Há dias fui convidada para, juntamente com outros bloggers, visitar a mega cozinha do Pingo Doce. Afinal, não é todos os dias que se pode conhecer uma cozinha com 6000 m2 e 160 funcionários. Sim, leram bem: 6000 m2! Um mundo.
Não vou mentir: quando, nesse sábado, tive de acordar cedo praguejei um bocado. Mas estava combinado e não sou pessoa de faltar aos meus compromissos. Não me arrependi. Primeiro ouvimos o entusiasmadíssimo João Neves (director de Meal Solutions Pingo Doce) descrever a comida que ali é feita. Parecia que estava a falar de um restaurante com estrelas Michelin. Senhores do Pingo Doce, atentem no que eu digo: acarinhem o João Neves que é homem que tem a camisola da empresa vestida, tatuada, carimbada na alma! Raras vezes vi tamanha paixão. Eram 11h da manhã e eu já podia almoçar um bacalhau à brás, tal era a vibração que ele punha ao descrever os pratos do Take Away.
![]()
![]()
![]()
Depois, vestimos uns casacos quentes e fomos à visita propriamente dita. E tenho de ser o mais honesta que consigo: fiquei de cara à banda. O que mais me impressionou, para além da dimensão de tudo aquilo, foi a preocupação com a higiene e segurança. Por exemplo, tudo o que ali entra, sejam cenouras, alhos franceses ou caixas de plástico são registadas num computador. Assim, em qualquer fase do processo, é possível saber exactamente qual foi o fornecedor, em que dia chegou, por que mãos passou. Mais: a cada dia, e de cada prato da ementa é retirado um pedaço para amostra, que fica congelado durante 10 dias. Se houver algum problema com um cliente, qualquer queixa, durante esses 10 dias, é possível ir buscar a amostra, rastrear tudo o que lhe aconteceu (quais os fornecedores, quem confeccionou, etc) e enviar para análise.
(achei isto impressionante, confesso).
Também existe todo um funil de segurança, que vai apertando cada vez mais, para que às mãos dos cozinheiros propriamente ditos só chegue a matéria-prima livre de perigos físicos. Numa sala retiram-se plásticos, caixas de cartão, madeiras, cordéis. Há pessoas que só têm esta tarefa. E depois existe a câmara dos legumes, a câmara do peixe (o peixe que sobra em cada dia vai para a loja, para garantir que os pratos são confeccionados rigorosamente com o peixe do dia), a câmara da carne.
De vez em quando, há uma voz que se estende a todos os cantos da enorme cozinha e que pede a todos para irem lavar as mãos. Assim garante-se uma higiene permanente. Sem esquecimentos possíveis.
João Neves descreve a gigantesca cozinha de forma curiosa: é como se fosse a CREL e a CRIL. A CREL é onde estão as matérias-primas em bruto, as despensas, o tratamento básico de todos os alimentos e caixas; a CRIL é a zona da confecção propriamente dita. E essa também é fascinante. Por exemplo, eu achava que cada supermercado Pingo Doce que tinha Take Away tinha uma mini-cozinha onde se faziam os pratos. Grande totó. Afinal, é desta imensa cozinha em Odivelas que seguem os pratos para todos os supermercados de Coimbra para baixo. Cada prato tem a receita num computador e, assim, garante-se que o arroz de pato de Coimbra é igual ao arroz de pato de Faro, simplesmente porque é tudo feito ali, com um computador a ditar ordens.
O director de Meal Solutions sublinhou e voltou a sublinhar que ali não há truques. Eles querem fazer comida caseira, com sabor de comida da mãe. Não há "pózinhos" mágicos. A sopa é feita com legumes normais, sem adição de conservantes ou outros malabarismos. E o mesmo com os outros pratos. A comida é feita, depois sai para um túnel de arrefecimento que lhe baixa a temperatura até aos 3ºC. E depois segue viagem.
Ficámos a saber que o consumo de sopa tem aumentado muitíssimo - sinal dos tempos de crise em que vivemos. De tal forma que vai ser preciso aumentar as panelas de preparação da sopa (parecem uns caldeirões). E que o consumo de sobremesas também cresceu (vão ter de fazer crescer esta cozinha, que é à parte da outra) - e isso também deve ser por causa da crise (a malta precisa de adoçar um bocadinho a vida).
No final, tivemos direito a um show cooking do chef Vítor Esteves no Atelier dos Sabores, onde se testam novos pratos. E cada participante recebeu uma jaleca personalizada com o nome do blogue e uma caixa com uma sopa, uma travessa de arroz de pato e um crumble de maçã. Para a desgraça.