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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Sem bateria, sem pilha, sem memória. Socorrooooooo

A minha mota, de não ser usada há tanto tempo (chuva, férias, mais chuva), deixou de funcionar. Pode ser amuo, pode ter falecido, pode ser só bateria. Pedi a um amigo de adolescência que tem não sei quantas motas - e que mora perto de mim - se vinha cá com um daqueles aparelhos de ressuscitar baterias, assim uma espécie de desfibrilhador que reanima estes corações já cansados. Ele foi amoroso e às 10h da matina estava à minha porta. Saí, entrei com ele no carro, abri-lhe o portão que dá acesso às garagens, descemos e, quando ia abrir o portão da minha garagem... nada. A luz do comando acendia mas nada de abrir o portão. Pedi-lhe para esperar, fui a correr à volta, entrei no prédio, desci, e esperava abrir a maldita porta à mão, da parte de dentro. Quando estou a chegar, vejo o portão a abrir-se. Era o meu vizinho do primeiro andar que vinha a chegar. O meu amigo aproveitou, entrou também, e lá tentou ressuscitar a mota. Não conseguiu. Disse então que levava a bateria e ia fazer não sei quê com ela, a ver se voltava à vida. Meteu-se no carro, eu tentei abrir o portão manualmente e... não consegui. Pedi-lhe um minuto, subi, toquei à campainha do meu vizinho, expliquei-lhe que o meu comando estava avariado, ele desceu porque tinha o comando no carro, e abriu-me o portão. Como o meu amigo ia voltar, aproveitei para pedir o comando emprestado (para não continuar o vai-e-vem tresloucado). Sim senhor, tudo muito bem. O meu amigo saiu, eu vim para casa. A seguir, telefonema dele. "Estou cá em cima, tens de me abrir o portão que dá para a rua". Ah, claro, tinha-me esquecido desse. Saí a correr e lá fui abrir o segundo portão. Voltei para casa. Daí a uma hora, talvez não tanto, ele voltou. Descemos. A bateria continuou sem funcionar, pelo que vou ter de comprar outra. Ele disse que bastava fotografá-la e ir comprar uma igual. Saco do telefone, ele ajeita a bateria para que eu capte a informação importante e... "Armazenamento cheio". Não podia acreditar. Nem uma mísera foto o desgraçado me deixou tirar. O meu amigo fotografou com o telefone dele e enviou-me as fotos. Foi-se embora e eu aposto que deve estar até agora a achar que tudo na minha vida está sem bateria (ou memória). Não está longe da verdade. 😂

Conta-me #9

"Temos de falar", disse-me ela. Confesso que pensava que esta era uma daquelas frases que só tinha saída nos filmes. De tal maneira que, mal a escutei, apeteceu-me traduzi-la para inglês, "we need to talk", mas achei que ela estava com uma expressão demasiado séria para achar graça. Não sei porquê, talvez já o esperasse, mas assim que ela disse "temos de falar" percebi que a minha vida estava à beira do precipício. Faltava só o encostozinho final para que se desfizesse em mil pedaços, no fundo do desfiladeiro. Fechei os olhos, cerrei os punhos e os dentes, voltei-me para ela com o ar mais descontraído e surpreendido que consegui e perguntei, desejando ter ouvido mal: "Temos?" 

Tínhamos. Ou melhor, ela tinha. Tinha que me falar no Artur. Tinha que me dizer que lhe custava muito toda a situação, que eu tinha sido sempre um marido incrível, que era um excelente pai, que não havia razão de queixa, mas. Há sempre um "mas" que se segue a um "temos de falar". E o "mas" na minha vida tem nome. Chama-se Artur. 

Durante meses ouvi-a falar com entusiasmo no Artur. O novo chefe. Tão engraçado, sempre espirituoso, a fazer rir o gabinete inteiro. "Olha só esta piada que o Artur hoje contou". E eu olhava. E ouvia. E esboçava um sorriso forçado. Não sei porquê, talvez fosse um sexto sentido, nunca achei graça ao Artur, nunca me consegui rir com a vontade com que ela se ria, "não é a melhor piada de sempre?", perguntava ela a limpar as lágrimas. É, é, respondia eu com o sorriso mais esforçado que conseguia montar.

O Artur. Sempre solícito, a trazer o café à sua mesa com um brigadeiro. "Já viste a minha sorte, ter um chefe assim?" Então não?, retribuía eu. O Artur que a tinha convidado para almoçar, não apenas a ela, claro, mas à secção inteira. O Artur e os seus olhos verdes. O Artur e o seu perfume inebriante. Não, talvez ela não o tenha dito assim, mas falou qualquer coisa sobre o perfume, sou capaz de apostar. O Artur que lhe dava boleia no seu carro alemão com estofos em pele e tantos botões no painel que mais parecia um avião. "Às vezes até acho que vai levantar voo". Pois.

E a Paula cada vez mais distante, mais calada. A Paula sempre de olhos no telemóvel, a levá-lo consigo para toda a parte, até mesmo para a casa de banho, nunca se esquecendo dele em lado algum. E eu a convidá-la para sair, para um programa, um jantar a dois, sem os miúdos, um cinema a seguir, e ela sempre cansada, sempre aborrecida, sempre longe. 

Acho que no início dei o desconto. O Artur lá devia ter os seus encantos e estar casado não causa cegueira, de maneira que compreendi o entusiasmo, sangue novo num gabinete bafiento era caso para deixar o mulherio inquieto. Eu próprio já tive as minhas paixonetas, coisas platónicas evidentemente, mas que diabo, sou homem! Assim de repente lembro-me da Anabela, por exemplo. Que mulherão. Quando entrou pela primeira vez na empresa julguei que ia ter um ataque cardíaco. Suores frios, uma pontada no peito, tonturas, as pupilas dilatadas. Lembro-me do Aníbal vir ter comigo e dizer "Estás bem, Carlos?" E eu sem conseguir balbuciar uma palavra, "Estás lívido, homem! É preciso chamar um médico?". Ainda hoje nos rimos disso. Que brasa, a Anabela. Mas pronto, foi fogo de vista. O passar dos dias tornou-a menos vistosa, os defeitos começaram a vir ao de cima, e o coração amainou. Como ela, outras. Mas nada de duradouro, nada de sério, nada que pusesse em causa a Paula e a nossa vida em comum. São 24 anos de casamento. Cinco de namoro. Dois filhos. Jamais me passaria pela cabeça outro cenário que não fosse o de envelhecermos juntos. 

Mas. Lá veio o mas. O Artur. Quando finalmente decidi procurar a figura no Facebook compreendi ainda melhor o arrebatamento. Tipo alto, cabelo grisalho, olhos verdes, boa pinta. Engoli em seco mas não fiz mais nada que isso. Continuei apenas a ouvi-la descrever, uma após outra, as aventuras do Artur, as piadas do Artur, as boleias do Artur. Fui parvo. Deixei-me ir e quando percebi era tarde. Quando percebi estava a escutar o tão temido (e tão dolorosamente cliché) "Temos que falar".

E assim foi. 24 anos de casamento, cinco de namoro, dois filhos, tudo por água abaixo. Depois do "Temos que falar", ela falou no Artur e no quão apaixonados estavam, eu ouvi calado e quieto, ela levantou-se enxugando as lágrimas, fez umas malas apressadamente, e saiu deixando-me num misto de choque e confirmação do que, na verdade, já intuía. Talvez não pensasse que tivesse coragem de o fazer pelos miúdos. Mas os miúdos já estão crescidos, ambos na faculdade, com as suas próprias vidas. Se fossem mais novos era capaz de não ter coragem mas assim... Assim foi só dar-me o encostozinho que faltava para me atirar do precipício.

Estou sentado nesta cadeira há horas. Sei-o porque cheguei eram seis e meia e agora já a escuridão invadiu toda a cozinha. Não tenho fome, não tenho sede, não tenho nada para fazer. O Aníbal diz-me "Tens de sair, Carlos. Tens de vir com a malta, pá. Arranjar umas gajas." Dá-me vontade de rir. Gajas. Sou fiel à Paula há 29 anos, nem consigo imaginar-me com outra mulher, nem mesmo quando me escondo perto do serviço dela para a ver chegar no carro-avião do Artur. Da primeira vez nem a reconheci. Mudou o cabelo, está mais magra, parece mais nova, toda maquilhada. Toda sorrisos, toda encostos, toda... nem sei quê. A minha Paula. Tão feliz, apesar de tudo o que a separação lhe trouxe: os meus pais deixaram de lhe falar, a mãe dela deixou de lhe falar, os filhos deixaram de lhe falar. Eu não acho bem, já lhes tentei explicar que isto são coisas que acontecem, que ninguém controla o coração, mas ninguém quis saber. Eu também já não quero saber. Ela própria não parece muito interessada no assunto.

Perguntam-me se não tenho vontade de partir a tromba ao Artur. Tenho. Então não? Uma pêra bem dada naquele focinho sorridente. Sonho com isso praticamente todas as noites. Não foi uma vez nem duas que acordei com a mão esmurrada por ter batido com ela em cheio na parede. Mas depois falta-me a coragem. O mais certo era o Artur acabar comigo em três tempos, obrigando-me a engolir o escassíssimo orgulho que ainda me resta. 

É evidente que tenho que me recompor. Tenho de recomeçar. Tenho 50 anos, ainda posso ter uma vida, ainda posso ter, como diz o Aníbal, "umas gajas". É evidente que sim. Talvez comece por vender a casa, porque ainda durmo e acordo na cama onde dormíamos e acordávamos juntos, porque ainda janto na mesa onde jantávamos juntos, porque ainda a vejo em todas as assoalhadas. É. Talvez tenha de começar por aí. Assim arranje coragem e forças. Para já, sento-me horas nesta cadeira, em silêncio, à espera que o resto do dia passe. À espera de me esquecer. Dela, dele, dos dois. De mim com ela. De mim sem ela. De mim com este vazio. À espera de recomeçar.

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Não seja porcalhão. Apanhe o cocó do seu cão.

A escola Tutor T (creche e Jardim de Infância) é, como já aqui disse, mais do que uma escola. É um projecto inserido numa comunidade, que procura estabelecer laços e não viver fechada sobre si mesma. Não é raro haver actividades que incluem a vizinhança, mesmo as pessoas que não têm filhos a frequentar a escola. Ainda no ano passado houve leituras no Jardim das Musas, e todos foram convidados a participar. 

Ora, justamente por isto, por a escola pretender ter um papel activo na comunidade, decidiu "arregaçar as mangas". Como utente do Jardim das Musas, e assistindo à crescente acumulação de dejetos de cão sibre a relva, a escola resolveu elaborar um cartaz de sensibilização pública, pedindo a todos que apanhem os dejectos dos seus animais.

"Acreditamos que seja também missão da escola cuidar da comunidade da qual faz parte e, claro, orgulhosamente dar a cara e o nome pelas causas que lhe parecem justas e dignas para a promoção da qualidade do seu Bairro."

Ora, tendo este blogue o nome que tem, e vivendo a sua autora neste mesmíssimo bairro (e tendo, no seu agregado familiar, um cão), não podia deixar de divulgar o cartaz. Sou incapaz de deixar um cocó do Mojtito ali plantado na rua, no jardim, num canteiro, onde for. Não compreendo quem ache normal encher de caca um jardim onde as crianças podiam brincar, saltar e rebolar na relva. Apanhar cocó não é a tarefa mais cool da vida mas é absolutamente necessária. 

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Pálpebras coleccionadoras

É esquisito mas verdadeiro. As minhas pálpebras gostam de coleccionar cenas. Açambarcam. Guardam. Têm vida própria. A primeira vez que isto aconteceu, senti um raspar no olho horrível. Foi no Verão, tinha ido à praia. Achei que era areia, pus soro, pestanejei mil vezes. Nada. No dia seguinte fui à urgência e o oftalmologista removeu uma mini-concha do interior da minha pálpebra. Deve ter achado que era bonita e tratou de a guardar, lixando-me a córnea. Andei 7 dias a antibiótico, um ou dois dias de olho tapado, óculos por duas semanas. 

Desta vez foi ao retirar as lentes, à noite, para ir dormir. Uma sensação de ter algo no olho, pensei que fosse uma pestana, ali andei eu a olhar para o chão e a piscar como se tivesse um tique irritante. Nada. Pus soro, soprei, chamei o Ricardo que inspeccionou, soprou, nada. Dormi pessimamente, sempre com aquela sensação. No dia seguinte acordei na mesma e foi então que me lembrei do evento anterior. Seria a açambarcadora da pálpebra a coleccionar lixarada? Vai daí e fiz a experiência: apesar de me doer o olho, meti as lentes. E, claro, passou. Porque o que quer que lá estivesse passou a roçar na lente e não no olho, de cada vez que eu pestanejava. Marquei consulta urgente para o primeiro oftalmologista que tinha vaga. E fui ontem à consulta. Dormi na noite de terça para quarta com a lente porque, quando a tentei tirar à noite, ia ensandecendo com a sensação de ter um vidro a cortar o olho. Antes a lente! 

Quando cheguei à consulta, o médico mandou-me tirar as lentes. Depois, rectificou: só precisava de ter removido a do olho afectado (mas já era tarde - uso lentes diárias e já tinha mandado as duas para o lixo). Senti logo que o que quer que lá tivesse estado já tinha saído, mas a dor no olho era evidente. O médico pôs um corante no meu olho e depois analisou criteriosamente, por detrás de uma máquina que deve ter aumentado o meu olho para um tamanho gigantesco. Revirou-me a pálpebra e confirmou que já lá não estava o causador do dano. Mas o dano era evidente: algumas lesões na córnea.

E pronto. Saí de lá como uma toupeira. De olho direito tapado e o esquerdo - que é o que vê pior - sem lente. Nem sei como cheguei a casa (apesar de ter ido a pé, garanto que não foi fácil). Uma sensação de bebedeira e de ressaca ao mesmo tempo: tonta, desequilibrada, enjoada. 

Hoje já estou sem a pala à Camões, felizmente. E dou muito valor a todos os que não vêem de todo ou vêem muito mal. Como sempre, só damos valor ao que temos quando deixamos de ter. E a visão é, sem dúvida, o sentido que mais prezo. Isto é só uma coisinha sem importância, nem consigo imaginar um problema maior com os olhos (um grande beijinho para a Soraia, a quem aconteceu uma coisa bem grave num olho mas que vai conseguir continuar a ver a beleza da vida por inteiro).

Tenho antibiótico para os próximos 7 dias e nada de lentes de contacto. Raios partam as minhas pálpebras coleccionadoras e os sarilhos que me trazem as suas colecções.

Será que o Universo nos envia "sinais"?

Já toda a gente deve ter ouvido aquela história dos sinais que o Universo supostamente nos envia. Há quem aposte que isto é verdade mas que nós, ocupados com as nossas vidinhas, somos incapazes - na maioria das vezes - de os entender. Que se estivéssemos mais atentos íamos conseguir ouvir as mensagens que tem para nos dar. Há quem garanta ter escutado os avisos do Universo e escapado de boa a fatalidades. Há quem consiga vislumbrar os sinais do Universo depois da desgraça acontecida numa espécie de luz descoberta tardiamente ("agora percebo tudo...."), há quem não acredite em porcaria alguma.

Eu sou mais deste último género, porém... como já por várias vezes aqui disse, sou uma céptica atenta. Até na questão de Deus, sou uma ateia expectante. Não acredito em nada mas... vai que? Deixo sempre uma porta encostada, até porque adoraria acreditar em qualquer coisinha que não fosse isto de andarmos para aqui sozinhos sem nada nem ninguém que nos acuda, nem nenhum objectivo extra que torne a morte menos insuportável. 

Posto isto, é como digo: ando atenta. Assim, quando, acabada de chegar a Paris, recebo um telefonema da minha mãe a dizer que o estore da sala tinha entrado em curto-circuito, mandando o quadro abaixo, e logo a seguir recebo outro telefonema da minha sogra a dizer que o Mateus estava muito mal disposto e com febre... juro que pensei: serão estes dois sinais do Universo para que não vamos à maratona? Será que vai haver um atentado e vamos pelos ares? Ainda engoli em seco, pensei "deixa-te de parvoíces, mulher", e na própria manhã procurei abstrair-me desse pensamento do demo.

Como não aconteceu nada (apesar de não termos dado ouvido aos supostos sinais) imagino que não tenha passado de um azar. Ou melhor, dois. Por isso, um recado para a minha irmã: é provável que todos os atrasos e demais cenas na compra da tua nova casa (nomeadamente aquela porta que se fechou na tua cara, sem que houvesse sequer uma aragem por perto) não passem disso mesmo: azares, contratempos, chatices. O Universo tem demasiadas pessoas para conseguir enviar sinais personalizados a cada um, imagino. 

Conservas gourmet

Quando fiz a surpresa de levar o meu marido a Londres, para ir ver o Fantasma da Ópera (que tanto tinha adorado em Nova Iorque), escrevi algures no texto que cá por casa íamos ficar a comer atum durante uns tempos à conta da viagem (ainda por cima apenas dois meses depois da de Nova Iorque). O que queria dizer era que há sempre um período de contenção necessário após estas extravagâncias boas que, felizmente, vamos podendo fazer. Mas uma leitora com imensa graça e sentido de oportunidade enviou-me um email a dizer que, se ia comer atum, então que fazia questão que fosse atum de qualidade. A Maria contou-me então que há cerca de 2 anos criou com o marido uma linha de conservas gourmet "para fazer relembrar os nossos tempos de infância, em que tivemos o privilégio de comer as melhores conservas feitas em Setúbal, terra que chegou a ter 140 fábricas e hoje tem zero!". Chama-se Belmar.

Achei muita graça ao email e ao sentido de oportunidade da Maria, recebi a simpática oferta, e tenho a dizer que a Belmar tem conservas de babar! Imaginem filetes de atum em azeite e tomilho ou em azeite picante, sardinhas sem pele e sem espinha em azeite e limão.... hummmm... Adorei. Parabéns. Espero que tenha muito sucesso. Gosto de empresas portuguesas que recuperam velhas tradições nacionais. Assim não custa comer atum de empreitada, para compensar extravagâncias. 😂

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Mais sobre a Belmar AQUI

Consultório #12

E o tema de hoje é... alergias. Estamos na Primavera (apesar de não parecer) e com ela vêm as típicas (e chatas) alergias.

A conversa com o nosso pediatra de serviço tem comichões, nariz a pingar e espirros. Saibam como dar-lhes a volta, antes de terem de as atacar com medicamentos.

 

 

 

 

Fim-de-semana em Paris

Fomos na sexta à hora do almoço. De manhã andámos a distribuir filhos (um já estava em Londres, o outro foi passar o fim-de-semana em casa de um amigo, e os outros dois foram para casa dos avós) e depois fomos para o aeroporto. Foi um fim-de-semana bom, em que pudémos desfrutar da companhia dos amigos sem termos o stress de correr a maratona. Muito gostosa, a sensação, devo dizer. O Zé ainda tentou que nós metêssemos na cabeça que a íamos fazer mas era só muito parvo, muito irresponsável, muito arriscado até. O nosso objectivo ao irmos a Paris - uma vez que não treinámos o suficiente para fazer a maratona - era acompanhar o Zé para que ele não a fizesse sozinho. Não havia garantia que alguém fizesse a prova ao ritmo dele e para nós era ponto assente que não o íamos deixar correr 42 km sem ter ninguém ao lado quando, ainda por cima, fomos nós que insistimos tanto para ele a fazer connosco (quando ainda estávamos empenhados). Na verdade, ele iria fazer amigos ao longo de 42km e iria animar os desanimados, sem nunca precisar do ânimo de ninguém - nunca conheci ninguém assim, o homem é a festa em pessoa. Mas pronto. Esse era o nosso plano. Vimos o mapa e percebemos que a melhor maneira era sairmos ambos aos 9km, ele ir sozinho os próximos 10km, o Ricardo voltar a apanhá-lo no quilómetro 19, ir com ele até ao 29, onde eu estaria para seguir com ele até ao fim (o Ricardo apanhar-nos-ia nos últimos 2 km). Na partida, confesso que ainda senti aquela tentação "bora lá fazer isto!", o Ricardo também disse entredentes "então estamos aqui na maratona de Paris e não a fazemos?" Felizmente tivemos o discernimento para, aos 9km, dizermos ao Zé que não íamos continuar e que seguiríamos o plano combinado. Estava um calor de ananases e seria suicídio prosseguir. Fomos logo para o km 19, tomámos um café (a senhora do café na Rue de Charenton era portuguesa e deu-me um comprimido para a enxaqueca que foi milagroso - fiquei cheia de pena de não saber o nome do comprimido), e ficámos à espera dele. Quando chegou, o Ricardo seguiu, despedi-me deles e fui à procura do metro para ir ter ao km 29. Fui de metro, nem tive de mudar de linha, tive apenas de esperar 18 estações. Quando saí... ups. Estava efectivamente perto da Torre Eiffel mas... cadê a prova? Cadê os maratonistas? Andei a correr ali à volta, num desespero, tu queres ver que eles vão passar o km29 e eu aqui feita parva? Finalmente lá os descobri, do outro lado do Sena. Ainda bem que entretanto encontraram o Francisco e vinham em ritmo lento... caso contrário tinham passado e eu às voltas à procura da corrida. O Ricardo continuou connosco até ao quilómetro 30, despediu-se, nós continuámos. O Zé na palhaçada do costume, a dançar com todas as bandas, a empurrar os que estavam à morte, a animar o Francisco que também já tinha conhecido melhores dias... enfim, um circo como só ele sabe montar. Chegar à meta fresca foi uma experiência nova 😂 e bastante agradável. Sou bem capaz de me especializar em fazer isto assim. Passar o fim-de-semana fora, a acompanhar o pessoal, correr uma meia-maratona, ter momentos de rambóia, et voilà!

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À nossa espera no aerporto, em Paris

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 O saltinho da ordem antes da Breakfast run (a corrida de 5km na véspera da maratona)

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 Croissants no final da Breakfast Run

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Selfie na escadaria da Sacré Coeur

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Antes da partida 

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Os primeiros 9km

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 Do km 19 ao 29

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 Do km 29 ao 42

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Os maratonistas e os dois acompanhantes

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A todos os que completaram os 42 km, muitos parabéns. A todos os que o fizeram pela primeira vez (havia algumas meninas estreantes no grupo) parabéns a dobrar. Ao Zé, parabéns por ser uma força da natureza (e por fazer anos hoje). Ao Francisco, parabéns porque bem vi como lhe custou (estudasses!). Ao meu amor... por estar sempre comigo, incondicionalmente.

Foi um prazer acompanhar-vos.

Onde pôr a cruz no IRS?

Muitas pessoas ainda desconhecem que podem, com apenas uma cruzinha, doar 0,5% do seu IRS a uma instituição de solidariedade, sem que sejam minimamente "penalizadas" por isso (não dói, não descontam mais, é rápido). Não há qualquer perda de benefícios fiscais nem custos associados.

Para ajudar na hora da decisão, juntei aqui algumas instituições que me parecem fazer um trabalho de valor. Faltam muitas outras mas foi o apanhado geral que se pôde arranjar. Acreditem que vão ficar com vontade de fazer uma cruz em todas mas só podem escolher uma. Escolham a que fizer o trabalho com que se identifiquem mais ou então façam anani-ananão, mas não deixem de colocar uma cruz!

 

Make-a-Wish

A Make-A-Wish tem por missão a realização de desejos a crianças e jovens, entre os 3 e os 18 anos, em todo o território nacional, com doenças graves, progressivas, degenerativas ou malignas, proporcionando-lhes um momento de força, alegria e esperança. Não há nada mais bonito e contagiante que um sorriso. E está provado que a felicidade tem enormes benefícios na cura ou na melhoria de muitos dos sintomas. Sou muito fã da Make-a-Wish por todas as razões.

 

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Leigos para o Desenvolvimento

Os Leigos para o Desenvolvimento são uma ONGD, que trabalha há mais de 30 anos em prol do desenvolvimento integral e integrado em países de expressão portuguesa. Atualmente contamos com projetos em Angola, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, atuando preferencialmente na área da Formação e Educação, da Dinamização e Organização Comunitária, Empreendedorismo e Empregabilidade, Capacitação de Agentes Locais, Promoção do Voluntariado e Pastoral. O trabalho no terreno é feito através de jovens voluntários que permanecem pelo período mínimo de um ano. Beneficiam dos nossos projetos cerca de 20.000 pessoas/ano e já partiram em missão mais de 400 voluntários.

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Casa de Protecção e Amparo de Santo António 

A Casa de Proteção e Amparo de Santo António foi fundada em 1931, há 87 anos, com a missão de apoiar a causa da maternidade desprotegida. O seu fundador – Prof. Dr. D. Pedro da Cunha, obstetra e ginecologista, na altura Director da Maternidade Alfredo da Costa – apercebendo-se do flagelo das mulheres que, após darem à luz, não tinham para onde ir, criou a instituição para o “apoio à mãe solteira”, recorrendo a uma equipa de senhoras voluntárias. Em 1945 foi criada a Creche e Jardim de Infância e em 1956 a Pastelaria cujo grande intuito era fazer biscoitos para as senhoras que assistiam voluntariamente a Casa.

Hoje, a Instituição está dividida em 3 valências: Casa das Mães (Lar de crianças e jovens), residência que acolhe 17 mães e seus filhos; Casa das Crianças (Creche) que acolhe 50 crianças entre as internas e externas e Casa dos Sabores (actividade comercial na área da restauração) que se pretende motor de sustentabilidade para as restantes valências de resposta social.

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Amnistia Internacional

A Amnistia Internacional investiga e denuncia violações de direitos humanos, exige que os governos respeitem as leis, educa os jovens portugurses para os direitos humanos, defende e mobilida activistas e defensores dos direitos humanos. No fundo, luta para que todas as pessoas no mundo possam ser tratadas em pleno como pessoas. A sua missão é investigar e agir de modo a prevenir e a pôr fim a abusos de direitos humanos e exigir justiça para aqueles cujos direitos tenham sido violados.Captura de ecrã 2018-04-06, às 00.57.42.png

 

Aldeias SOS

São aldeias com Mães SOS que cuidam de crianças sem família para que possam crescer com amor. As Aldeias SOS apoiam as crianças até conseguirem a autonomia, assumindo o compromisso de lhes dar a formação e educação que necessitam para se tornarem adultos totalmente independentes. Atualmente existem três Aldeias SOS em Portugal, situadas em Bicesse (Cascais), Gulpilhares (V.N.Gaia) e na Guarda onde estão acolhidas 120 crianças e jovens. O Programa de Fortalecimento Familiar situado em Rio Maior, Guarda e Oeiras, acompanha mais de 100 famílias vulneráveis.

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Gerês, dia 4

E depois deste pequeno interregno, eis o relato do 4º e último dia das férias da Páscoa. Era sábado e fomos a Pitões das Júnias. A rapaziada toda furiosa, que íamos demorar imenso tempo para lá chegar, que era um inferno de curvas, se não podíamos ficar no bungalow do parque, que se estava tão bem, e mimimimimi. Meus amigos, por muito bem que se estivesse no Parque da Cerdeira - e estava (já lá tínhamos ficado há 20 anos e voltámos a adorar) - não fazia qualquer sentido ficarmos em casa numas mini-férias e sendo, ainda para mais, o último dia! Por isso, fizemos aquilo em que nos tornámos peritos: fingimos que não ouvimos e toca a andar.

O dia estava frio mas não chovia, o que constituiu uma novidade muito agradável. Ainda conseguimos ficar um bocadinho a ler de manhã no terracinho de casa e os mais pequenos a brincar, logo a seguir ao pequeno-almoço, e só depois seguimos viagem. 

E o silêncio que se vive aqui neste Paraíso? Um sonho.

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Em direcção a Pitões das Júnias fomos vendo neve, no alto da montanha. Os miúdos perguntaram, entusiasmados, se íamos para lá mas nós fomos sempre dizendo que não - porque realmente achávamos que não íamos mesmo para o meio da neve.Mas à medida que fomos subindo fomos percebendo que sim... começou por ser uma nevezinha, depois começou a aumentar a cada curva, e de repente estávamos fora do carro a aproveitar para atirar neve uns aos outros - é irresistível, o pessoal vê neve e sente que tem de começar uma pequena guerra.

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Chegados a Pitões das Júnias, estava tudo cheio de neve.