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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

E lá foram eles outra vez

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Até chegarem ao destino o meu coração vai bater mais devagar, vai estar quase parado, e os pulmões também, quase sem conseguirem cumprir as suas funções mínimas. Estou assim, desde que vi o carro da minha mãe partir, com os meus três tesouros atrás. Quatro amores da minha vida, naquela coisa que anda pela estrada fora, lado a lado com malucos vários, e agora vou mudar de assunto que já me estou a enervar.
O Martim chorou muito, que não queria ir, quatro lágrimas de cada vez a deslizarem pelas bochechas. Expliquei que não tenho com quem os deixar, que se vão divertir à brava na piscina, com a avó, que amanhã já tenho duas entrevistas lá perto e que vou almoçar com eles, e que sábado já estamos todos juntos outra vez. De nada serviu. O meu cavalo bravo, sacudido e aparentemente desprendido, é afinal de contas o mais emotivo, o que mais sofre com as separações, o que sente tudo com mais intensidade. Um curioso paradoxo, que só lhe dá mais encanto.
Claro que a choradeira não facilitou a despedida. E agora estou aqui a olhar para o texto que tenho de acabar sem conseguir acrescentar mais palavras. Fica para quando receber um telefonema a dizer que estão todos bem, do outro lado do rio.

Querida Bimby, parte II

Desculpa. Afinal, tinhas razão. As queridas e informadas e espertas e tudo e tudo leitoras deste blogue deixaram a hipótese: talvez a Bimby não estivesse bem assente. Fui ver. E, de facto, quando a passei da mesa da cozinha para a bancada, o fio ficou por baixo. E a pobrezinha estava toda torta. Por isso, querida Bimby, desculpa os nomes que te chamei. A tua mãe não é nada daquilo que eu disse, é de certeza uma Bimby séria e de boas famílias alemãs. E tu também não és tudo o que referi, nem a tua balança, sempre tão afinada e certeira. Peço perdão, eu é que sou uma besta. Que quer fazer tudo à pressa, e depois sai asneira. Continuas a ser a minha menina. Eu devia ter imaginado que a culpa só podia ser minha. Querida Bimby.

Querida Bimby

Hoje foi a primeira vez que me desiludiste. Mentira. Foi a segunda. A primeira foi quando transformaste aquele molho béchamel numa bosta incomestível, e eu que sempre te enalteci por tudo mas principalmente pelo béchamel. Mas pronto, dessa vez culpei-me, seguramente tinha sido eu a falhar uma medida qualquer, tinha sido eu a enganar-me, jamais a Bimby, era o que faltava.
Hoje, porém, fizeste-a jeitosa. Tudo começou quando me pus a deitar o óleo para o bolo de iogurte. E deitei, deitei, deitei e de repente eras só óleo e a balança só marcava 50 gr (e eu já devia ter deitado quase a garrafa toda). Depois, seguiu-se o açúcar. Deitei, deitei, deitei e tu, feita parva, a garantir-me que só ia em 75 gramas. Quando acabou o pacote percebi. Mas, benevolente, ainda continuei. Só quando acabei de bater aquela mixórdia durante 5 minutos e observei o triste resultado (leia-se uma argamassa de açúcar, óleo e ovos) é que desisti. Mandei tudo fora. E chamei-te nomes feios.
Se calhar estás a precisar de férias. Ou tens a balança doente. Já me deste tantas alegrias, não vai ser por causa de um (triste) incidente que vamos cortar relações. Mas hoje não quero mais conversas contigo. Deste cabo do bolo de iogurte que os meninos iam levar amanhã, para comer nos próximos dias na casa da avó. E isso, Bimby, não se faz. Bad girl. Bad girl.

Manhã animada

Começámos pelo parque do Alvito. Escorrega, baloiço, balancé, labirinto, cabaninhas, tubos, escadas, «Não tenhas medo Mada que o mano segura», e por aí fora. Depois, quando já estava a ficar calor e eles já estavam a ficar fartos, Funcenter. Uma maravilha: vazio. Tinha mais cinco pessoas além de nós. Andaram nisto e naquilo e, às tantas, um angolano super bem-vestido (sei que era angolano porque me disse, mais tarde) e o seu amigo disseram-me: «Queremos pagar todas as viagens dos seus três filhos, pode ser?» Desconfiada, olhei-os de lado. Um deles, o mais chique, apressou-se a explicar: «Vou-me embora para Angola e tenho um crédito que nunca mais acaba. A minha filha nem que fique aqui o dia inteiro vai conseguir gastá-lo. E eu quero ir embora. Por isso, deixe-me lá oferecer as entradas aos seus meninos». Perante isto, o que dizer? Que sim, né? Lá foram, todos, nos carrosséis que quiseram. Até gastar o saldo do benfeitor rico, que maravilha! Há encontros felizes e hoje calhou-nos a sorte a nós.

A minha malta é o meu fado (um fado alegre!)

Ora então eles chegaram, todos, primeiro o Martim - abraçoooooo - depois o Manel - abraçoooooo - depois a Madalena - abraçooooo, e foi bom pegar-lhes e mexer-lhes e beijar-lhs os narizes e as bochechas e as barriguinhas boas. Eles só iam ficar hoje (porque a minha mãe tem um jantar) mas amanhã voltavam para a casa de praia da avó. Só que a minha mãe apanhou uma constipação de fugir, com uma tosse cavernosa, de maneira que amanhã eles ficam cá, para que ela se recupere. Que isto de estar doente sozinha com três criancinhas tem muito que se lhe diga. Amanhã à noite iamos aos fados mas fica para outro dia. Amanhã eles são o nosso fado. Um belo fado corrido, com graça e alegria. Um fado à desgarrada, ora canta um ora canta outro ora outro ainda, a ver quem é que alegra mais a casa.