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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Pagamentos suspeitos

Vamos levantar dinheiro para fazer certos pagamentos. No multibanco, estamos os dois lado a lado. Ele digita o código, toca nas teclas certas, levanta 200 euros. Passa-mos para a mão. Eu sorrio um sorriso sardónico, faço um olhar maroto, e digo, entredentes: «Portei-me bem, hein?» Ele sorri também. Depois, de novo: cartão introduzido, código digitado, 200 euros a sair. Ele torna a passar-mos para a mão, não sem antes devolver o olhar malandro. Largamos os dois a rir, a pensar sobretudo no que iria na cabeça dos funcionários da dependência do BPI (até porque... ele voltou a repetir o procedimento).

Virar frangos

Hoje sinto-me a virar frangos. Estou a escrever o terceiro texto, assim de empreitada. Cada um maior do que o anterior. Acabo um, sigo para o próximo. O braço já me dói, tenho ainda tanto para escrever, tenho o sacana do livro parado, e a partir desta semana os meus serões vão deixar de incluir televisão para ser só livro, livro, livro. O meu gajo está exultante porque já prometeu ficar acordado enquanto escrevo, a fazer o enorme sacrifício de jogar Playstation. Coitadito. Um homem sofre. E uma mulher vira frangos.

A adolescência não pode (nem há-de) matar-nos

O meu filho Manel entrou na adolescência. Diz que é a partir dos 12 mas ele antecipou-se uns meses. Mudou. Mas mudou radicalmente, assim, de um dia para o outro. São mais os momentos em que está bruto como um camião do que aqueles em que é doce, como era. Deixa-se afagar mas é coisa de pouco tempo. Protesta por tudo e por nada, trata toda a gente como se ele é que tivesse os neurónios e o resto do pessoal fosse desprovido deles. Está muitas vezes no seu mundo, se bem que eu tento trazê-lo de novo para o nosso. Tudo é uma seca, um enfado, um enjoo. Sei que me esconde coisas, porque tenho a sorte de não ser burra, e isso parte-me o coração. Porque mesmo não sendo coisas graves, o facto de não as partilhar comigo significa que começa a ter, de facto, uma vida para lá da minha. Existe, para lá de mim. E isso, sendo maravilhoso, não é isento de dor. Tenho saudades dele. Não são ainda aquelas saudades doloridas, que oiço da boca de alguns pais, aquelas saudades de quem já nem lembra bem como eram os filhos antes de terem seguido o seu rumo, não são ainda essas. Ainda temos momentos de cumplicidade, de ternura, ainda o abraço, e ainda rimos muito. Mas tenho saudades por causa deste «ainda», assim repetido tantas vezes. Tenho medo que este «ainda» seja substituído por um «nunca mais». Parece uma inevitabilidade. É difícil, tão difícil para uma mãe ver um filho escorrer-se-lhe por entre os dedos. Não é que se perca o controlo da situação, não é que haja nisto um drama, não é que o rapaz se me vá fugir para a droga ou para a má vida. É só a lei das coisas. Eu sei como é porque passei por isso, e não me esqueci. Recordo-me até bastante bem de ser insuportável e de me achar insuportável mas de não conseguir fazer nada para me contrariar. O meu maior medo é o fosso que se pode criar entre uma mãe ou um pai e um filho, na adolescência, sobretudo quando ela começa tão cedo (e leva tanto tempo a acabar). São muitos anos de conflito, de tensão, de dois lados da barricada. De um lado os pais, que os querem deixar voar mas evitando que se esbardalhem todos, não ficando osso sobre osso; do outro lado os filhos, sobranceiros, altivos, com tantas certezas. Tenho medo que no meio desta conversa de surdos, alguma coisa de essencial se perca pelo caminho. Que nos percamos uns dos outros. Que aquele cordão maravilhoso e invisível que nos unia se quebre. E que depois nunca mais seja possível colá-lo. É por isso que o abraço e que o beijo e que tenho a obrigação de não me esquecer de o fazer, mesmo que ele seja tão parvo e arrogante que só me apeteça bater-lhe. É preciso não perder de vista o amor. É preciso não perder de vista a cumplicidade. É preciso respirar fundo, fechar os olhos, e relembrar aquele primeiro olhar que ele me deu, acabado de nascer. E o primeiro sorriso. E a primeira palavra. E os primeiros passos. É preciso não esquecer todo um caminho. E continuar a caminhar, sem deixar que se quebre o cordão invisível. E esperar que, quando a adolescência passar, tenhamos encontrado um amor diferente na forma, mas igual na essência.
 
 

Uma manhã

Gosto quando ela acorda com um sorriso, o que nem sempre acontece. Gosto de cheirar o seu pescoço, que ainda tem aquele perfume de bebé, um cheiro suado que é doce, não sei explicar. Gosto quando diz «dô-dô», não me perguntem, mas é uma espécie de palavra fofinha que usa quando está bem disposta e acabada de acordar. Dô-dô. Assim dita com a boca em circunferência, muito redondinha. E depois ficamos ali, num namoro gostoso, eu a vesti-la devagarinho, ela a pedir-me para lhe «comichar» as costas e a revirar os olhos de prazer, «aaaaah, tão bom, comicha, mãe, comicha». E depois damos marradinhas com o nariz e já não se sabe bem onde começa uma e acaba a outra, estamos como que fundidas naquele amor que se renova, tal como o dia que se inicia.
Um dia só pode correr bem quando começa assim. 

Máquina do tempo

Martim: - Ó mãe, existe alguma máquina do tempo?
Eu: - Não...
Martim: - Oh, que pena... Eu acho que conseguia construir uma.
Eu: - Achas? Como é que fazias?
Martim: - Com parafusos, e assim.

(Ah! Como é que nunca ninguém se lembrou disto?)

Hoje...

... mais uma festa em que revi várias pessoas que conheço desde os meus 16. Este fim-de-semana foi um verdadeiro recuo no tempo.

Dia da Criança

O Dia da Criança não podia ter sido passado de melhor forma. Acordei às 6h da manhã porque tinha de estar às 7h na Avenida da Liberdade, para concluir uma reportagem. Primeiro rosnei um bocadinho, porque me apetecia dormir mais, mas depois acabou por ser óptimo, não só porque o trabalho correu muito bem, como pelo prazer de ver a cidade ainda deserta, e o início de um novo dia. Depois foi chegar a casa e sermos sete (e meio) cá em casa, aquela animação de que gosto tanto. Seguiu-se um brunch fantástico no restaurante U Chiado. Éramos 11. Fomos tão bem tratados que vamos de certeza voltar. Havia um workshop de pastelaria, para os miúdos, que podiam enfeitar os seus cupcakes ao seu gosto, havia uma fonte de chocolate (que foi o maior sucesso - as crianças não conseguiam tirar os olhos dela e, para dizer a verdade, os adultos também), e havia uma senhora que pintava as caras dos pequeninos - tudo para celebrar o Dia da Criança. Muito bom.
O brunch não foi uma invenção do U Chiado apenas para o dia 1 de Junho. Acontece todos os sábados e domingos, das 12h às 17h, no Largo do Picadeiro (ontem teve foi miminhos especiais para os mais pequenos).
 


Adorei estes apontamentos que pareciam folhas de jornal

Espécie de cupcake feito pelo Martim

Ovo benedict - Nhami!

Espécie de cupcake feito pelo Manel


 Que amor!

 Espetada de fruta com chocolate. Perdição.
 
?

Aiiiiiiiiiiii... Tentação do demo.

 O Martim é que teve a ideia: e se em vez da espetada de fruta ser embebida no chocolate da fonte, fosse um bolo? O resultado foi isto. Os outros seguiram-lhe o exemplo, claro!
 
?
Espécie de cupcake feito pela Madalena

Este bolo (à direita) era de comer e chorar por mais

A minha leoazinha

À conversa com o chef


O lindíssimo U CHiado por dentro
 
E por fora (onde estivemos)
 
 
Quando saímos dali, fomos dar umas voltinhas pelo Chiado. Estava um dia lindo e quente (que saudades). Havia imensas actividades no largo do Teatro São Carlos. A Madalena e o Martim quiseram dar uma voltinha no cavalo da GNR.

 
 
Pelo meio ainda comprei o presente para a minha amiga aniversariante e depois fomos para a Feira do Livro. Foi comovente ver a feira tão cheia. Estava com tanta gente que havia bocados em que era difícil caminhar. Lá estive, no Clube do Autor, a assinar livros, emocionada por cada pessoa que me apareceu com o meu livro na mão (adorei a família com 3 filhos e a nossa troca de desabafos). A minha querida editora Liliana Valpaços (Matéria-Prima) esteve a fazer-me companhia (a outra querida editora, Inês Queiroz, estava na maternidade porque acabou de ter uma Alice). A minha família esteve lá em peso. Obrigada à querida Catarina, que me foi dar um grande beijo, e à doce Sofia, que disse um «nós somos família e estamos aqui por ti» que me fez abraçá-la com tanta força que sou bem capaz de lhe ter partido uma costela. :) A Cristina Ovídio também lá esteve, amorosa como sempre. Foi muito bom.
 
Por fim, foi voar para casa porque os miúdos tinham um piquenique combinado com os amigos do condomínio e nós tínhamos a festa de uma amiga. A babysitter apareceu, demos as indicações, os filhos ficaram no jardim a comer pizza com os vizinhos e lá fomos, de táxi, para... o Kosovo.
A festa foi num armazém, no Prior Velho, num sítio que, de facto, tinha algumas semelhanças com o Kosovo. O armazém é enorme e faz lembrar um daqueles lofts americanos, escuro, cheio de telas gigantes encostadas às paredes, com panos imensos a fazer a divisão dos espaços. Sofás, cadeirões, mobílias antigas, um carrinho de choque, uma mesa de matraquilhos, outra de snooker, as mesas para o jantar. Muito freak e muito fora. Gostei mesmo. A festa foi gira, revi imensa gente que já não via há muito tempo, estive com a minha querida João, com a Nica e o J, adorei estar com a Susana e com o Tiago. Sábado bom, mesmo bom. ?

O primeiro arraial do ano

Adoro arraiais. Os enfeites coloridos, as luzes, o fumo (e o cheiro) das sardinhas, a música, a animação, os manjericos. Deve estar inscrito no meu ADN, não sei. Ontem fomos ao arraial dos Navegantes. Muita gente, bem organizado, escuteiros a limpar as mesas e a levarem o lixo... depois também nos rimos porque a banda não tocou as canções típicas de arraial, que passam sempre pelo Quim Barreiros e o seu hit «Eu quero mamar nos peitos da cabritinha», entre outros autores e temas do mesmo nível. Nah! O arraial da Expo teve Oásis, Pink Floyd, U2. Fino, pá. Não há cá pimbalhices, então o que é isso?
As sardinhas estavam uma beleza, a Madalena lambuzou-se com algodão doce, os rapazes encontraram toda a sorte de amigos. E assim se inaugurou oficialmente a época dos santos. A partir de agora... é sempre a abrir!


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