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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

70

A festa propriamente dita é no sábado. Mas ontem, que era o dia dos 70 anos, fomos jantar fora. Eram para ter ido também os meus sogros e a minha boadrasta, mas a sogra continua de estaleiro por causa do pé partido (nem perguntem) e a boadrasta está em Aveiro, perto da mãe, da filha e do neto. Então fomos só nós, a aniversariante, e o meu pai. Como todos adoramos fado... escolhemos a Adega Machado, um clássico. Confesso que ficámos surpreendidos com a diferença do espaço. Foi assim uma espécie de total makeover! A Adega Machado passou por maus momentos, esteve fechada uns anos, até ser comprada por um grupo que lhe deu uma grande volta. Está moderna, elegante, muito bonita. No início custou um bocadinho encaixar a mudança (uma pessoa acostuma-se aos azulejos, aos arcos em pedra a dividir salas, às madeiras) mas não há dúvida de que está muito luminosa e com classe, e que manteve alguns apontamentos do antigamente, que não podia perder. Não tenho a certeza de que a mudança tenha cativado o meu pai, pessoa que aprecia uma certa tradição intocável, mas adiante. :)

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Estavam sobretudo - como muitas vezes acontece nas casas de fado - turistas. E sinto sempre pena. Porque o fado é a nossa bandeira, no mundo, mas por vezes não é devidamente apreciado cá dentro. Como se fosse tão parte do nosso ADN que não lhe dessemos o devido valor. É verdade que não é propriamente barata uma noite de fados. Mas... que diabo, os restaurantes da cidade estão sempre cheios (tenho passado por verdadeiras paranóias para marcar mesa a um dia de semana e torna-se impossível se for fim-de-semana) e não é só de turistas. E jantar numa casa de fados é jantar com direito a espectáculo! E o de ontem... foi soberbo.

Sou suspeita. Adoro o Marco Rodrigues. Também ouvimos o Pedro Moutinho e a Isabel Noronha, de quem também gosto muito, mas o Marco Rodrigues... tem aquele vozeirão que me faz parar tudo só para o ficar a ouvir e que consegue, em alguns momentos, atingir aquele ponto em que me comovo. Eu sei, eu sei... é fácil pôr-me de lágrimas nos olhos. Mas o fado, cantado sobretudo por vozes masculinas, tem um efeito paralisante em mim, ou não tivesse crescido a ouvir os discos do enorme Carlos do Carmo, vezes e vezes sem conta. Fico imóvel, fecho os olhos, arrepio-me e, às vezes, tremo o beiço. Foi o caso de ontem.

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O jantar estava excelente (o arroz de tomate que vinha na minha entrada era sublime) e, no final, como levámos bolo a minha querida mãe teve direito a ouvir cantar os parabéns pelos três fadistas, que vieram à mesa desejar felicidades. Tão bom, mas tão bom! Não é todos os dias que se faz 70 anos.

Em boa hora deixámos pequeno Mateus em casa. Tinha sido um pandemónio, o gajo aos gritos e tudo a pedir silêncio, que se estava a cantar o fado! Os outros portaram-se maravilhosamente e adoraram a noite de fados. Nada de estranho. Afinal, o fado corre nas veias de todos nesta família. Parabéns, mãe!

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 Bolo da Rosa Choc: eu disse que ia virar cliente!

 

A Adega Machado fica no Bairro Alto, na Rua do Norte, 91.

 

 

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