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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Clube de Leitura no Porto: 10 de Maio!

Já temos data e local para o primeiríssimo Clube de Leitura no Porto! Yeyyyy!

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Ora então vai ser no dia 10 de Maio, uma sexta-feira, a partir das 19.30, no Hotel Vila Galé Porto (Avenida Fernão de Magalhães, nº7). Podem ler o livro que quiserem e a ideia é encontrarmo-nos para conversarmos sobre o que lemos. Depois, se quiserem, escolhemos um livro só para debatermos no próximo encontro. Conto convosco? Estou curiosa para saber como vai ser. Não me vão deixar sozinha, pois não? Em Lisboa já temos uma pequena comunidade, que não já dispenso na minha vida. Será que vou criar outra família no Porto?

Pedia-vos que se inscrevessem, no formulário em baixo. Não é vinculatório, ninguém vai atrás de vocês se se inscreverem e não aparecerem, mas é mesmo só para ter uma ideia daquilo com que posso contar. 

Obrigada ao Vila Galé Porto pelo acolhimento! Os hotéis Vila Galé já estavam no meu coração por muitas estadias inesquecíveis, agora então fazem mesmo parte dele!

E, claro, obrigada, uma vez mais, à MultiOpticas por se ter apaixonado pelo Clube de Leitura e por ter alinhado nesta minha ideia já antiga de o levar também para o Porto. Estou convosco e não abro!

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Mudar de Vida #17: Raquel Ruiva

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"Senhoras e senhores... a miss Portugal é..." E Raquel Ruiva sonhava - acordada - que recebia, com os olhos a tremer de emoção, a coroa, o manto e o ceptro que lhe confirmavam a beleza. Sempre que a RTP emitia mais uma edição do concurso que elegia a mulher mais bela do país, Raquel não descolava o olhar e a atenção do ecrã e suspirava pelo dia em que seria ela a escolhida. 

Os anos foram passando e as ideias de viver da beleza foram ficando guardadas no baú das memórias que se contam aos filhos e netos e em entrevistas como a que deu origem a este texto. Raquel era boa aluna e decidiu seguir Gestão. Entrou no ISEG com média de 17,8 e a sua praxe foi andar com o notabilíssimo número escrito na testa. A maior parte dos colegas tinha dificuldade em entender que aquela rapariga, que tinha média para entrar na Universidade Nova (sempre tão desejada), tivesse optado pelo ISEG por questões ideológicas: "Como muitos jovens tinha ideologias mais à esquerda e por isso meti na cabeça que a Nova não era para mim. E como sou de vestir a camisola, passei a sentir que o ISEG era a minha casa e defendia-a com unhas e dentes. O meu desporto preferido da altura era picar-me com pessoas da Nova."

Depois do curso de Gestão, especializou-se em Marketing porque sempre se sentiu mais comercial do que financeira. E em 2002 entrou para a Deloitte, onde ficou 8 anos. Em 2008 foi para Angola, pela Deloitte: "Gostei muito de estar na Deloitte. Não se tem vida, é verdade, mas eu sabia que se temos de dar à perna é nesta fase da vida. Sempre tive essa consciência. E a Deloitte é uma daquelas empresas em que até podemos começar por não ganhar muito mas se fizermos a nossa parte podemos ter a devida compensação."

Em 2009, Raquel recebeu um aliciante convite para ser Directora Financeira da Toyota em Angola. E foi também nesse ano que conheceu o Afonso, que viria a ser o seu marido, e que era administrador de uma empresa também em Angola. Foram dois anos e meio de pura loucura. "Éramos como dois putos a fazer Erasmus, mas com dinheiro. Ganhávamos muito bem, divertíamo-nos muito, tínhamos muitos amigos. Era uma vida de sonho. Tínhamos uma casa com duas empregadas. Era um luxo."

Em 2012 vieram para Portugal porque já não aguentavam as saudades de casa. Queriam ter filhos e sentiam que só fazia sentido constituir família por cá. A diversão tinha sido boa mas agora era tempo de falar a sério. De assentar. "Quando voltámos eu não tinha emprego. As pessoas achavam que éramos malucos por voltarmos para um país em crise, logo nós que estávamos tão bem. Mas ainda bem que o fizemos. Foi na altura certa. Muitos amigos não vieram nessa altura e depois já não conseguiram fazer a transição. Além disso, antes de voltarmos, fizemos um plano a 5 anos prevendo os piores cenários. Até os filhos que ainda não tínhamos estavam naquela folha de Excel!"

Depois de regressar e responder a alguns anúncios, ela arranjou emprego como responsável financeira de uma pequena empresa de restauração mas entretanto engravidou e o ambiente tornou-se tóxico: "Os sócios contradiziam-se e ir trabalhar num ambiente de guerra era tudo o que eu não queria, ainda para mais grávida. Deixei de trabalhar e dediquei-me a ser grávida. Depois, o Vicente nasceu e dediquei-me a ser mãe."

Entretanto, juntou-se com um grupo de amigas que tinham o ideal de se juntarem a trabalhar em projectos em part-time ao mesmo tempo que tinham os filhos consigo. Era uma espécie de cooperativa de mães. Elas trabalhavam e as crianças estavam por ali, a brincar, a dormir a sesta, todos juntos. Uma dessas mulheres estava ligada à alimentação e nutrição, até escreveu um livro sobre a alimentação paleo e todas se surpreendiam com as caixas que a Raquel tinha para guardar os alimentos. Façamos então uma paragem aqui, para introduzir outro tema.

Raquel Ruiva sempre viveu rodeada pela Tupperware. A mãe quando se viu desempregada começou a vender cremes, primeiro, Bimbys depois, e por fim Tupperware. Passado um mês, a mãe era chefe de grupo e passado um ano era coordenadora. Em casa da mãe sempre houve Tupperware, nunca fakeware. "O meu irmão vivia em Inglaterra e, quando veio com a minha cunhada para cá, sem emprego, ela ficou a trabalhar com a minha mãe e o meu irmão posteriormente também se juntou, apesar de ser financeiro de uma empresa. Por isso, sim, a Tupperware sempre fez parte da minha vida. Mas nunca profissionalmente." Até ao dia.

Foi quando as amigas lhe perguntavam que caixa era aquela ou onde é que tinha comprado aquela caixa tão boa que Raquel pensou "e se?" E de tanto pensar "e se?" avançou mesmo e criou a Caixa Mágica, no Facebook, para vender Tupperware. E a partir desse dia, vestiu a camisola, tal como quando se picava com os alunos da Nova, para defender o "seu" ISEG. Algumas pessoas próximas e até amigas ficaram chocadas. Primeiro acharam que era uma situação temporária, uma espécie de gracinha, de part-time. Mas quando perceberam que Raquel estava empenhada e que a sua vida nova era realmente esta afastaram-se. "Há um certo preconceito. Eu era financeira, fui quadro de grandes empresas, e em vez de retomar esse caminho (e tinha convites), optei por tornar-me vendedora de Tupperware. Foi como se, para alguns, me tivesse tornado noutra pessoa. Mas não. Eu sou a mesma. E gosto realmente disto. Porque não é só vender. Há marketing, há todo o trabalho de formação da minha equipa, há o contacto com os clientes."

Raquel começou por ser vendedora mas depressa se tornou chefe de grupo e agora é team leader. Faz gestão dos grupos e dá formação contínua. Neste momento tem mais de 90 pessoas a quem dá formação:  "Estes são artigos de qualidade superior que requerem explicação porque uns têm uma especificidade, outros têm outra. Uns são para guardar alimentos cozinhados, outros são para guardar alimentos crus. E podem revolucionar a forma de armazenar alimentos, podem ajudar a que durem incomparavelmente mais, preservando as suas propriedades. E é preciso adequar a formação ao tipo de pessoa que recruto para o vender."

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O brilho do seu olhar, enquanto fala da Tupperware, é indesmentível. Por muito que por vezes seja estranho dizer que é vendedora da Tupperware quando lhe perguntam a profissão durante um jantar, por muito que não seja propriamente o que sonhou escrever no item "Profissão" nos boletins de matrícula da escola dos filhos, por mais que ainda perdurem olhares de "mas-como-é-que-esta-mulher-se-meteu-nisto", Raquel gosta genuinamente do que faz. "E tenho tempo para mim, para os meus filhos, não tenho de sair às tantas e sacrificar todos ou quase todos os momentos em família por conta de uma carreira numa empresa de topo." Além disso, é bem paga. "Sim, estou neste momento a ganhar o mesmo que ganharia na área financeira", acrescenta. O que, pensando bem, não é despiciendo para se acrescentar. Raquel termina a frase dizendo: "Não trocava a Tupperware, não. Nem pensar."

Em 2018 conquistou um patamar importante nesta nova carreira. "Fui a rainha-chefe de 2018, ou seja, significa que fui a primeira do país no que diz respeito ao recrutamento de novos vendedores, à retenção de vendedores e ao crescimento." E sabem o que implicou ser a rainha-chefe de 2018? Ser chamada ao palco, numa cerimónia com pompa e circunstância, e receber uma coroa, um manto e um ceptro. Lembram-se do primeiro parágrafo? Pois bem. Raquel conseguiu até cumprir aquele sonho infantil. Não foi Miss Portugal. Mas foi a rainha da Tupperware. Dito assim pode dar vontade de rir ("o meu marido gozou um bocadinho") mas dentro do contexto foi realmente um momento que fez sentido. E que pode repetir-se por vários anos, que ela nunca achará demais. Afinal, quem não gosta de ser premiado pelo seu bom trabalho? Ainda para mais quando esse trabalho representa uma nova escolha, um novo caminho, uma nova vida.

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Hoje: Belarmino

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Hoje à noite vamos ver o filme Belarmino, de Fernando Lopes, no Centro Cívico Edmundo Pedro, em Alvalade. 

A culpa é de Bruno Castro, um dos responsáveis pelo nascimento do Alvalade Cineclube que nasce hoje, às 21h, com a projecção deste tesourinho que é considerado um filme-chave do Novo Cinema português e que retrata a história verdadeira (em jeito de documentário) sobre a trajectória de um pugilista português da miséria à fama e de novo à miséria.

Espero ver muitas outras obras de culto neste novo cineclube, que irá exibir um filme por mês. 

As sessões são de entrada livre e não é necessária reserva prévia.

Descontracção e estupidez natural

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O Manel está na sua viagem de finalistas e eu gosto de gozar com ele afirmando que deve voltar para casa carregadinho de bactérias, vírus e germes, só por se aproximar da piscina do hotel (porque me lembro das repetidas imagens de uma piscina em Marina d'Or - que nem sequer é onde ele está mas as imagens marcantes persistem nas nossas cabeças - onde os putos ficavam de molho a beber, a ouvir os concertos e muito possivelmente a urinar, vomitar e sabe Deus que outras coisas terminadas em "ar"). Gosto de nos imaginar a todos de máscara e luvas para o receber, limpando os lugares onde se sentar, simulando uma repulsa que obviamente não temos mas que faz parte do modo como somos uns para os outros. De resto, antes da partida começámos logo a gozar dizendo que íamos levá-lo ao autocarro e que íamos ficar a dizer adeus até que ele desaparecesse do horizonte, tal como fazíamos quando era pequeno e ia para a praia com a escola, aproveitando para gritar a plenos pulmões: "Levas o casaquinho??? Não te esqueças do chapelinho!!!!" E ríamos, ríamos, ríamos a imaginar a vergonha que seria se tivéssemos coragem para lhe fazer uma coisa daquelas.

E isto leva-me a outro ponto: o modo como somos pais e, como só quero falar por mim, o modo como sou mãe.

Às vezes noto, por parte de algumas mães, uma preocupação exacerbada com tudo ao que os filhos diz respeito. E isso confronta-me com a mãe descontraída que sou e que nem sei bem por que sou, e com a dúvida sobre se ser como sou será bom ou mau, se passarei uma ideia de desprendimento ou se, ao contrário, uma ideia de confiança.

A minha mãe era a antítese da descontracção. Tudo era um drama (mãezinha, eu percebo as tuas razões, não é um ataque, é apenas a constatação de um facto), tudo era vivido como se fosse uma afronta à hierarquia, um risco de vida, um perigo de morte. Lembro-me de ficar muitas noites na varanda do meu quarto, a olhar para o meu grupo de amigos que conversava e tocava guitarra na esplanada do café em frente (fechado à noite mas que tinha uma cobertura que lhes servia de abrigo), e com um enorme ponto de interrogação na cabeça que não me deixava perceber qual era o mal de estar ali, ainda para mais ao alcance do seu olhar controlador de mãe. Mas a minha mãe sentia-se muito sozinha na minha educação e via, de facto, perigos em todo o lado. Para ela, os meus amigos deviam fumar coisas esquisitas e passar muito tempo com eles não podia fazer-me bem. Foi preciso muitas lutas e zangas e confrontos violentos para que ela começasse a soltar mais a rédea. Mas imagino o quanto sofreria de cada vez que o fazia, e o medo que tinha de contrariar.

Não sei como fiquei como fiquei mas até ver não sofro com quase nada. O Manel também me saiu particularmente atinado (às vezes, meio a sério meio a brincar, digo que é mais provável que eu entre em casa com uma piela do que ele), mas acho que tendo naturalmente para a descontracção e para um "logo se vê no que é que isto vai dar" que é totalmente contrário ao que foi feito comigo.

Começa logo nas doenças. Se eu tinha uma febre ou uma dor de cabeça, era ver a minha santa mãe a obrigar-me a levar o queixo ao peito, testando as minhas meninges e supondo logo o pior cenário. Ainda há dois ou três dias (para não ser preciso ir mais longe) tornou a acontecer: a Madalena queixava-se de dores de barriga, numa festa familiar. Eu disse para ela esfregar a barriga e não dei mais importância ao assunto (terei talvez dito qualquer coisa como "se não tivesses enchido a pança de doces nada disso acontecia"), mas não tardou muito até escutar a minha mãe proferir aquilo que eu já adivinhava, ou não a conhecesse há 4 décadas e meia: "Vocês vejam lá, estejam atentos, não vá ser uma apendicite".

Não deixa de ser curioso como é que uma confessa hipocondríaca como eu tem tamanha descontracção com os filhos. Mas a verdade é que - e já o disse algumas vezes - a minha hipocrondria cinge-se a mim. No que toca aos meus filhos - não sei se por instinto de sobrevivência (imaginem o que seria ser hipocondríaca com 4 filhos!) ou por estupidez natural - tendo a desvalorizar e a acreditar que "não há-de ser nada".

Voltando aos mais crescidos, nomeadamente ao Manel... não me enerva nada que saia à noite, que chegue tarde, não fico acordada até ele chegar (em bom rigor durmo como uma pedra e só quando vou à casa de banho é que aproveito para ir ver se já chegou), não imagino o pior, o mesmo é dizer que não imagino nada. Se ele vai beber? É possível. Eu bebi, muitos jovens bebem. Desde que não seja em excesso não vejo drama. São as experiências normais. Mas mesmo que haja uma ou outra ocasião em que aquilo resvale... epá... quem nunca pecou que atire a primeira pedra. Eu seguramente que não as vou atirar! Quando começou a namorar não me inquietei, não fiquei com a nervoseira ou irritação que vejo algumas mães confessarem, apenas conversei com ele sobre a vida, o amor, o respeito e os cuidados que são precisos pelo caminho. O resto? O resto é com ele. E com a vida. E com a sorte (o único momento desta viagem que me deixou com um friozinho no estômago foi a viagem de autocarro por saber que o factor sorte, numa viagem de 6 horas com um motorista de quem não sei rigorosamente nada, não é despiciendo).

Se isto é a melhor forma de actuar, de ser? Não faço ideia. Até pode acontecer que seja assim com o Manel e depois seja diferente com algum dos outros (mas não me venham com a conversa de que com a Madalena serei seguramente diferente "por ser menina" que fico já com os cabelos em pé). Posso ser diferente com algum dos outros se algum dos outros não fizer por merecer a minha confiança e descontracção. É possível que aperte o cerco e puxe a rédea a quem não cumprir os mínimos olímpicos. É possível. Sempre gostei da ideia da "liberdade com responsabilidade". Acho que é, sem dúvida, a forma mais acertada de agir, a que provoca mais felicidade, a que causa menos conflito. Impedir, proibir, dificultar, criar problemas... não é definitivamente a minha cena. Sou muito mais pelo sim do que pelo não. Assim eles saibam fazer por merecer os meus sins. E todos seremos muito mais felizes.

Quem por aí tem PPR?

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Há muito boa gente que aposta nos PPR (Planos Poupança-Reforma) para garantir uma reforma confortável, até por não esperar grande coisa da Segurança Social que, segundo percebemos, está cada vez mais nas lonas neste país envelhecido. Apostar nos PPR não é mal pensado mas é importante - como em tudo - saber o que se está a fazer. E, cá para nós que ninguém nos ouve, acho que a esmagadora maioria das pessoas não faz a mínima ideia do que está a fazer. Mas, para não correr o risco de estar a falar dos outros sem conhecimento de causa, posso falar de mim. Eu e o Ricardo temos PPR já há uns anos e eu não faço a mais pálida ideia se escolhemos bem ou mal. É possível que o meu excelso marido saiba mas, sendo muito franca (e depois de ler este estudo da DECO PROTESTE), duvido.

A pergunta é: Sabem quanto rende o vosso PPR? Nos últimos 5 anos perderam ou ganharam dinheiro? Alguma vez o compararam com outros? Sabiam que há quase 700 PPR no mercado?

Eu não tinha ideia, confesso. Assim como nunca tinha pensado nas coisas deste modo: tratando-se de uma poupança de longo prazo, pequenas diferenças de rendimento ao longo de muitos anos podem fazer uma diferença gigantesca. Por exemplo: se aplicarmos 100 euros por mês ao longo de 30 anos num PPR que renda 3% ou noutro que renda 4%, podemos chegar à idade da reforma com uma diferença de quase 11 mil euros de montante acumulado. WHAT??? 

Mas, além da variável rendimento, há ainda as comissões cobradas pelas entidades gestoras. A média está nos 1,2% do montante que se entrega na subscrição mas há PPR que cobram 5%!!!!

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Ou seja... podemos estar a perder dinheiro de forma completamente desnecessária e apenas por desconhecimento e preguiça. 
A DECO PROTESTE, que habitualmente analisa estes produtos, apresenta agora este estudo e tem um simulador que nos permite perceber qual é a melhor opção. E, em 99% dos casos, dizem que vale a pena mudar. 

Podem fazer a simulação AQUI.

Ainda não fiz a minha simulação mas desta semana não passa. Queria muito ter uma reforma impecável, com saudinha, a viajar pelo mundo com o meu velho (e a tratar dos netos, vá, mas neste momento em que ainda não os tenho só consigo mesmo imaginar a felicidade de viajar com o meu velho por todos os países que ainda não conhecemos e por outros que queremos sempre repetir). A ideia de estar a perder dinheiro por ignorância está a mexer-me com os nervos.

Agradecer

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Nem sempre alinho em jogar à bola com eles aqui em casa. Sim, em casa. Na sala. Arredam a mesa, arredam o sofá e anda a bola de pano de um lado para o outro, e eles descalços, ainda assim fazendo entradas feias nas canelas uns dos outros. Por vezes a bola voa em direcção às molduras e cai uma e parte-se e eu passo-me, mas sou incapaz de lhes negar aquele momento de alegria. Sim, a minha casa tem pouco de casa de revista, em que parece que não vive lá ninguém. Acho bonito de ver mas sei que não é para mim. Aqui vive-se, desarruma-se, suja-se, estraga-se. Depois arruma-se de novo, conserta-se, e a seguir repete-se tudo de novo. Mas, voltando aos jogos na sala, são sempre algo violentos porque o espaço não é muito e não existem momentos mortos. Quando jogo fico geralmente à baliza e é confrangedor porque deixo entrar as bolas todas. A maior parte das vezes digo que não jogo e fico a ver, estarrecida, como eles se fintam e magoam e esquivam e deslizam e gritam goooolo e acabam quase sempre amuados uns com os outros. O pai alinha quase sempre e, assim, defini para mim que aquele é um momento "lá deles". Deles, leia-se: deles todos. A Mada está obviamente incluída, até porque gosta tanto de jogar futebol como eles (ou mais).

No outro dia, porém, pressionaram muito. E eu joguei. Fiquei à baliza e deixei, como sempre, entrar as bolas quase todas. Mas eles não se zangam comigo (ao contrário do que fazem sempre que o guarda-redes é outro e deixa escapar uma bola para o interior da baliza improvisada). Há uma condescendência para comigo porque sabem que não gosto e não tenho jeito e porque sabem que estou em esforço.

Dois dias depois desse jogo, o Mateus olhou para mim e, assim vindo do nada, disse:

- Obrigado mamã.

Eu revi mentalmente as minhas últimas acções mas não consegui vislumbrar uma que fosse assim tão digna de agradecimento (tirando todas aquelas que as mães fazem sempre mas para as quais não contam com qualquer gratidão, pelo menos verbalizada).

- Obrigado porquê, Mati?

- Por teres jogado à bola connosco no outro dia.

E pronto. Quer-me parecer que conquistaram um jogador novo. 

IV Conferência "Portugal Saudável": é já amanhã!

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Fui convidada para participar na IV Conferência "Portugal Saudável", que vai acontecer amanhã, dia 10 de Abril, no Capitólio, e acho que esta é uma daquelas iniciativas que quem puder não deve perder. Eu vou lá estar, não só a assistir desde o início, como a participar num debate "À Roda da Alimentação", em que vou ser companheira de mesa da Isabel Silva e do João Manzarra.

Os problemas de saúde provocados por maus hábitos alimentares fazem com que seja cada vez mais urgente pensarmos de forma integrada na nossa alimentação. Esta iniciativa da Missão Continente é uma excelente forma de o fazer. Sob o tema “Improving Our Food System”, a conferência lançará o debate em torno de um sistema alimentar capaz de integrar as preocupações com a saúde, o ambiente e a economia. Encomendado pela Presidência do Conselho da União Europeia, o relatório intitulado “Connecting food systems for co-benefits: how can food systems combine diet-related health with environmental and economic policy goals?”, será o ponto de partida para o debate.

Deixo-vos o programa. Se puderem... apareçam! Acho que vai ser muito interessante!

PROGRAMA

09:00:Recepção dos convidados

09.30: Vídeo "Continente: Improving food system"

09:35: Abertura

José Fortunato, presidente da Missão Continente

09:45: Improving our food system: o benefício para a saúde dos portugueses

Guilherme Duarte, Adjunto da Secretária de Estado da Saúde

09:55: Connecting food systems for co-benefits: how can food systems combine diet-related health with environmental and economic policy goals?

Corinna Hawkes, Directora do Centre for Food Policy da Universidade de Londres

10:15: Biodiversidade, Cultura e Comida

Ruth Osborne, Fundadora da Retired Hen e embaixadora do ReTaste

10:35: Coffee-break saudável e sustentável

11:00: Conversas "À Roda da Alimentação"

Moderadora: Catarina Furtado, Embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População e Fundadora e Presidente da Associação sem Fins Lucrativos Corações com Coroa

À Roda da Origem

Carla Simões, Frutalvor

Henrique Gomes, Biofrade

À Roda do Saber

João Ramos, Diga Doutor RTP

Helena Real, Secretária-Geral da Associação Portuguesa dos Nutricionistas

À Roda da Cozinha

Chef Filipa Gomes, Apresentadora do programa "Prato do Dia"

Chef Júnior Maria Silva, Vencedora do "Júnior Masterchef"

À Roda do Dia-a-Dia

João Manzarra, Apresentador de Televisão

Sónia Morais Santos, Jornalista e blogger

Isabel Silva, Apresentadora de televisão

À Roda do Compromisso

Ana Alves, Directora Comercial de Marcas Próprias Continente

Ondina Afonso, Presidente da Comissão Alimentar do EuroCommerce

12:20: Improving our food system: o benefício para a economia nacional e local

João Torres, Secretário de Estado da Defesa do Consumidor

12:30: Encerramento

 

 

 

Clube de Leitura, by MultiOpticas

Para começo de conversa, estreámo-nos num sítio novo. E que bom que foi. A sala ficou por nossa conta. Tínhamos a chave e tudo, de modo que não podia ser mais exclusiva. A sala é toda forrada a madeira, com quadros e poltronas e sofás. Parece ter sido feita de propósito para uma tertúlia literária. Tínhamos vinho e salgados e, ali longe de olhares curiosos ou indiscretos, sentimos que estávamos mesmo à vontade. Muito obrigada ao Brown's Hotel por ter acolhido do nosso clube.

Quanto ao encontro propriamente dito, desta vez era apenas um livro em discussão: "Eliete", de Dulce Maria Cardoso. E se comecei por temer que um único livro em discussão pudesse transformar o nosso encontro numa assembleia fugaz (apesar de saber que a maior parte dos clubes de leitura se centram apenas num livro confesso que sempre tive receio de não conseguir, talvez por não ser formada em Literatura, levar-nos tão longe nas análises), a verdade é que cada nova reunião em que discutimos o mesmo livro tem-se revelado cada vez mais interessante. Há quem goste, há quem não goste, há quem adore o livro em análise. Há quem veja o que outros não viram, e que, por essa razão, consiga mudar a perspectiva de quem, não tendo olhado a obra com esse olhar, tenha ficado com uma ideia diferente. Nesta conversa tão rica, vamos mais longe, mais fundo, mais dentro. Não apenas do livro mas da vida. Acabamos a dissecar as nossas vivências, as nossas experiências, as nossas conquistas e desaires. Torna-se, de certo modo, uma espécie de terapia de grupo. E "Eliete" é uma belíssima porta aberta a este tipo de reflexão. Foi de tal maneira que já eram quase 23h quando saímos do hotel. 

Obrigada, claro, à MultiOpticas por se ter apaixonado por este projecto. E obrigada a todos os que participam, uns pela primeira vez, outros todos os meses.

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Próximo encontro em Lisboa... 3 de Maio! A partir das 19:30 no Brown's Hotel (Rua da Assunção, 75 - na Baixa).

A ideia era fazer o clube de Lisboa na última sexta de cada mês e no Porto na primeira do mês seguinte mas desta vez, por causa dos feriados, vai ter de ser assim. 

Ah, e a leitura, desta vez, é livre. Podem ler o que quiserem, até o Dicionário! 

Inscrevam-se no formulário em baixo, por favor!

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