Acordei às 7h e fui fazer aquelas análises chatas da diabetes, que já estavam em atraso. De manhã sou uma pessoa faminta e isto de ficar tantas horas sem comer é coisa que me encanita. Mas pronto, o que tem de ser tem muita força e lá fui. Primeira picada às 8.30, em jejum. Depois, glicose nojenta pela goela abaixo. A sério: porque é que mudaram a glicose para este preparado medonho? Eu gostava do outro suminho com sabor a limão… Já disto… que purga, senhores! Bom, lá engoli aquela coisa e fiquei na sala de espera durante uma hora. Às tantas, comecei a sentir-me mal, assim a ver as letras da revista a encavalitarem umas nas outras, e tudo um bocado enevoado. Respirei fundo e deixei passar. Passada uma hora, nova análise. Expliquei à analista que não me sentia lá muito bem, e depois da segunda picada, e enquanto esperava pela terceira, ela disse para me deitar numa salinha. Ali fiquei, estendida numa marquesa durante uma hora, a dormir profundamente. Fiz a terceira análise e vim-me embora. Quando ia a sair, uma miúda aí com uns 8 ou 10 anos chorava compulsivamente com medo da análise. Passei por ela e não escondi um sorriso. Aquela era eu, há uma vida. Não chorava mas desmaiava sempre. Depois fui mãe. E de novo. E outra vez. E agora mais esta. E passou-me. Que remédio.