Os pais também fazem birras. E ontem à noite eu estava com uma birra impossível. E nem sequer tinha a TPM para culpar, que não estava na época dela. Achava tudo uma trampa, o jantar, a casa, o marido, os filhos. Eu própria. A puta da vida, que habitualmente acho linda. Fiz o que se faz aos putos, quando estão com birra: meti-me na cama. Não me dei uma palmada no rabo mas não me teria feito mal nenhum. Deitei-me às 21.30. E adormeci imediatamente. Não os deitei, não vigiei a lavagem dos dentes e outras minudências de mãe. Felizmente tenho cá o pai (se não tivesse quem se lixava eram os miúdos, que iam ter de levar comigo com birra), que tratou de tudo. Adormeci até hoje, às 8h, hora a que tive de ir acordar e arranjar dois dos três filhos. Dormi muito, estava mesmo a precisar. Vou acumulando cansaço, faço duas mil coisas por dia, e acho que aguento tudo. Deito-me sempre depois da uma da manhã, acordo uns dias antes das sete, outros às oito. Faço, faço, faço. É o verbo da minha vida: fazer, fazer, fazer. Ontem foi o meu dia de birra, o dia em que o meu corpo gritou «basta!» Hoje já tudo tem outra graça. Hoje já posso dizer, como o MEC no seu novo livro que tenho absolutamente de comprar: «Como é linda a puta da vida»!
Definitivamente, não nasci para dona Dolores. Não são raras as vezes em que há torneios ao sábado às 8.30 da matina e eu digo aos miúdos: temos muita pena mas sábado é para dormir até mais tarde. Hoje, porém, a coisa era às 14.30 e não tive coragem de dizer que preferia mil vezes estar num café ou a passear do que sentada a ver putos a chutar numa bola. Lá fomos, para a Portela. Acontece, porém, que quando aquilo começou percebemos que, entre jogar uma equipa e jogar outra e jogarem todas, o belo do torneio iria demorar 3 horas. TRÊS HORAS???? E o meu feriado??????? Socorrooooooooooo! Principiei a panicar, em seguida a convulsionar. A Madalena, ao fim de um bocado, estava fartinha e a fazer toda a sorte de asneiras. Foi então que dissémos ao Manel: temos muita pena mas vamos andando. Daqui a bocado voltamos. O pai de um amigo até nos disse para irmos descansadinhos, que ele levava o Manel a casa. Um querido. Conclusão: daí a nada estávamos postos em sossego no Pão de Canela, o nosso spot preferido. Madazinha a brincar no Canelinha, Martim com ela... nós em silêncio. Aaaaaaaaaah... Chegámos às 18h ao campo e a sequência de jogos tinha acabado de terminar. A equipa do meu rapaz (que também não nasceu para Ronaldo) ficou em segundo lugar. Ele jogou imenso e estava nas sete quintas. E assim se contentou uma família inteira. A sério: já basta a loucura em que ando toda a semana, a ir levar, a ir buscar, à escola, ao futebol, à guitarra, e ao catorze. Aos fins-de-semana e feriados ao menos que possa sossegar o esqueleto. E vocês? Também têm destes números? E cumprem tudo, escrupulosamente? São mães exemplares? Vá, humilhem-me com a vossa perfeição! :)