Cristiana Leal começou a deprimir aos 12 anos. A coisa foi-se agravando cada vez mais. Aos 14 anos começaram as tentativas de suicídio. Cristiana passou por um inferno. Mas venceu. Para ouvir aqui.
Ela despe-se a toda a hora. A camisola, as calças, os collants. Nunca tive um filho que tivesse esta habilidade para se desnudar, aos 19 meses. De maneira que me parece encontrar aqui uma vocação. Um dom, não sei. Mas também tem outros talentos: para falar, por exemplo. É também, dos três filhos, a que mais fala. Que bem que fala. Tudo, tudo, tudo. Palavras e frases inteiras. Acaba de me dizer: «Mamã, caminha não.» Há bocado, disse na rua: «Boa nôte xenhôle!» E o bem que ela pega nas canetas e nos lápis? Enfim, espertinha, é o que é. Resta saber se opta pela palavra (falada ou escrita), ou se prefere o silêncio de uma roupa atirada ao chão. Por mim preferia a palavra. Mas desde que ela seja feliz estou por tudo. E agora vou vesti-la. Pela quinta vez esta noite.