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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Dia da Mãe

Gosto de fazer muitas coisas na vida. Não conseguiria (mas nada contra) ser apenas mãe. Não ter um trabalho, ou vários, não ter outras formas de realização, ser apenas através deles que me preenchesse. Mas, quando penso em tudo o que já fiz, e em tudo o que foi a minha vida até agora, tenho a certeza absoluta que eles foram o melhor que fiz. É principalmente ao olhá-los que penso que, se tivesse de quinar agora, já tinha valido a pena. Mas, já agora, se puder ser, quero cá ficar até ser muuuuuito velhinha e eles também já idosos também. 

Não me esqueço de todas as mulheres que querem muito ser mães mas ainda não conseguiram. Espero que chegue depressa a vossa vez. 

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 Fotos: After Click

 

 

Vamos falar sobre isto de envelhecer?

Envelhecer parece sempre uma coisa má. É assim que nos apresentam a coisa. O mundo só tem lugar para os novos, para os dinâmicos, para os que estão cheios de vontade de comer o mundo. No outro dia soube que uma amiga de uma amiga foi rejeitada para um emprego de responsabilidade para o qual era absolutamente talhada porque a directora achou que ela era velha. Sucede que eu conheço a directora (que caminha a passos largos para a "velhice") e a amiga da minha amiga, que se candidatava ao lugar, tem 40 e picos. Aquilo chocou-me mas, na verdade, nem sei porquê. Afinal, todos sabemos que se alguém calha a ficar sem emprego aos 40 anos, o mais certo é estar completamente entalado (e aos 50 o melhor é preparar-se para uma verdadeira travessia no deserto). Mas talvez por saber o tanto que ela vale, e a experiência que ela tem senti-o como uma afronta.

Mas não é só a nível profissional que envelhecer é tramado. E nem sequer me refiro ao envelhecer mais tardio, que traz outro tipo de dissabores de carácter físico e mental. Falo mesmo disto dos 40 e picos, 50 anos, em que as pessoas têm ainda tanto para dar mas parecem já condenadas a um certo olhar de comiseração. Para uma mulher, então, é terrível. Aqui no blogue acontece por vezes alguém dizer que "estou velha" como se "estar velha" fosse um insulto. "És uma velha". Ok... E???? As pessoas parecem esquecer-se de que a idade é como as manhãs - quando nasce é para todos. E o mesmo epíteto com que brindam os outros será aquele que receberão em breve. Sim, em breve, porque isto é tudo muito breve mesmo. Ainda ontem estava na faculdade, e agora tenho um filho quase a entrar para a faculdade. Como assim??

Uma mulher envelhece e passa a estar sob um escrutínio medonho. Porque está acabada, porque emagreceu e agora está pendurada no pescoço, porque engordou e parece uma vaca velha, porque está tão bem que é óbvio que está mexida, porque disse não sei o quê e por isso já deve estar "gagá", porque usou um vestido que "claramente não é para a sua idade", porque apareceu transpirada e deve estar na menopausa. 

Até o termo "menopausa" foi criado, cá para mim, por uma pessoa com muitos preconceitos com a idade. Senão vejamos no dicionário o significado de Pausa: "breve interrupção; descanso; intervalo". Really? Não se trata de uma breve interrupção, de um descanso, de um intervalo, minha gente! Trata-se efectivamente do fim de um tempo, comprovado, de resto, também pelo nosso amigo dicionário: "cessação definitiva da menstruação, quando deixa de haver secreção hormonal e ovulação". Lá está. Fim, não pausa.

Os próprios cremes de beleza enaltecem as suas propriedades "anti-idade", como se a idade fosse de facto algo de profundamente nefasto que urgisse combater a todo o custo.

No outro dia, em conversa com uma amiga, ela contava-me que a maior parte dos homens à cata de mulheres em plataformas de encontros nunca buscam mulheres mais velhas. E até os cinquentões e sexagenários admitem, no formulário que preenchem para se inscreverem nas ditas plataformas, que talvez gostassem de vir a ter filhos com as novas companheiras. Algo que, claramente, as mulheres com a mesma idade não poderão fazer. Há, nisto das idades, uma diferença substancial que reside justamente na questão da fertilidade. Os homens podem ser pais até ao fim das suas vidas. As mulheres não. E mesmo que as mulheres não o queiram, não tenham mais vontade de continuar a procriar, esta sensação de "prazo de validade" é absolutamente pungente. E faz mossa. Custa a engolir. 

Tenho muita pena que vivamos numa cultura que agride quem envelhece, que não sabe apreciar a beleza de cada idade. Até porque não é algo que possamos controlar e, mais do que isso, é algo tão inevitável como a sede. A menos que tenhamos azar, e morramos prematuramente de acidente ou doença, vamos todos envelhecer. E isso não é mau, pessoas. É bom. É sinal de que já vivemos um bocado, é sinal de que temos outra maturidade, outra confiança, outro conhecimento de nós mesmos e dos outros. Não temos de nos sentir fora de circuito, ainda que todos os sinais nos indiquem que sim. Não temos de ter vergonha da nossa idade, ainda que toda a sociedade nos torça o nariz. Não, a vida não começa aos 40, assim como não começa aos 50. Mas também não tem de acabar.

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Gosto/ Não Gosto*

Gosto do barulho da minha casa. Gosto de ter as luzes todas acesas. Não gosto de casas escuras, ou iluminação "de velório". Gosto de silêncio, mas não sempre, apenas em momentos. Gosto de ler. Não gosto de brincar com bonecas ou carrinhos. Gosto de jogos. De tabuleiro, de mesa, de mímica. Gosto de andar de carro. E de conduzir. Não gosto de trânsito, excepto quando ando de mota - aí gosto. Gosto muito de andar de mota, mas não à pendura. Não gosto quando eles vomitam no carro. Na verdade, não gosto quando eles vomitam onde quer que seja (vomito também). Gosto de jantares lá em casa. Não gosto de muitos fins-de-semana sem programa marcado. Gosto de ver séries. Gosto muito de escrever. Gosto de comer e de beber vinho tinto. Não gosto de dietas (apesar de ser o meu estado permanente, ou deverei dizer intermitente?). Não gosto muito de correr (apesar de, por vezes, correr muito). Gosto muito do meu grupo das corridas. Gostava de ter um corpo incrível. Mas não gosto de tudo o que é preciso fazer para o ter. Gosto de comprar roupa (quando estou mais magra). Não gosto de comprar roupa (quando estou mais gorda). Gosto muito dos meus amigos. Não gosto quando sinto que se não for eu a ligar, não me ligam de volta. Gosto da reciprocidade das relações. Gosto muito de estar lá, nos bons e maus momentos, e fico danada se me esqueço de estar. Não gosto de magoar alguém. Gosto muito dos meus filhos. Gosto da responsabilidade do Manel, que toma conta dos irmãos todos. Gosto da loucura do Martim, que nos faz rir todos os dias. Gosto do desenrascanço da Mada, que é uma sobrevivente. Gosto do bebé da casa, que está a deixar de o ser a passos demasiado rápidos. Gosto do verão. Do sol. De sair de noite da praia. Das jantaradas com amigos, com a pele salgada ou já com o creme perfumado, depois do banho tomado. Não gosto de chuva. Não gosto de frio. Mas gosto de lareiras. E de pés quentinhos, quando lá fora há temporal. Gosto de viajar. É talvez o que mais gosto na vida. Gostava de viajar mais. Não gosto quando as viagens terminam. Gosto de aeroportos. Gosto de aviões, apesar do medo que ainda tenho. Gosto do meu marido. Gosto de estar casada há tantos anos e de ainda sentir borboletas na barriga quando ele põe a chave à porta. Gosto da vida que tenho. Gosto de fazer planos, apesar de saber que a vida está sempre a trocar-nos as voltas. Não gosto de despedidas. Não gosto de morte. Odeio o cancro. Gosto de fazer os outros felizes. Gosto de surpresas. Gosto mesmo muito de viver.

 

*Para quem não sabe, foi no DNA que nasceu a rubrica "Gosto/Não Gosto". Não foi nas entrevistas do Daniel Oliveira (de que gosto muito, não está isso em questão, e acho lindamente que tenha recuperado a ideia, que é tão boa). 

Concerto! Quem se junta?

Realiza-se no próximo dia 17 de Maio, no Altice Arena, pelas 21.30, o concerto solidário da série 1986, em que todas as receitas revertem a favor da Associação Novo Futuro.

Neste concerto vão estar presentes artistas como Samuel Úria, Ana Bacalhau, Lena D’Água ou Miguel Araújo, intérpretes da banda sonora original, criada pelo cantor e compositor português, João Só. No alinhamento, poderemos contar com alguns clássicos dos anos 80 e ainda algumas surpresas. 

Lançada este ano pela RTP, a 1986 resultou do argumento criado por Nuno Markl, que dirigiu este projeto.

A Associação Novo Futuro é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) que se encontra no ativo há 21 anos, ajudando atualmente cerca de 73 crianças e jovens em quatro lares distribuídos pelo país.

Os bilhetes para este concerto estão à venda na Blueticket e nos locais habituais.

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As leituras cá de casa (livros de Abril)

Foi ontem. Foi preciso andar atrás deles o mês inteiro, sempre a perguntar se estavam a ler, se iam falhar, se não era melhor irem pegar nos livros, enfim, a animação costumeira. Mas lá se safaram.

O Manel leu "1984", de George Orwell.

O Martim leu "História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar", de Luís Sepúlveda.

A Mada leu o mesmo que apresentou na Fnac: "Os Mini Cinco - Uma Aventura nas Férias".

 

Rimo-nos com a apresentação pouco cuidada do Martim, desta vez. No mês passado foi mais cuidadoso, quando apresentou "Robinson Crusoé, de Daniel Defoe. Ontem fez tudo um bocado às três pancadas, contou a história sem emoção, considerou a história "básica", sendo que foi preciso fazer-lhe ver o extraordinário e raro que é alguém escrever um livro que toca tanto crianças como adultos. Mas ele não se convenceu. Não se emocionou com o final, prova de que fez uma leitura sem paixão, mas conseguiu citar uma parte em que um homem diz qualquer coisa como "só consegue voar quem se atreve", e tirou a ilação certa: "Só quem tem coragem e se empenha é que chega onde quer".

O Manel fez uma análise muito interessante do "1984", um livro escrito em 1949 sobre uma sociedade capitalista altamente controlada, em que todos os cidadãos são vigiados e manipulados. Gostei quando o Manel explicou que o Estado estava a criar uma nova língua, assente em poucas palavras, e reflectiu sobre o assunto dizendo: "Reduzir as palavras é, de certo modo, reduzir o pensamento, porque pensamos por palavras. Se elas forem diminutas, também se mirra assim o pensamento, o que facilita a vida de quem quer cidadãos pouco pensantes e muito obedientes."

A Mada falou do livro dos Mini Cinco com alguma dificuldade em sintetizar e ofendida por estarem a rir-se dela. Fez aquele ar de "ok, não abro mais a boca" mas depois de muitos pedidos de desculpa lá continuou, imperturbável. Acho que esta miúda vai ser uma sobrevivente. 💪

Nós, os pais, também fizemos o resumo dos livros que lemos, e o Manel ficou cheio de vontade de ler a "Breve História da Humanidade", que o pai entusiasticamente descreveu.

É o que eu digo: água mole em pedra dura, tanto bate até que fura... Acredito que o prazer da leitura ainda possa nascer, ainda que nasça de uma obrigação. E mesmo que não nasça, pelo menos alguma coisa fica!

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Careca Power

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Nasce este sábado, dia 5 de Maio, no Auditório António Cálem, no Palácio da Bolsa (Porto), a Associação Careca Power. Convidaram-me para ser madrinha e eu aceitei, claro, com todo o gosto!

 

A Associação Careca Power é uma associação sem fins lucrativos que nasceu da vontade e sonho de um grupo de doentes oncológicas, todas membros de um grupo de Facebook chamado Careca Power (que conta hoje com aproximadamente 1000 membros), de criar um movimento nacional abrangente para esclarecer, apoiar, integrar e acarinhar todos aqueles que lutam contra o cancro, bem como os seus familiares e cuidadores.


A Associação Careca Power pretende preencher as lacunas e necessidades que detecte nas vertentes legal, económica, profissional, de saúde, social e afectiva/emocional, apoiando ou levando a cabo iniciativas que contribuam para uma maior dignidade e melhor qualidade de vida dos doentes oncológicos.

A missão?
Que neste país nenhum doente oncológico se volte a sentir sozinho porque juntos somos imensamente mais fortes!

Podem ver a reportagem da RTP sobre esta nova associação, que pretende ajudar muita gente, AQUI.
Quem quiser ir ao evento, é enviar confirmação da presença para: eventos@carecapower.org

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