Um realismo de arrepiar. As imagens dos corpos debaixo de água, em total descontrolo, são impressionantes. O Paraíso transformado em Inferno. Brutal, só vos digo. E o pior é que não é ficção. Aconteceu realmente. Morreram mais de 200 mil pessoas no sismo e tsunami de 2004. Este filme dá uma ideia bem real do que há-de ter sido aquilo.
No sábado, o Martim teve uma festa de manhã. À tarde, tivemos todos uma festa familiar que durou toda a tarde e até à noite. Uma prima que vi nascer chegou aos 18. E é nestes momentos que uma pessoa sente mesmo que não vai para nova.
Hoje, mais duas festas, uma delas para comemorar o aniversário do Tim, com dezenas de crianças gritadoiras. Precisava de um fim-de-semana para descansar do fim-de-semana.
Que bom que foi receber este presente de aniversário atrasado. «Hermanas», de Eva Armisén. Eu e a minha irmã, tão bom. Em breve numa parede cá de casa.
E hoje já andei aqui num virote. A minha mãe a dizer que não conseguia andar a direito, depois a vomitar como uma pescada, eu a chamar a ambulância, os senhores a virem, os parâmetros certos, eles a dizerem que, ainda assim, era melhor ela ir com eles ao hospital, ela a dizer que já estava melhor e que, se calhar, não havia necessidade, eles a insistirem que talvez não fosse mal pensado ela apanhar uma boleia da ambulância, ela a andar no corredor toda direitinha para lhes provar que estava bem e que não queria ir roubar lugar e tempo a quem estivesse pior que ela, que provavelmente tinha sido só uma indisposição e que já estava a passar, adeuzinho e muito obrigada. Agora está deitada, com frio mas com tino na cabeça e a ganhar cor de gente. E eu fui a casa buscar as tralhas e aqui estou, não vá o diabo tecê-las e dar-lhe a comoeca outra vez. Mas que grande caca, hein?
Quando estou longe de casa é que me dou conta de como eles, lá em casa, são «tantos». Eu sei que há famílias incrivelmente mais numerosas que a minha mas quando estou longe e ligo para casa sinto que há sempre mais um com quem falar, e parece que nunca mais acabam. Falo com o homem com uma entoação, com o filho mais velho com outra, com o do meio com uma diferente e com a mais pequenina ainda de mais uma maneira. Pergunto pelo trabalho do primeiro, pela escola do segundo, terceiro e quarto, e vou adaptando o discurso, do mais adulto ao mais bebé. Agora vou dormir com uma certeza: não vai aparecer ninguém a pedir para ficar na minha cama, nem ninguém me vai acordar a dizer que tem xixi ou que não consegue dormir ou que quer água ou que teve um pesadelo. E que amanhã não vou ter de vestir ninguém nem dar pequenos-almoços, nem preparar lanchinhos, nem levar à escola. E isso, meus caros, é um sossego do caraças. (obrigada por estares aí, super-pai!)
(ah, jantei na marisqueira Sardinha e estou aqui roída pela culpa de ter comido um prego no prato, cheio de batatas fritas e ovo estrelado... mas estava muito bom. Obrigada pelas sugestões.)
Assim sendo, nem ski nem sku. Aqui não há neve. Nada de neve. Nadinha. Só uns míseros flocos nas bermas. Uma coisinha tão pequena que quase não dá para acreditar nas notícias da manhã, que traçavam um cenário dantesco, com estradas cortadas, carros bloqueados, escolas fechadas, e limpa-neves assoberbados. O meu colega, cauteloso, até trouxe correntes de neve, porque tudo indicava que vínhamos para uma espécie de Alpes tugas. Afinal, a montanha pariu um rato. Acredito que tenha havido neve mas derreteu que foi uma beleza. E, ainda assim, está um frio de rachar. Estou no hotel, de casaco de penas vestido, botas de pelo calçadas, cobertor nas pernas e ar condicionado a bombar nos 28ºC. Não consigo aquecer nem por nada. Os dedos teclam com dificuldade, geladinhos. Quer-me parecer que vou ter de chatear os senhores do hotel para me trazerem mais cobertores, que sou pessoa mesmo friorenta. E eles não vão ficar contentes, porque para cá chegarem vão ter de sair para a rua (os quartos são uma espécie de casinhas que ficam em frente à recepção). E onde é que se janta bem na Guarda? Assim um sítio que tivesse uma lareira é que vinha mesmo a calhar. Se alguém souber que se acuse. Não como desde as 2h da tarde e já começo a ver bifes a dançarem-me em frente aos olhos.
Primeiro trabalho feito. E agora sim, Guarda here we go! Parece que a neve já derreteu e já se consegue andar nas estradas. Isso são boas noticias. Mas já agora podia sobrar um flocozinho só para os pategos de Lisboa admirarem... A ver vamos se temos sorte.