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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Rico padre


Vítor Melícias tem uma pensão mensal de 7450 euros. O valor desta aposentação resulta, segundo disse ao CM, da "remuneração acima da média" auferida em vários cargos. Com 71 anos, Melícias declarou, em 2007, ao Tribunal Constitucional um rendimento total de 111 491 euros, dos quais 104 301 euros de pensões e 7190 euros de trabalho dependente. "Eu tenho uma pensão aceitável, mas ...não sou rico", diz o sacerdote.
Eu não tenho qualquer tipo de rancor contra quem ganha bem. Acho que ser bem remunerado, quando se trabalha muito e bem, é merecido. Mas não compreendo como é que um padre ganha tanto num país onde a média salarial está abaixo dos 900 euros. E, sobretudo, um padre franciscano que, segundo julgava saber, é pessoa que tem de viver o mais pobremente possível (segundo as leis da Ordem Franciscana). E são-lhe conhecidos os carros de alta cilindrada e prazeres requintados. De votos de pobreza, parece que nada. Mas pronto. Isto de estar aqui na Kidzania desde as 10.30 da manhã deve estar a fazer-me ver mal as coisas. Não liguem.

Ainda não foi desta

Estava quase. O Manel não se estava a sentir bem (tem um problema com o calor e com muita gente, dá-lhe para começar a ver tudo azul e cai para o lado) e eu pensei: filhinha, aqui tens a tua deixa. Mas o Martim pediu muito para continuar. Pediu tanto que o Manel, que esteve cá há pouco tempo, lá se condoeu do irmão, que não vinha à Kidzania havia muito. Então, deste impasse nasceu um acordo: lanchavam e prosseguiam. Quem ficou a perder? Eu, claro. Estou, pois, de volta à sala de pais. Não sem antes ter dado uma volta pelo recinto e constatado que os pais sofrem - quase todos - uma mutação curiosa. Entram todos a sorrir, felizes por proporcionarem aos seus rebentos horas de diversão, e encantados eles próprios pelo espaço (provavelmente fazendo renascer a criança que vive neles). Depois, à medida que o tempo passa, os seus rostos vão-se transmutando. As olheiras sobressaem, o cansaço e o aborrecimento é evidente. Envelhecem. Estão todos mais velhos. Menos os que se refugiaram na sala de pais. Esses estão frescos que nem alfaces. É só olhar para mim. :)

...

Eles acabaram de fazer os seus próprios hambúrgueres, eu fiquei 45 minutos à espera, almoçámos e agora descobri o paraíso: a sala de pais. Há silêncio, oito computadores com ligação à internet, um café, três televisões e uma sala de cinema. Ah, aqui vai ser melhor... apesar de continuar a ser de noite.

É de noite, aqui neste país

Vinha com a ideia bonita de entrar com eles na Kidzania, ficar um bocadinho e depois ir à minha vida, olhar para as montras e finalmente abancar num café a escrever um texto que quero entregar hoje. Da ultima vez, o Manel e o amigo ficaram sozinhos, de maneira que estava satisfeitíssima com os meus planos e com o meu lindo Vaio na mochila. Só que, à entrada, o senhor funcionário explicou que não, o Martim não podia ficar sozinho com o irmão. Só a partir dos 8. E então as minhas orelhas baixaram e a minha cauda parou de abanar. Entrei, cabisbaixa e deitando um derradeiro olhar para as lojas. Agora estou aqui sentada no Café Central, a escrever, enquanto eles andam que nem doidos a ser bombeiros, dentistas, carteiros, jornalistas. Eles brincam ao trabalho, eu trabalho. Acho a Kidzania fantástica. Um conceito perfeito, mesmo. Só tenho pena que seja sempre de noite. Está um dia tão bonito lá fora... E o pior é que quando sair daqui vai ser de noite lá fora. Ou seja, hoje vou ficar com défice de luz solar. E não se prevê que isso traga benefícios a ninguém. Buuuuu! Be afraid, Ricardo. Be very afraid.

Kidzania

Amanhã é o dia.
Aaaaaaaah, ainda bem que as férias de Natal estão quase a acabaaaaaaar! Conciliar os miúdos 24 horas por dia (e respectivos desejos de actividades para as férias) mais todos os trabalhos que tenho para fazer (uma entrevista a uma pessoa diferente todos os dias para a rádio, uma rubrica todas as segundas-feiras no Jornal de Notícias, reportagens para a Notícias Magazine, uma rubrica mensal na Pais & Filhos e uma rubrica mensal nas Selecções do Reader's Digest) está a envelhecer-me a olhos vistos.

Mauuuuu!

Hoje fui entrevistar uma senhora, responsável por uma instituição de deficientes. E a páginas tantas ela, para me explicar que todos podem frequentar a instituição, deficientes ou ditos normais, diz-me assim:
- Por exemplo, estou a olhar para si e vejo que está sentada com as costas arredondadas, também podia perder um bocadinho de peso...
Fónix! Pelos vistos não engordei um pedacinho. Devo estar pronta para entrar no Peso Pesado! Canário, pá! Ontem foi a minha prima, hoje é uma entrevistada... a coisa está mesmo grave e o melhor é não entrevistar uma nutricionista nos próximos tempos, senão quando der por isso tenho uma banda gástrica no bucho! O que vale é que faltam 3 dias para voltar a fechar a matraca. Isto está muito pior do que eu pensava!

Como afugentar um gajo em 2 minutos

Ontem tinha um encontro com uma pessoa, para a entrevistar. Ela chegou meia hora atrasada, de maneira que fiquei na esplanada, sozinha, a fazer das coisas que mais gosto: observar. E, na mesa mesmo ao lado estava um casalinho mesmo bom para mirar e escutar. Claramente em fase de pré-acasalamento, ele, muito mais giro que ela, estava seguro de si. Fazia-se engraçado e sorria com ar maroto, falando dos seus negócios. Ela estava uma pilha. Tremia e torcia um papel entre as mãos e não dava uma para a caixa. Na verdade, ela podia ser a mulher mais interessante do mundo, mas daquela conversa não sobressaiu nada disso. Se ela queria agradar... não me parece que tenha conseguido. Insegura, nervosa, dizia coisas parvas e o sorriso era claramente o de quem está na presença de um deus grego e quer desesperadamente levá-lo para casa. Às tantas, ela introduz o tema dos seus defeitos. Erro crasso. Quem é que no seu juízo perfeito quer seduzir alguém trazendo à baila o seu lado lunar? Ele pareceu curioso:
- Quais são, então, os teus defeitos? É que eu, sinceramente, ainda não vi nenhum (bah! Batida, mas enfim)
Responde a alminha:
- Sou bruta. Sou bruta como as casas. Sou uma besta.
Oi? Nem queria acreditar. Ele também não. Ficou em silêncio, com a expressão subitamente tensa, enquanto ela continuou:
- Enervo-me com muita facilidade. E aí... aí parto a loiça toda.

Ora cá está. Devia ser mesmo isto que o giraço estava a precisar para te convidar para um jantar à luz das velas, seguido de uma noite escaldante. É que todos sabemos que qualquer homem adora uma neurótica, capaz de sacar da faca da cozinha à primeira discussão... A sério, qualquer dia sou eu quem se mete a fazer workshops...