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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

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Ontem calhou ver na televisão o Hugo Sequeira, aquele actor que teve um surto psicótico e que se atirou de uma janela. Impressionou-me vê-lo e ouvi-lo. Esteve internado um tempo e está ainda em tratamento. Penso sempre na fronteira, ténue, entre a sanidade e o desvario. Lembro-me das pessoas que já conheci com depressões e esgotamentos e penso que, por mais fortes que nos julguemos, nunca saberemos como reagiríamos numa determinada situação. E pior ainda: às vezes nem sequer é preciso um acontecimento muito especial para desencadear um drama desses. Às vezes basta uma gota de água para fazer transbordar o copo.
Uma pessoa de quem gosto muito teve há pouco tempo uma depressão. Logo ela, que é tão alegre, que parece estar sempre bem. E dei por mim a perguntar-lhe: mas... porquê? A vida não te corre bem? Ela sorriu. Corria-lhe bem a vida, tudo parecia perfeito. E, no entanto... a coisa deu-se. Uma súbita vontade de ficar em casa, de não falar com ninguém, de chorar, de não comer.
Eu tenho esta mania de que sou inabalável, que nada me atinge assim tanto, que chuto para canto e fica tudo bem, que faço como os pinguins do Madagascar («é só sorrir e acenar, rapazes! Sorrir e acenar!»), mas às vezes penso se conseguirei passar toda a vida a varrer porcarias para debaixo do tapete, ou se haverá um dia em que uma rabanada de vento vai deixar todo o lixo bem à vista.

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