Uma voluntária da Plataforma de Apoio aos Refugiados juntou-se a uma bailarina e coreógrafa. O que nasceu daí? Um bailado de dança contemporânea. Chama-se NISREEN, e conta a história de uma refugiada síria, de seu nome Nisreen. "Foi a forma que encontrei de contar histórias difíceis de contar. De sensibilizar para esta causa. De transformar o drama em esperança. Usamos a dança, quando as palavras já não chegam", explica Rita Coelho, a voluntária e co-produtora deste bailado.
NISREEN está em cena dias 17 e 18 de Março, às 21.30, no auditório do Colégio Pedro Arrupe, no Parque das Nações.
As receitas revertem inteiramente para a Plataforma de Apoio aos Refugiados.
Bilhetes à venda na Fnac, Ticketline e locais habituais.
Pessoas mais queridas, espero que já tenham terminado os vossos livrinhos ou estejam mesmo à beira de os terminar.
Este sábado vamos ter o nosso primeiro encontro. Para poder escolher o local, preciso mesmo de saber quantas pessoas vão. E não só para escolher o local, também para levar bolinhos e uns miminhos para oferecer.
Digam lá, please, se conto convosco para esta primeira tertúlia.
Quando falei aqui da nova aventura em que decidi meter-me, houve palavras de incentivo (que agradeço), houve quem temesse pela minha saúde (que também agradeço) e depois houve as criaturas ruins do costume. Que eu tenho a mania, que é só show of (como se uma pessoa treinasse todos os dias só para o show of - fónix, há maneiras bem mais suaves de uma pessoa se exibir), e o comentário mais interessante de todos: "Há pessoas que realmente não sabem envelhecer nem têm noção do ridículo."
Portanto, para este ser, aqui a idosa de 43 anos está arrumada e, por essa razão, o triatlo está-lhe absolutamente vedado. Até porque, continuava ela, eu não ouvia os sinais do meu corpo e punha em risco "a integridade física". Bom. Atendendo a que fui ao médico, que fiz exames e que recebi carta branca para avançar com isto... não sei em que se baseia para dizer que ponho a minha integridade física em risco. Mais: o triatlo é muito mais saudável do que correr em exclusivo. Porquê? Porque mexe outras partes do corpo, e porque duas das modalidades praticadas não implicam impacto: natação e bicicleta. A corrida, de resto, fica menos dolorosa e há até menos exposição a lesões justamente porque se trabalham outros grupos musculares que ajudam a dar suporte na corrida.
Mas não. Para esta comentadora adorável, aos 43 anos é-se velho. E toda a gente sabe que os velhos não podem fazer desportos intensos. Um velho tem mais é que ficar sentadinho so sofá, a fazer croché, e a queixar-se das cruzes.
Madonna Buder: começou a correr aos 48 anos. Hoje tem 87 anos e continua a fazer Ironmans
Eddie Brocklesby começou a correr aos 52. Agora que tem 70 faz triatlo
Mary, 50 anos, triatleta que só começou depois dos 40
Ruth Heidrich, 81 anos, a fazer triatlos como uma doida (aos 47 teve cancro de mama com metástases nos ossos)
Estes são apenas alguns exemplos. Mas podia ficar aqui todo o dia.
Pessoas que começaram aos 40 ou mais tarde e que continuaram até lhes dar na gana.
A minha pergunta é: o que é que estes seres abjectos têm que ver com as minhas decisões? Com os meus gostos? Com os objectivos a que me proponho? Com os desafios que estabeleço PARA MIM (ponho em caixa alta porque, assim de repente, até parece que obrigo alguém a fazer o mesmo)? Em que é que isto do triatlo ou da maratona interfere com a vida (ou espécie de vida, vá) destes sujeitos que vêm para aqui dizer que eu sou isto e aquilo simplesmente porque decidi meter-me num desporto?
Querida comentadora que acha que os velhos como eu têm é de estar sossegados, com uma mantinha pelas pernas: fique você a fazer o seu tricô. A ver a sua novela e a comer biscoitos. A não mexer o cu. Ou então a mexê-lo apenas para actividades suaves, não há cá loucuras. Por mim é-me igual. É lá consigo. Eu vou fazer o que me der na bolha. Talvez aos 80 esteja a escalar o Everest ou coisa assim. Uma coisa é certa: se estiver viva, espero continuar a desafiar-me e a superar-me.
Ah, e outros queridos que dizem que eu não tenho filhos para cuidar. São tão divertidos. Eu ocupo 1 hora do meu dia a fazer desporto. Duas horas, no máximo. Quando? Quando os meus filhos estão na escola (geralmente à hora do almoço), de manhã enquanto ainda dormem ou à noite, depois de se deitarem. Na maior parte das vezes, eles perguntam "Já treinaste hoje?" E a resposta é "sim". Ou "depois de estarem na cama vou para a bicicleta". É raro roubar tempo que era para eles para me dedicar a isto. Mas algumas pessoas devem ficar a velar o sono dos filhos, enquanto dormem, e mesmo quando estão acordados estas almas não existem para lá dos filhos. Não vão ao cinema, não namoram, não saem para dançar, não fazem desporto, nada! Porque toda a gente sabe que ter filhos é o fim da existência. Vivemos só para eles. Só. Que assim é que eles são felizes. E nós, pais, também.
(nota de rodapé: no outro dia, um amigo do meu filho do meio veio cá a casa e ouvi-o dizer-lhe, inchado de orgulho, "esta bicicleta é onde a minha mãe treina! A minha mãe já fez duas maratonas e vai fazer um triatlo! E eu aposto que ainda vai fazer um half Ironman, porque ela quando mete uma coisa na cabeça..." - achei a coisa mais querida, perceber como se orgulha da mãe. E achei que, em termos pedagógicos, perceber que quando metemos uma coisa na cabeça e lutamos por ela chegamos lá... é uma excelente lição. Que pode ser dada de mil formas diferentes, não é preciso meterem-se a fazer triatlos se não têm vontade. Mas é uma forma. Como outra qualquer).
(segunda nota de rodapé: se as pessoas se metessem mais nas suas vidinhas e não tivessem sempre tanto que olhar e opiniar sobre as vidinhas dos outros, maldizendo, criticando, enxovalhando, tenho a certeza de que este mundo seria muito mais bonito do que é)
Que aperto. Que sufoco. Que brilhante, Viola Davis. E Denzel Washington, como sempre.
A perturbadora frustração de um homem a afectar toda a família. Uma bomba e os seus estilhaços. Terrível a relação entre um pai e os seus filhos. Doloroso de ver, em alguns momentos.
Por causa desta coisa de me ter metido no triatlo, tenho ido duas vezes por semana treinar à piscina. Na maior parte das vezes tenho uma pista só para mim, outras vezes está lá mais um tipo que nada bem e que, pelas tralhas que leva com ele (similares às minhas) deve estar metido em coisa semelhante.
Bom. Mas numas pistas ao lado estão as senhoras da hidroginástica. Digo senhoras porque são maioritariamente senhoras, havendo um ou outro senhor lá pelo meio. Ora, e o que sucede com estas senhoras idosas? É verdadeiramente impressionante, mas ao chegarem ali viram crianças de novo. É como estar a olhar para uma aula de miúdas, sem tirar nem pôr.
Na classe, há de tudo, tal como na escola:
- A velhota-menina bem comportada e boa aluna - é a que cumpre escrupulosamente tudo o que a professora diz, perna esquerda para cima, braço direito para baixo, saltinho, pé para um lado, pé para o outro, e que se mostra incomodada com algum do barulho feito por colegas menos compenetradas;
- A velhota-menina insubordinada - é a "maluca" do grupo, a desestabilizadora. Quando as outras já estão dentro de água, ela assume o comando e finge ser a professora: "Vamos lá, perna para cima, perna para baixo". As outras gargalham. De repente, aparece a professora, e ela encolhe-se e foge para dentro de água, com um ar travesso de quem fez merda e foi apanhada. De resto, durante todas as aulas está sempre a mandar bocas, a apalpar rabos e a fazer partidas diversas. As outras oscilam entre achar-lhe graça e terem medo dela.
- A velhota-menina tagarela - é o que há mais. Ao mesmo tempo que cumpre os exercícios propostos (mais ou menos, vá) dá corda à língua e fala-fala-fala-fala-fala-fala. Quando a professora chama a atenção faz ar de gato do Shrek para, logo de seguida, continuar a contar o baptizado do neto mais novo ao mais ínfimo detalhe.
- A velhota-menina velhaca - diz mal de tudo. A água que está fria, a professora que não esteve no seu melhor, a música que é uma porcaria, a colega que tem a mania que é a rainha e toma duche de porta fechada em vez de tomar duche ao pé das outras, a outra colega que é uma desrespeitadora e uma malcriada, o homem que a olhou de forma lasciva, o nadador-salvador que está ali nem se sabe para quê, os outros nadadores que têm a mania. Eu diria que, se lesse blogues, esta velhota-menina seria uma anónima das cabras.
- A velhota-menina tímida - é a que se põe sempre na fila de trás, que entra muda e sai calada. Sorri para as outras, ri um riso contido quando a velhota-menina insubordinada faz palhaçadas, mas não passa disto. Está ali como se estivesse de favor e agradece se passar despercebida. Sempre que a velhota "maluca" se mete com ela, muda de cor e fica num incómodo quase palpável.
- A velhota-menina queque - é a que, ao contrário das outras, leva um fato de banho de marca, uma touca de marca, uns chinelos de marca. Tem um broze invejável durante todo o ano, cabelo loiro e olho azul, tem um anel que custou mais do que a reforma das outras todas juntas, e no final arruma tudo no seu saco Louis Vuitton. Faz parte do seu charme conversar com as outras, apesar de as separar tooooda uma existência, mas aposto que chega a casa e diz que são "amorosas", as colegas da piscina.
É muito difícil treinar quando se tem tamanha riqueza sociológica ali mesmo ao lado, tenho de confessar.
Não podendo eu este fim-de-semana juntar-me convosco para a nossa primeiríssima tertúlia, fica já aqui assente que nos encontraremos no próximo sábado, dia 18 de Março.
O local ainda não está decidido, mas será algures em Lisboa. :) Se estiver bom tempo até pode ser num jardim, vamos lá ver.
Quem estava atrasado com as suas leituras pode agora apanhar o comboio e acabar o livrinho.
Quem já leu pode começar o próximo, que para o mês que vem há nova tertúlia.
Dependendo do número de pessoas que aparecer (e do número de livros que tiverem sido lidos), logo se decide: ou conversamos sobre todos (o que significava que poucos dos inscritos apareciam no nosso encontro) ou, se forem todos os 150 inscritos... então no próprio dia fazemos uma escolha dos livros a debater.
Pessoas tímidas, nada temam. Não vamos fazer recensões elaboradas, não vamos enumerar figuras de estilo (que hoje, por acaso, se chamam "recursos expressivos"), não vamos fazer críticas armadas ao intelectual aos livros (embora que, se tivermos entre nós pessoas muito inteligentes, sintam-se à vontade para o fazer, que a malta gosta de aprender). O que se pretende é um encontro descontraído, com bolinhos, para falarmos de livros e para continuarmos todos a "forçar-nos" a ler. Porque muitos gostam de livros mas depois por preguiça, por cansaço, porque a novela é mais fácil... os livros ficam para depois (sendo que o depois nunca mais chega).
Marquem então na agenda, sff: sábado, dia 18 de Março, pelas 11h. O local será anunciado em breve.