes bancos nacionais e chegou a chefiar 40 pessoas. Foi então que sentiu aquele vazio. Aquele aperto. Como se, de repente, a gravata o estrangulasse. Mais do que o possível. Mais do que o suportável. E percebeu que não podia continuar ali. "Estava a morrer por dentro".

Bruno Teixeira não foi sempre infeliz na banca. Sublinha que aprendeu muito com algumas pessoas com quem se cruzou, que lhe deram formação, que o ajudaram, que o ensinaram a crescer, a ser melhor. Dessas não esquece. Porque se há qualidade que se orgulha de ter é a de ser grato. Na verdade, também não esquece as outras, as que lhe mostraram exactamente que pessoa não queria ser, que caminho não queria seguir. O importante é não esquecer nunca. E levar lições de onde quer se passe.

Pouco tempo depois de sentir que já não pertencia ali, chegaram por parte da administração as propostas de rescisão amigável. Ainda pensou que talvez não estivesse a ser justo, talvez pudesse aguentar mais, talvez não fosse o momento. Mas, como acredita que nada acontece por acaso, nessa mesma altura não recebeu um prémio de produtividade que era suposto ter recebido. E pronto. Ao desalento que já o consumia juntou-se o sentimento de injustiça. Uma chama perto de um barril de pólvora. A decisão estava tomada. Era só preciso assinar. Nessas vésperas, pouco ou nada dormia. Ia à casa-de-banho dezenas de vezes, com a barriga às voltas. De noite, deitado na cama, conseguia escutar os diálogos entre o diabinho - que repetia que era uma loucura trocar o certo pelo nada - e o anjinho - que jogava a cartada do "vais livrar-te disto, podes fazer algo de que gostes realmente".

Quando o anjinho ganhou o braço-de-ferro e Bruno assinou a rescisão do contrato, o chefe perguntou-lhe se tinha alguma coisa em vista. Não tinha. Então perguntou-lhe se ficava mais 6 meses, só para fazer uma transição mais suave. Ele disse que sim porque, na verdade, ainda não tinha traçado qualquer plano para si. Só sabia que não podia continuar ali por se sentir a morrer devagarinho. "Como o medo é forte, comecei a disparar currículos para todos os lados: financeiras, consultoras, outros bancos... É tão forte a ideia que nos passam de termos de procurar um emprego estável que ficamos sempre com medo. E o medo mata sonhos. Pode matar o futuro. E depois é engraçado o que se passa com este sentimento. Porque se não tens medo és inconsciente mas se tens medo és maricas. Aprendi que a melhor forma de lidar com ele é respeitando-o. Conversar com o medo, de frente, e dizer: tu vais-me acompanhar mas não me vais dominar. E foi assim que comecei a minha aventura."

Como nenhuma das empresas para as quais tinha enviado currículo lhe respondeu, como nem a uma entrevista foi, começou a pensar na vida. O que fazer? Foi então que pensou no skate. "Comecei a andar de skate com 13 anos. Entretanto, uns amigos meus que eram comentadores de manobras e circuitos e campeonatos de skate na Fuel TV um dia convidaram-me para ir. Fui e gostaram de mim. Tanto que passei a ser comentador residente. E então pus-me a pensar: eu gosto tanto do skate e do que o skate representa... e se eu desse aulas? Se criasse uma escola? E foi então que comecei a planear tudo, nesses 6 meses em que o meu chefe me pediu para permanecer no banco."

Começou devagarinho, com os filhos de alguns amigos. Mas, como tudo o que é bom tem um rastilho rápido, depressa vieram outros. E mais. E hoje a Flow Skate School já conta com quase 100 alunos, dos 4 aos 50 anos. 

O que é que mudou na vida do Bruno? Tudo. "Sabes, o pior que te pode acontecer na vida é ficares na tua zona de conforto. Acomodado. Porque aí já não evoluis, já não cresces, já não sentes medo. E sim, é importante voltar a falar dele. Eu sinto medo todos os dias. De não fazer dinheiro suficiente, de não conseguir pagar as minhas contas. Mas depois penso: foca-te no teu trabalho que o dinheiro vem." E tem vindo. Mas muito mais importante que o dinheiro é a qualidade de vida que passou a ter. A possibilidade de se encostar a uma árvore a ler um livro, a olhar o céu, a usufruir da vida. Trabalho não lhe falta, mas passou a ter tempo. E o tempo é demasiado valioso para ter preço. 

Além da qualidade de vida, o que passou a reger os seus dias foi a vontade de ajudar a transformar vidas e o desejo de ser transformado também. Porque nesta vida de professor garante que é ele quem mais aprende todos os dias. Sobretudo quando, do outro lado, o feedback é tão positivo: "Às vezes chegam-me miúdos a dizer: 'na escola ninguém gosta de mim porque eu não sei jogar futebol.' E ao fim de umas aulas, quando já conseguem fazer manobras de skate que os outros não sabem fazer, ganham auto-estima, ganham um alento que não tinham. E ser agente desta mudança, fazer parte disto é incrível. O skate, de resto, é uma metáfora da vida. Até conseguires fazer aquela manobra vais ter que tentar, vais ter que cair, vais ter que te levantar, vais tentar de novo. Como na vida, quanto maior o obstáculo maior o prazer de lá chegar. Porque tens duas hipóteses quando esbarras com um obstáculo: ou voltas para trás ou enches o peito de ar e tentas. E eu gosto de os ensinar a tentar."

Bruno tem reflectido muito sobre estas enormes diferenças entre quem trabalha por conta de outrém e quem tem um trabalho próprio. "Quando tens um trabalho certo, quer trabalhes bem quer trabalhes mal, quer faças quer não faças, o dinheiro vai estar lá ao final do mês. É certo. Quando trabalhas por tua conta, a tua mente foca-se em aprimorares o teu negócio, em fazeres cada vez melhor, em não te deixares dormir à sombra. Sobre o dinheiro certo... não é o mais importante, se bem que compreendo que seja uma segurança. Mas há muita gente que só tem mesmo dinheiro. Não tem o resto. O que te define é o modo como tratas os outros, e o resto vem por acréscimo. O meu lema, todos os dias é: hoje veio alguém ter comigo e foi melhor para casa? Se sim, dia cheio. Se não, amanhã será um novo dia para procurar fazê-lo."

Trabalhou 18 anos de gravata a sufocar-lhe a garganta. Fato, gravata, vida "arrumada", dinheiro certo no final do mês, um tom de pele amarelecido que quase sempre tem quem está obrigado a um horário fixo, luz artificial e ar condicionado. Hoje trabalha de calções e t-shirt, calça uns ténis, o skate debaixo do braço e a pele bronzeada de quem vive ao ar livre, a desfrutar da luz natural e da vida cá fora. E nunca teve tanta certeza de que fez a escolha certa.

www.flowskateschool.com

https://www.facebook.com/FlowSkateSchool/

https://www.instagram.com/flowskateschool/

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Tróia: gostamos de tanto de ti (pena que não gostes assim tanto de nós...)

Tínhamos pensado aproveitar o fim-de-semana prolongado para ir até ao Algarve mas o aniversário da minha sogra não podia passar em branco, de maneira que fomos almoçar todos, apagámos as velas em Palmela, e depois seguimos para Tróia. Ficámos num apartamento gigante no Aqualuz Tróia, com aquela vista de cortar a respiração.

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Tirei dezenas de fotos à vista e nunca consegui uma única que fosse sequer parecida com a vista real. É que eram 180º de vista, do rio ao mar, passando pela beleza da terra em redor, cheia de árvores e casas bem implantadas na paisagem. Adoro Tróia, acho lindo e dá-me uma paz invulgar.

No sábado optámos pela praia, que é mesmo em frente, a escassos metros de um passeio gostoso pelo passadiço de madeira, e... milagre... até consegui tomar banho naquela água gelada. Os meus filhos estavam incrédulos. A verdade é que me soube pela vida, como se fosse uma regeneração de energias. Bom mas bom. E o silêncio da praia? Maravilha.  

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Depois da praia, estivemos um bocado na piscina mas achei que já eram banhos frios a mais e já não consegui mergulhar. Mas estava-se bem ao sol, tipo lagarto, a queimar os últimos cartuxos deste verão tardio a invadir o outono, porque não tarda estão aí as chuvas e o frio e eu sou tão mais feliz com sol...aqua1.jpg

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Como fomos só com pequeno-almoço incluído (e que bom pequeno-almoço, diga-se), fizemos os almoços e os jantares no apartamento. E digo-vos uma coisa: lavar a loiça com esta paisagem é... outra loiça, passe a repetição.

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Na sexta à noite e no sábado jogámos Monopoly (andamos viciados....), eu perdi (perco sempre), de uma das vezes ganhou o Ricardo (mas o Martim deu muita luta), de outra vez ganhou a Mada (mas porque o Ricardo, antes de falir, fez-lhe uma doação de um bairro inteiro, o sacana). 

Sábado ao final da tarde, fomos os dois dar uma corrida. Fomos até ao empreendimento Pestana e voltámos, o que perfez 10 km. Custou um bocado, não vou dizer que não, mas ficámos contentes porque, depois deste interregno, andávamos a correr 5, 6, 8 km e só agora estamos a voltar aos 10. É bom sentir a evolução! E que bom que é correr ali, naquele sítio tão bonito, num percurso feito especialmente para corredores e ciclistas. 

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 Alguém estava prestes a atingir o Nirvana

 

E pronto. Sem o sabermos, o nosso fim-de-semana estava prestes a terminar. Chegámos, todos cansados, e o Martim e a Madalena estavam muito enjoados. Pensámos que podia ser fome, fizemos o jantar, pusemos a mesa, mas a Mada já nem jantou. O Martim, acreditando que podia ser fraqueza, jantou. Daí a algumas horas... o descalabro. Primeiro começou ela a vomitar. A seguir ele. E assim continuaram, à vez, até às 7h da manhã do dia seguinte. Muuuuuuito animado. Deitavamo-nos, acordávamos em sobressalto a ouvir aquele som típico, e lá íamos segurar cabeças, limpar bocas, puxar autoclismos, voltávamos a deitar-nos, e repetíamos tudo de novo. A meio da noite, o Manel apareceu branco como a cal, a dizer que também não estava bem. Só pensava: "Se este começa a vomitar, e se depois vem o Mateus e quem sabe até nós os dois... vai ser o apocalipse neste apartamento!" Felizmente não. No dia seguinte, ninguém quis ir ao pequeno-almoço - só nós e pequeno Mateus, que dormiu como um anjo toda a noite, indiferente a todo o bruá nocturno. Quando acordaram, os três estavam um caco. Os que tinham vomitado estavam prostradíssimos e com dores de barriga e de cabeça, o mais velho continuava enjoado. Conclusão: viemos embora para casa. 

Ora... da última vez que estivemos em Tróia, o Mateus caiu da cama a meio da noite e partiu a clavícula. Desta vez... isto. Creio que não torno a Tróia tão cedo. Gosto muito mas aparentemente Tróia não gosta de nós com a mesma intensidade. 😅

 

Vamos lá a ver se a gente se entende

1º - Todos são inocentes até prova em contrário

2º - Há por aí muito católico que esqueceu o mandamento "Não julgarás". Apressam-se a julgar, seja qual for o lado. Os julgamentos são para os tribunais. Não se apressem com certezas. Nem a justiça as tem, tantas vezes.

3º - Compreendo que ver o nosso ídolo nacional ser acusado de um crime tão hediondo nos deite abaixo, nos inquiete, nos perturbe, nos faça tapar os ouvidos e dizer "lá-lá-lá-lá, não estou a ouvir, não estou a ouvir, lá-lá-lá-lá" como se ainda estivéssemos no jardim-escola. Ainda assim, talvez seja mais prudente calar, ler, ouvir. E esperar.

4º (e talvez mais importante) - O facto de uma mulher se insinuar a um homem não é uma via verde para que seja violada. Ainda agora vi um apresentador de televisão dizer: "O que eu vi foram fotografias dele muito no seu lugar e dela claramente a insinuar-se". Wow, wow, wow, pára tudo! Então mas lá porque se insinuou tem de ir ao castigo? Porque subiu ao quarto de hotel, onde supostamente havia uma festa, tem que se submeter a ter sexo, seja vaginal, oral, anal ou de qualquer outra espécie? Porquê? Porque os homens, coitadinhos, não se conseguem controlar? Porque ela estava a pedi-las? Mas que porra vem a ser esta? Uma mulher (ou um homem) tem todo o direito a mudar de ideias, seja em que momento for. Se for já de roupa espalhada no chão, e à beira da penetração, temos pena. Todos têm direito a arrepender-se no último instante de se atirar do desfiladeiro. Um não é sempre um não. Haja insinuação ou não. Esta ideia da mulher séria que não se insinua em pleno século XXI faz-me ficar com os cabelos em pé.

5º - Ficarei mesmo muito triste se for provado que o Cristiano fez aquela atrocidade. É um crime que um génio (e um trabalhador incansável) como ele seja destruído por um crime (a redundância é propositada). Mas se for provado, é evidente que terá de ser punido, como qualquer outra pessoa. Era o que mais faltava!

6º - E assim regresso ao silêncio, que julgamentos em praça pública não fazem muito o meu género.

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