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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

20 anos (glup)

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Faz hoje 20 anos que comecei a trabalhar. Parece mentira mas não é. E - curiosidade gira - tem início hoje (1 de Abril de 2016) o contrato de arrendamento que fiz para o meu primeiro escritório. Este dia parece destinado a eventos importantes na minha vida profissional.

Já tinha feito umas coisinhas antes mas foi no dia 1 de Abril que montei arraiais na micro-empresa de comunicação do Pedro Rolo Duarte. Ele tinha posto um anúncio, responderam 600 pessoas. Depois de passar no crivo das entrevistas, fiquei uns tempos em provas práticas. Acabei por ficar eu. Não por ser especialmente dotada mas sobretudo - disseram-me depois - pelo meu olhar. Disseram que o meu olhar era vivaço e cuspia paixão por todo o lado. Não escrevia mal. Saí-me bem nos testes, mas foi o meu olhar que terá despertado ali uma atenção qualquer. Obrigada, olhar. 

A empresa ficava na Rua João Penha, perto do Jardim das Amoreiras, e lembro-me de sonhar com a vida que teria ali, caso fosse eu a conseguir o emprego. Fiquei 10 anos a trabalhar com o Pedro. Fizemos rádio (Mundo de Aventuras, na Rádio Comercial), trabalhei com ele em programas de televisão (Canal Aberto e Falatório), escrevi muitos conteúdos para revistas municipais e depois surgiu o convite para que ele fosse criar o novo suplemento de sábado do Diário de Notícias. E assim nasceu o DNA, onde participei - em profundo deslumbramento - desde o primeiro dia até ao derradeiro.

Trabalhar com aquela equipa foi algo de inesquecível e, suponho, irrepetível. Ainda hoje sonho, por vezes, em ganhar o Euromilhões e criar um novo DNA (outras vezes sonho só em ganhar o Euromilhões e descansar os ossos).

Depois do DNA, fui fazer reportagem para o Diário de Notícias. Nunca pensei gostar. Estava há muitos anos num suplemento semanal, com um ritmo e uma poesia muito próprios, e a ideia de integrar a enorme redacção do DN não me dava nenhuma esperança de ainda vir a fazer trabalhos de fundo, que me dessem prazer. Enganei-me. Durante quase dois anos fui feliz ali, por muito que, no início, tentasse boicotar essa felicidade, quase por me sentir trair o meu padrinho profissional e o meu passado de trabalho com ele. Passada essa fase de luto e de adaptação, fiz muitas reportagens que me deram muito gozo, gostei de sentir o frenesim de um diário, a hora de fecho, o coração aos pulos quando a actualidade se atravessava à frente dos meus planos.

Seguiu-se a Time Out Lisboa. Apetecia-me algo mais leve, mais bem disposto, menos pesado e denso como os temas que tinha tratado até então. Fui feliz durante um tempo mas depois faltava-me o resto. Então fui à procura: propus programas de rádio e fi-los (Viagem da Cegonha, Portugal dos Pequeninos, Nós Vencedores, na Antena 1), criei o blogue, inventei rubricas e meti mãos à obra.

Há 6 anos e tal decidi sair da Time Out e ser freelancer. Com a quantidade de contactos que tinha criado, na ânsia de fazer outras coisas, já me sentia um pouco mais segura para fazer a vida sem rede. Percebi sobretudo que era chata, persistente e que não me deixava abater por ouvir um "não". No dia seguinte já estava de novo a bater a outras portas, à procura do "sim". Fiz muitas coisas. Reportagens várias para a Notícias Magazine, rádio, entrevistas para vários sítios.

No ano passado, experimentei algo que ainda não tinha feito: televisão, com o programa Pais & Filhos. Ou seja, à beira de fazer 20 anos de ter começado a trabalhar, completei o triângulo (imprensa, rádio, televisão) que é na verdade um quadrado, se lhe juntarmos o online.

Entreguei a Carteira Profissional de Jornalista para fazer outras coisas, nomeadamente a comunicação interna de um grande grupo de saúde, ou parcerias comerciais aqui no blogue. No dia em que a entreguei senti um aperto no peito. Mas não me arrependo. Já não era feliz no Jornalismo há uns anos e agora posso fazer muitas outras coisas que me eram interditas pelo código deontológico (e, em bom rigor, faço jornalismo na mesma porque o programa Pais & Filhos, por exemplo, sendo apresentação é também jornalismo, uma vez que sou eu que preparo e conduzo as entrevistas). A parte financeira não é despicienda. Não é fácil ser jornalista em Portugal, tirando algumas excepções. Já para não falar da trágica morte de tantos meios, o que limita muito o raio de acção de tantos jornalistas que se viram sem ter onde trabalhar.

Tenho sido muito feliz nestes 20 anos de trabalho, em que já fiz tanta coisa, mas parece-me impossível que já tenham passado duas décadas. Quando penso nisso, sinto algumas dores nas cruzes. Ainda pensei fazer um grande concerto na Meo Arena, para comemorar a data, mas depois olhei para a agenda e vi que já tinha os fins-de-semana todos ocupados. Uma pena porque já tinha o ok de alguns nomes sonantes (U2, Madona, Sting, o Bruce) mas olhem... fica para os 50 anos, que isto por este andar ainda tenho muito que dobrar a mola. 

 

Obrigada, Pedro. Sabes que eu não esqueço nunca. 

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