Faz hoje 19 anos que comecei a trabalhar com o
Pedro Rolo Duarte.
Sempre que este dia chega lembro-me de mim, tão pequenina, a chegar à Rua João Penha para aquela entrevista, depois a ficar para vários testes que iam excluindo outros candidatos, até acabar por ficar só eu com o único lugar disponível. Lembro-me das reuniões, de não saber quem eram as pessoas de quem falavam, e de me sentir uma fraude. Não havia internet, não havia telemóveis, e eu saía para ir ao café em frente telefonar à minha mãe ou a um amigo culto para perguntar quem era fulano, quem era sicrano, quem era beltrano. Não sabia praticamente nada (hoje continuo a saber muito pouco, a verdade é essa), mas não dava o flanco: ia aprender em segredo e voltava já mais avisada, disfarçando sempre a ignorância, aprendendo todos os dias mais e mais e mais.
Trabalhámos juntos na Rádio Comercial, fiz pesquisa para os seus programas de televisão, e depois chegou a aventura do DNA, e a minha vida nunca mais foi a mesma.
Nunca me canso de me lembrar do dia em que tivemos de seguir caminhos separados e de como eu tive a certeza que ia morrer de desgosto ou, pelo menos, que nunca mais ia gostar de ser jornalista. Enganei-me. Mas num ponto estava certa: nunca mais fui tão feliz como naqueles 9 anos de DNA, nem nunca mais aprendi tanto como naqueles anos de trabalho.
Tenho muitas saudades de trabalhar com ele.
Hoje a nossa relação faz 19 anos. Já não é uma relação profissional (infelizmente) mas continua e continuará sempre a ser uma relação de amizade, de respeito e de gratidão.
Obrigada por tudo, chefe.