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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Vencedoras do passatempo Chicco e Cocó

Ora então, as meninas que ganharam os 3 bilhetes duplos para a sessão das 15h de amanhã, da peça Zum Zum Bararibê, no Teatro Municipal Amélia Rey Colaço, em Algés, foram….

Catarina Oliveira
Filipa Trancas
Alexandra Cabeleira

Parabéns!!!
Por esta altura já devem ter recebido um email a explicar tudo.
Mas em caso de dúvida enviem pedido de socorro para sonia.morais.santos@gmail.com

Bom espectáculo!



Querido Baby M

O meu bebé é noctívago. Acorda-me a meio da noite, aos solavancos violentos, e eu imagino-o a dançar uma música que só ele consegue ouvir. Às vezes reajo bem, sorrio com aqueles ressaltos da minha barriga por saber que tenho ali um ser humano em construção, outras vezes, quando estou mesmo ferrada no sono, zango-me com ele e peço-lhe para ficar quieto, "por favor, bebé, fica quieto, deixa-me dormir". Mas, regra geral, ele não me ouve. Ou, pior, ignora os meus pedidos. E, depois de acordar, geralmente não consigo tornar a adormecer, de maneira que fico ali, quieta, à espera que pare a dança. Quando ele se aquieta, tenho vontade de o acordar: "anda, não querias festa, agora não me deixes para aqui sozinha".
A minha barriga está enorme e parece um saco de gatos. Ou um aquário demasiado pequeno para tanto cardume.
Cheguei àquela fase em que as pessoas me olham, na rua, com medo que lhes expluda na cara. Algumas até pestanejam incessantemente, como quando esfregamos um balão perto dos olhos de alguém. Não há dia em que não oiça um "está quase…" piedoso. Na verdade, eu não devia estar com vontade que estivesse quase. Porque, como já aqui disse várias vezes, sou daquelas mulheres que gosta mesmo deste estado. Para mim é realmente um estado de graça. Mas, neste momento, já começa ser muito pouco engraçado. Mexo-me com dificuldade, levanto-me para ir à casa de banho umas 10 vezes por noite, quase preciso de uma grua da Docapesca para me erguer, tenho uma azia de dragão, canso-me só de dizer uma frase comprida, desisto de muitos lugares de estacionamento estreitos porque quando abro a porta não consigo sair, e estou com a paciência (e o feitio) de um taliban a quem tenham maldito o nome do profeta.
Segunda-feira vou ao médico. A gestação vai nas 36 semanas e é sabido que não podemos deixar chegar às 40, por causa do meu útero super costurado. Ainda tenho duas festas de aniversário, de duas grandes amigas, a que não queria faltar. E o concerto dos meus rapazes, na Aula Magna. E gostava muito que houvesse 6 dias de diferença entre o aniversário do Manel (13 de Novembro) e o nascimento do baby M. E, já agora, também apreciava que isto se desencadeasse sozinho, em vez de ser aquela coisa desenxabida de marcar dia e hora, sem pingo de emoção (ainda que o desfecho seja, invariavelmente, o bisturi). Já sei, já sei: é muito pedido feito a um feto, ainda que já seja um senhor feto. Mas não custa a gente sonhar com tudo a bater certinho com os nossos planos, não é?
(mas, puto, se quiseres vir já hoje… anda!)

Querido benfeitor endinheirado que lê este blogue:

Recebi uma mensagem da Andreia Medeiros, de 24 anos, aluna de Jornalismo na Universidade dos Açores. Uma mensagem tocante. A Andreia falava-me de uma aluna com dificuldades motoras que entrou este ano lectivo para o primeiro ano da sua licenciatura. Chama-se Mariana, vem da ilha Terceira e agora reside em São Miguel. Chegou cheia de sonhos sobre o curso, sobre o futuro, sobre o seu sonho de vir a ser Jornalista. Infelizmente, não tem tido vida fácil. O quarto da residência de estudantes não era adaptado, não há transporte da residência para a universidade, não há elevador para o bar nem rampa… entre muitos outros problemas de que já todos ouvimos falar (mas insistimos em não ligar muito, afinal, não são os nossos problemas, não é verdade?).
Querido benfeitor endinheirado que lê este blogue: a Mariana precisava muito de uma cadeira de rodas a motor, que lhe daria grande independência. A atrofia muscular que tem nos membros superiores obriga a que tenha de haver sempre alguém que lhe empurre a cadeira manual.
A cadeira custa 2500 euros. Para si, benfeitor, não é nada. É claro que será muito se tiver de ajudar todas as Marianas deste mundo. Mas, se porventura ainda não ajudou aquilo que gostaria de ter ajudado, e se quer apostar em alguém, talvez esta Mariana seja uma boa opção. Não que os outros não mereçam e, na verdade, eu nem sequer a conheço. Mas o email da Andreia fez-me acreditar que se trata de uma miúda cheia de garra, cheia de vontade, cheia de tudo aquilo que, infelizmente, se vai vendo cada vez menos.
A Andreia termina a carta assim: «Eu não consigo cortar as asas à Mariana. Eu não consigo tirar-lhe o sonho. A mãe dela está na Terceira e está cada vez mais inquieta por a filha estar aqui sem a independência que já inha ganho, e pondera levá-la de volta. Não posso deixar que a pessoa mais divertida do primeiro ano se vá embora. Nunca vi tanta determinação em ser Jornalista. Juro-lhe, aquela miúda é uma força da Natureza.»

Querido benfeitor endinheirado que lê este blogue, ou empresa, ou marca vai uma ajuda para a Mariana?

E vocês, queridos leitores, podem partilhar usando os botões aí de baixo, a ver se aparece alguém?