Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Mojito e os equívocos

O Manel foi à mercearia comprar gelados e levou o cão.
- O que é que eu faço ao cão quando chegar a mercearia? - perguntou antes de sair.
- Pedes os gelados à senhora, que estão ali mesmo à porta, pagas e vens embora. Nem precisas largar o cão.
- Hum.
Saiu.
Demorou um bocado e quando chegou vinha com o cão mas sem os gelados. Eu, que estava a fazer uma entrevista ao telefone, não percebi mas vi-o sair novamente, sem cão.
Quando voltou tinha uma história maluca para contar (isto é de família, pelos vistos).
- Então?
- Então cheguei lá e a senhora da mercearia não era a Cristina, e eu não tive coragem de lhe pedir as coisas assim à porta. Prendi o Mojito e entrei para escolher os gelados. De repente, olhei lá para fora e não vi o cão. Larguei a correr e lá ia o parvo a fugir da caixa da trela, que ia de rojo atrás dele. O palerma devia achar que a caixa da coleira estava a persegui-lo. Andei um bocado atrás dele, passei pela porta do restaurante e, nisso, o homem do restaurante ao ver-me a correr, vindo da mercearia, deve ter achado que eu tinha roubado alguma coisa. E pôs-se a correr atrás de mim.

A esta altura eu já estava escangalhada a rir.
- E depois?
- Depois lá consegui apanhar a trela e senti logo a mão do homem do restaurante no meu ombro, com força. Perguntou, todo brusco: "Então? O que é que se passou?". Lá lhe expliquei: "O que se passou foi que eu estava a escolher gelados, o meu cão fugiu e eu vim a correr atrás dele!" O homem largou-me, eu vim trazer o Mojito a casa, e voltei a sair para ir - finalmente - comprar os gelados!

Bom, pelo menos ao Manel o gelado não terá feito muitos estragos calóricos, depois da corrida e da adrenalina.
Já a mim...


Erros atrás de erros

Esta notícia é só mais um.
Sim, já sei que há montes de casos terríveis, que vão fechar imensas escolas pelo país, que falo disto porque é aqui na minha esfera, que defendo o meu quintal. E defendo. Defenderei os outros, se puder. Este quintal é aqui perto e, apesar de não ter lá nenhum filho, conheço casos de andanças inacreditáveis com os miúdos para bolandas de ano para ano porque as obras desta escola estavam orçamentadas e combinadas e, afinal, não prosseguiram deixando uma freguesia carregada de crianças (uma raridade) a rebentar pelas costuras. De facto, este país não é para novos, não é para velhos, é cada vez menos para quem quer que seja.

Glup

O crescimento do Manel tem sido rápido e há vários aspectos que têm sido bastante marcantes. Assim coisas de ficar a olhar para ele e pensar "quem é este que aqui apareceu?" ou, quando ao fim-de-semana ele se deita na nossa cama, de manhã, sentir aquele corpanzil enorme ali no meio e ficar a matutar naquela frase do Jô Soares: "e pensar que ele saiu de dentro dela…" (sendo que ela sou eu).
Ora, hoje tive então mais um desses momentos. Já no ano passado notei que os calções (não de banho, mas de rua) da secção infantil ou mesmo das lojas dos miúdos estavam a deixar de lhe servir. Não na cintura mas no entre-pernas. Hoje decidi ir procurar na secção de Homem da Zara. Encontrei o número mais pequeno, um 38, e arrisquei. Comprei um par de calções encarnados, só naquela de ver se lhe serviam. E serviam mesmo! Voltei lá e comprei de outras cores. E pronto, é oficial. O meu mais velho já veste na secção de HOMEM.
Vou ali chorar e já volto.

Desafios da Gravidez e da Parentalidade

Esta página é feita por duas pessoas, uma das quais é uma psicóloga que adorei conhecer e que é a Coordenadora do gabinete de psicologia da Maternidade Alfredo da Costa, a Drª Maria de Jesus Correia. Ela é uma daquelas mulheres muito lúcidas e pragmáticas que exercem para ajudar e não para impor códigos morais (infelizmente há por aí muito psi que parece exercer apenas com esse intuito: o de pregar a sua própria moralidade aos demais).
A página que estas duas especialistas criaram chama-se Desafios da Gravidez e da Parentalidade e tem o intuito de esclarecer e securizar mulheres e homens com questões à volta das vicissitudes psicológicas da gravidez e da parentalidade. Eu já gosto!

Consulta e ecografia

Enquanto esperávamos um bocadinho pelo Dr. Fernando Cirurgião, já no gabinete dele, o Ricardo sussurrou, olhando para a balança:
- Queres que lhe tire as pilhas?
Ri-me mas confesso que ainda hesitei um bocadinho - se calhar era boa ideia. De cada vez que vou à consulta arrepio-me sempre com o aumento de peso. Ele é amoroso e diz sempre frases queridas como "não foi assim tanto", "se calhar é da roupa", "foi um bocadinho a mais, mas pronto…", e coisas assim. Mas é só porque é um doce.
A tensão está de passarinho (ainda bem, antes passarinho que passarão), o ferro está em falta (vou começar a tomar), o resultado da amniocentese deve vir para a semana (que medooooo), e depois lá veio o pedido dele, assim de mansinho:
- Vamos ali à balancinha?
Adoro o eufemismo para aquela desgraçada. Ainda pensei recusar-me mas depois lá fui. Aumentei 1 quilo desde o último mês, o que não foi nada mau, mas a verdade é que já enchouricei 6 quilos ao todo (e estou de 4 meses e meio… uiiii, promete).
A seguir fomos fazer a ecografia da praxe. Vimos o cérebro, o coração, o perímetro abdominal, o estômago, a bexiga, o tamanho do fémur, os olhos, o nariz, a boca, os pezinhos, as mãozinhas, e sim... "o instrumento" que prova que é um rapaz. Às tantas, de tanto o procurar sem encontrar, o médico exclamou:
- Ah, está aqui! Estava a ver que tinha caído!
Baby M está bom e recomenda-se (pelo menos, tanto quanto é possível ver). No final, levantou um bracinho, tapou a cara e ficou agarrado à placenta. Tão querido…

Sofrer

O Martim foi à dentista. A Drª Filipa Cordeiro é sempre um amor, nunca na vida magoou o Martim (apesar dos muitos procedimentos por que ele já passou), ele sempre se mostrou corajoso e nunca na vida fez uma fita e, por isso, foi com espanto que hoje fomos brindados com o desespero dele ao saber que teria de arrancar um dente. A verdade é que os dentes de leite do Martim não abanam, não caem. Apodrecem, partem-se mas mantêm-se agarrados a ele como mexilhões nas rochas, impedindo o nascimento os dentes novos. Pior: como se partem, a comida entra lá para dentro e fica a criar cáries que podem prejudicar até os dentes definitivos que ainda estão por nascer.
Hoje o Martim esteve num sofrimento que deu dó. A assistente só revirava os olhos. A doutora Filipa teve um duro teste à sua paciência, que passou com distinção. Sempre amorosa, sempre paciente, sempre a explicar tudo, sempre a tratá-lo por querido até quando eu já começava a perder as estribeiras. Mandei mensagem ao pai que aproveitou a hora do almoço e voou para lá, para dar apoio moral. Uma hora e meia de medo, de muito medo, mais do que de dor. Muito tempo a convencê-lo a abrir a boca, muito tempo a acalmá-lo, muito tempo em negociações: "a seguir comes um gelado", "já não vais à escola à tarde", "dou-te 10 euros"... Saiu da cadeira com a t-shirt ensopada, os olhos pequeninos de tanto chorar, o corpo mirrado da nervoseira em que esteve mergulhado. No final disse a frase que explicou toda aquela revolta incontida: "A mim tudo acontece! É a mononucleose, é a alergia que me fez inchar, é os dentes que não prestam! A mim tudo acontece! Porquê?????" Pobre Martim. Está farto. E tem razão.