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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Jantar de aniversário... sem aniversariante

A minha mãe tem todos os anos um jantar de aniversário de uma amiga que morreu há anos. Passo a explicar: antes de morrer, essa senhora pediu às filhas e aos amigos que todos os anos se juntassem, no dia do seu aniversário, e que tivessem na mesa um bolo com uma vela acesa. "Se eu puder, venho apagá-la". Achei genial. Olha que bela ideia de continuar a ser relembrado! Olha que bela ideia de manter-se viva, em festa! E, ainda por cima, com uma forma concreta de possível interacção (quem sabe!). De modo que, todos os anos, a tradição se cumpre: a minha mãe lá vai, e no dia seguinte eu pergunto sempre se a vela se apagou, para de seguida ela me dizer que lamentavelmente não, ficou acesa até derreter toda e se extinguir. Houve um ano em que ficou tudo em suspenso alguns segundos, com a vela a tremelicar, os corações acelerados, tu queres ver, tu queres ver, mas afinal não. Quem sabe um dia tudo muda?

Agora é a minha vez de ter uma tradição semelhante. Sem vela, porém com o encontro de amigos do aniversariante. Não terá sido um pedido dele (que eu saiba, mas até podia ser), porém foi uma belíssima ideia. Quando fez um ano que morreu reuniu-se um grupo para almoçar (e foi tão bom), e agora no dia do seu aniversário recebi uma mensagem a perguntar se me juntava para jantar. Claro que sim! Acho a ideia linda e - fica já aqui escrito - quero muito que façam o mesmo quando eu me for. 

O Pedro tinha alguns amigos. Uns faziam parte de uma grupeta, outros eram amigos "avulso" como, de resto, creio que acontece com a maioria de nós. Eu era uma dessas amigas "avulso". Não fazia parte das jantaradas e das saídas (apesar de ir acompanhado através dos seus relatos). Quando estava com ele era a dois, nunca em grupo (tirando nos seus 50 anos). Conhecia esses amigos apenas por o ouvir falar deles. Não nos encontrávamos, na maioria dos casos só lhes conhecia os nomes, noutros casos conhecia-as por serem figuras mais ou menos públicas.

Agora, dou por mim a conviver com essas pessoas que fizeram parte da vida do meu amigo e a gostar muito delas. O que não deixa de ser bonito e estranho ao mesmo tempo. Na verdade, se o Pedro nos tivesse juntado talvez não tivesse resultado tão bem como resulta agora, que ele não está. Não por ele não estar (que era um belíssimo elo de união), mas porque o que creio que nos une agora é a falta que ele nos faz a todos. Acho mesmo que se ele nos tivesse juntado não seria, pelo menos, tão incrivelmente fácil como é agora. Não sei. Talvez fosse. O que sei é que há uma empatia surpreendente (e até comovente) entre nós. Não há aquele constrangimento que até seria compreensível porque eles eram um grupo e eu era uma das "avulso". Nada. Quando estamos é fácil, é divertido, é natural. E se ele puder ver vai sentir de certeza uma alegria por nos ver assim, juntos por ele, tão facilmente unidos por ele. 

O último jantar, no dia 16 de Maio, foi de novo uma festa. Para ser perfeito só faltou mesmo ele estar presente (e o filho António, claro).

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Mati, o carinhoso

Num destes dias em que fomos levar a Mada à escola, o Mateus chamou-a quando ela estava mesmo já a entrar no portão. Correu para ela e deu-lhe um grande abraço, daqueles apertados, com a cabecinha encostada à barriga dela, e olhos fechados. Ela só não derreteu logo ali porque tem um esqueleto que a manteve de pé. Eu idem. Olhei para a cena e fiz um "ooooh" embevecido. Nisto, ele olhou para mim, largou-a, correu na minha direcção e deu-me um abraço idêntico. 

- És tão querido, Mati - disse eu.

De seguida, ele rodeou-se com os seus próprios braços e exclamou:

- Agora... um abraço a mim próprio.

Morri. 

😍​

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19 anos

Há 19 anos casei convicta de que aquele era o homem da minha vida. Da minha vida... considerando o que já tinha vivido até então. Porque a verdade é que nunca acreditei muito nessa coisa do amor para a vida toda (não posso dizer esta frase sem me apetecer trautear a cantiga da Deslandes). O Ricardo sabe perfeitamente que eu era uma céptica. Não lhe menti. Tivemos inúmeras conversas pré-casamento em que eu lhe confessava a minha incredulidade no amor para sempre. Ele ficava com aquela expressão preocupada, creio que pensava "ai, caraças, no que é que eu me estou a meter!", ia sempre tentando mostrar-me exemplos de relações felizes por muitos anos, mas sem grande sucesso. Achei sempre que as pessoas se amam numa fase da vida, o que não quer dizer que se amem nas demais (e, se tudo correr bem, a vida é longa e passa mesmo por muitas e muitas fases). A vida dá muitas voltas, as pessoas dão outras tantas, e acreditar que a vida e as pessoas dão as voltas em simultâneo de modo a ficarem juntas apesar de tudo... era coisinha para me fazer pensar em contos de fadas com o cinismo de quem já sabe que elas não passam disso mesmo: contos de fadas. Por isso, sim, casei com o homem da minha vida naquela fase da vida. Claro que esperava que durasse muito e que fôssemos felizes, mas para sempre... alto lá com as expectativas.

A verdade é que fizemos ontem 19 anos de casados. E se já tivemos os nossos momentos de crise, o que retendo destas quase duas décadas é tão incrivelmente positivo que não podia estar mais grata. Dezanove anos passados ele ainda é o homem da minha vida (e se a vida já deu voltas!) e não me imagino a viver sem ser com ele ao meu lado. 

Ontem estivemos a rever os álbuns do casamento de novo (sim, as fotografias ainda eram impressas e não digitais). Foi um bocadinho impressionante constatar aquilo que dizia há pouco sobre as voltas que a vida dá. Muitos amigos que foram juntos ao casamento já não estão juntos, algumas pessoas já nem sequer estão cá (nomeadamente o meu querido padrinho de casamento), outras envelheceram muito, perderam o cabelo, engordaram, entristeceram, outras envelheceram bem e continuam felizes. Mas as diferenças são gigantes. Prova de que sobreviver ao tanto que as coisas mudam é coisa para celebrar. É o que nós fazemos, com alguma frequência. Celebramos. O facto de estarmos juntos e felizes e, em primeiro lugar, o facto de ainda estarmos por cá, com saúde.

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O momento em que tocaram à campainha da casa da mãe e era um ramo de flores enviado pelo meu marido que se despedia com um "até já"

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Claramente houve excesso de arroz, com as respectivas consequências 😂

(antes que me perguntem - pela milionésima vez - por que razão casei na Igreja não sendo crente, explicar que o meu marido queria casar na igreja, os meus sogros teriam um desgosto se assim não fosse, e como para mim não é uma questão que me ofenda ou incomode, pelo contrário, estou sempre a dizer que adorava ser crente, não me custou nada casar pela Igreja e fazer felizes os que amo)

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O primeiro encontro do Clube de Leitura no Porto, by MultiOpticas

Fui para norte logo cedo. Queria parar em Aveiro para almoçar com a minha mana e assim foi. Todos os bocadinhos são poucos para estarmos juntas. Parecendo que não Aveiro é longe de Lisboa. E as nossas vidas são corridas, como todas as vidas, e há compromissos que todos temos, eu, ela, os nossos maridos. Todos temos famílias de origem (eu, ela, o Ricardo, o Filipe), amigos de cada um, amigos do casal, filhos, agendas dos filhos, amigos dos filhos. Por uma ou outra razão vai sendo adiado o próximo encontro e, por isso, cada possibilidade de estarmos juntas é de aproveitar. Almoçámos, pusemos a conversa em dia (em versão resumida, vá) e depois segui para o Porto.

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Cheguei ao Vila Galé Porto cedo e à hora combinada lá fui para a sala que o hotel disponibilizou para o encontro. 

Não éramos 70, nem pouco mais ou menos, apesar dos 70 inscritos. Sendo 100% sincera, claro que se tivessem ido 70 pessoas falar e ouvir falar de livros a um Clube de Leitura que criei, sentiria uma felicidade inimaginável. Como não? Seria mesmo bom e bonito e comovente. Acho que só de se terem inscrito 70 já senti um bocadinho isso. Mas, por outro lado, estava um pouco tensa e a pensar como conseguiria gerir tanta gente, e a pensar como sairíam dali tantas pessoas frustradas por não terem conseguido falar (possivelmente teríamos que fazer um sorteio para decidir quem iria falar e quem teria de ficar apenas a ouvir). Mesmo sendo 30 terminámos perto das 23h, quanto mais se fôssemos 70! 

Foi um encontro muito bom. Eu pelo menos gostei muito. Gostei de ouvir toda a gente - a Cláudia, que imprimiu um forte entusiasmo à descrição dos livros que leu, nomeadamente A Carne, de Rosa Montero, que fala de envelhecimento e as novas vidas que a vida oferece; a Beatriz (que fui buscar a casa) e que merece ser ouvida pela cultura que tem, pelo tanto que leu, pelo facto de estar a atravessar um novo - e desafiante - período da sua vida; o Paulo Duarte, meu amigo Paulo-padre 😊​ que gostei tanto de receber (é sempre tão bom ter também os amigos connosco) e escutar o que tinha a dizer sobre O Lado Escuro do Amor, e o fortíssimo The Neuroscientist Who Lost Her Mind, sobre uma neurocientista com cancro no cérebro (de que se safou) e que teve de passar por tantos fenómenos que ela própria diagnosticou e acompanhou em doentes seus; as crianças (Rodrigo, Carolina e Madalena) que se aguentaram horas valentes, com um comportamento exemplar (e que tão bem falaram dos seus livros); a Sofia, que estava com uma enxaqueca do demónio mas que trouxe o livro Woman Code sobre o qual soubemos pouco porque teve de sair antes que a cabeça lhe explodisse ali (as melhoras, sei bem o que isso é); o Pedro, tão interessante, que terá tanto para nos ensinar sobre livros de guerra e mais documentais; a Raquel, à espera - como tantos de nós - dos próximos livros depois de Eliete, de Dulce Maria Cardoso; a Sara, que tentou por duas vezes, há uns anos, ler o livro O Velho e o Mar e não conseguiu acabar e que agora gostou tanto (ela atribuiu o facto à tradução, eu interroguei-me se não terá sido a maturidade- ficámos de chegar a conclusões quando ela comparar as duas traduções diferentes, para saber se foi de uma coisa ou da outra); a Marília, que não gostou nada d'O Velho e o Mar e que o leu há coisa de um mês (o que a leva a considerar que talvez a culpa não seja da maturidade mas do facto de o livro de Hemingway ser chato) mas que leu Como Ser Uma e Outra, de Ali Smith, que apreciou por ninguém ser o que parece; a Conceição, tão divertida (o que eu me ri com ela!) e a achar que todos verbalizavam muito bem o que tinham pensado sobre os seus livros, ela que também é das que aguarda a sequela da Eliete; a Sofia, que sugeriu o livro Os Loucos da Rua Mazur ao Pedro, fã de livros de guerra, e que nos descreveu o livro da Mariana Correia Pinto sobre o Porto Oriental, um Porto genuíno cada vez mais raro; a Maria João que trouxe um livro que não a conquistou (O Coração das Trevas, de Joseph Conrad), por ser muito difícil e denso, mas que o Pedro também leu e gostou muito, apesar de confirmar que é difícil e denso (e é nestas divergências que há tanto a retirar); a Teresa que trouxe A Sul de Nenhum Norte, de Charles Bukowski, e que definiu como um livro de contos duros, em que bêbedos, escritores falhados, prostitutas, ladrões retratam uma américa onde o sonho americano não se concretizou; a Ana, que ia jurar que conheço de algum lado, que leu Um Capricho da Natureza, da Nobel da Literatura Nadine Gordimer (que conta a história de Hillela, uma branca sul-africana que acaba a lutar contra o apartheid); a Catarina, que não é uma leitora assídua mas gostava de ser e que disse, com um ar embaraçado, que tinha lido Nicholas Sparks, como se houvesse mal nisso (nada como começar, depois logo se pode - ou não - experimentar outros géneros); o Diogo, um jovem que tem um blogue literário (No Conforto dos Livros) e que nos confessou a sua paixão por distopias e, como tal, o interesse que lhe suscitou o livro Os Imperfeitos, de Cecelia Ahern; a Mariana, que já participou num clube em Lisboa, com a tia, e que leu O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, que a comoveu, e o Nada Menos que um Milagre, que comprou por ser do mesmo autor de A Rapariga que Roubava Livros (Marcus Zusak) mas de que acabou por gostar (como tinha gostado do anterior) por ser a história de cinco irmãos cuja mãe morre e o pai os abandona, que vivem no caos que se imagina, e depois o pai vem para convidar um deles a ir com ele construir uma ponte, metáfora para a ponte que se cria entre eles e a salvação da família; a Maria João, que não tem lido nada mas quer que o Clube lhe sirva de arranque ao encontro da leitora que já foi, e que nos trouxe o livro Jogos de Raiva, de Rodrigo Guedes de Carvalho, que a apaixonou tanto, tanto, tanto (que fiquei - de novo - cheia de vontade de o ler); a Joana, que anda há meses às voltas com o Codex 632 do José Rodrigues dos Santos sem conseguir acabá-lo de tão aborrecido que o acha (apesar de já ter lido outros do mesmo autor e não ter sentido esta dificuldade); a Anabela, que não consegue adormecer sem ler (e é interrompida pela Liliana que diz, com muita graça: "Já eu não consigo ler à noite sem adormecer") e se encantou com a Eliete por pensar coisas que ela também pensa (apesar de terem vidas distintas); a Liliana que leu A Queda dos Gigantes, de Ken Follet e adorou (mais um que fiquei mesmo com vontade de ler); a Verónica, que leu O Homem de Giz, de C. J. Tudor, um thriller em que todas as personagens têm segredos; e a Ana, a última a falar, que nos contou a história de vida de Maya Angelou (pseudónimo de Marguerite Ann Johnson), uma escritora e activista americana que tem uma mensagem de força e optimismo no livro Cartas à Minha Filha.

Foi bom, foi mesmo bom. Porque não é só de livros que falamos quando nos reunimos. É de vida. Há sempre paralelismos, identificações, projecções que fazemos com as nossas próprias vidas. Há uma espécie de partilha comum, uma espécie de comunhão que vai crescendo com a confiança que vamos ganhando, uma espécie de catarse. É terapêutico. No final, a Cláudia surpreendeu-me com uma Fogaça de Santa Maria da Feira (que desapareceu no fim-de-semana e nem deu tempo para fotografar - tão boa, senhores, tão boa) e a Sofia Martins espantou-me com a oferta de duas peças de joalharia feitas por ela, duas Keepies. "As Keepies são umas meninas que voam e têm muita personalidade: Zoe, a criativa. Pihu, a curiosa. Lily, a BFF. Luna, a sonhadora." Recebi uma Luna e a Mada recebeu uma Pihu. Adorei. ❤️​

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Eis os livros que lemos, que são os atrás descritos e mais alguns:

A Carne, Rosa Mantero

O Poço e a Estrada, Isabel Rio Novo

Mange, Prie, Aime, Elizabeth Gilbert

Histórias da Terra e do Mar, Sophia de Mello Breyner Andresen

O Lado Escuro do Amor, Jane G. Goldberg

The Neuroscientist Who Lost her Mind, Barbara K. Lipska

Princesa das Flores, Janie Jones

Diário de Uma Totó, Rachel Renée Russell

Woman Code, Alisa Vitti

Eliete, Dulce Maria Cardoso

Se Esta Rua Falasse, James Baldwin

Mais Um Dia de Vida, Ryszard Kapuscinsk

O Velho e o Mar, Ernest Hemingway  

Como Ser Uma e Outra, Ali Smith

Mr. Fox, Helen Oyeyemi 

Os Loucos da Rua Mazur, João Pinto Coelho

Porto Última Estação, Mariana Correia Pinto

Oceano das Trevas, Joseph Conrad

A Sul de Nenhum Norte, Charles Bukowski

Um Capricho da Natureza, Nadine Gordimer

Cada Suspiro Teu, Nicholas Sparks

Os Imperfeitos, Cecilia Ahern

O Ódii que Semeias, Angie Thomas

O Meu Pé de Laranja de Lima, José Mauro de Vasconcelos

Nada Menos Que um Milagre, Markus Zusak

Jogos de Raiva, Rodrigo Guedes de Carvalho

Codex 632, José Rodrigues dos Santos

A Queda dos Gigantes, Ken Follet

O Homem de Giz, C. J. Tudor

Cartas à Minha filha, Maya Angelou 

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Obrigada ao Vila Galé Porto, que nos acolheu.

E obrigada à MultiOpticas, que apoia esta iniciativa!

O próximo encontro no Porto vai ser excepcionalmente numa quinta-feira (que na sexta não posso). Será dia 6 de Junho, às 19h, no Vila Galé Porto. E vai ter um livro único para debate: Caim, de José Saramago

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Inscrevam-se aqui:

 

 

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Corrida Solidária Reefod

Como sabem, eu corro. Correr é grátis, basta calçar uns ténis e sair de casa, faz-me bem à alma e ajuda-me a ficar em forma (ou menos em má forma, vá). Quando corro, organizo ideias, arrumo assuntos, sinto muitas vezes a libertação das endorfinas e passo de um estado meio nheca para um estado de felicidade que nem sei bem explicar. Ok, isto nem sempre me acontece. Às vezes saio de casa chateada como um peru e a corrida é-me custosa do princípio ao fim. Seja como for, no fim sabe sempre bem, quanto mais não seja pela sensação de dever cumprido.

Ora, se puder correr e ainda apoiar uma causa... melhor ainda! De modo que no dia 23 de Junho (domingo) vou estar na Corrida da Refood. Para quem não sabe, a Refood faz um trabalho notável de reaproveitamento da comida, resgatando-a nos pontos onde é excedente e entreando-a onde ela falta. A Refood já conta com mais de 50 núcleos espalhados pelo país e acabou de abrir o primeiro núcleo em Madrid! Está sem dúvida de parabéns pelo extraordinário trabalho que tem feito.

Assim, convido-vos a adquirirem as inscrições para a corrida. 

Há a corrida de 10km mas também existe a opção da corrida de 5km ou a caminhada de 5km. Este ano também há a possibilidade de escolher corrida/caminhada e almoço! Os preços variam entre os 2€ e os 10€.

Podem comprar os bilhetes aqui: https://www.blueticket.pt/Event/4268

Vamos correr contra o desperdício? Vamos correr para alimentar esta causa? 

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Proteger a nossa visão

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Como já aqui tive oportunidade de contar, a Mada agora usa óculos. Não sempre (nem o problema se agrava se não os usar) mas se quiser ver como deve ser para o quadro, por exemplo, convém que os leve.  O pai topou que ela não via bem num jogo de futebol e levámo-la a uma consulta de Oftalmologia. Depois, fomos à MultiOpticas escolher os óculos. É verdade que podíamos ter consultado logo um optometrista na própria MultiOpticas (já fiz isso quando fui comprar uns óculos novos e quis ter a certeza de que a graduação se mantinha) mas como era a primeira vez que detectávamos que a miúda não via bem quisemos descartar outras coisas. De qualquer forma, na MultiOpticas podem marcar consultas grátis para um optometrista. Basta ir AQUI ou então ligar ou ir directamente marcar a uma loja (menos prático mas há quem prefira). De resto, se os senhores optometristas notarem alguma coisa que precise ser confirmada por um oftalmologista são os primeiros a recomendar uma visita ao médico, que aquilo é gente séria. 

Ver bem é tão importante... é o sentido pelo qual tenho mais respeito. Todos os nossos filhos vão verificar a visão com regularidade, para despistar problemas como os da Mada. Sabiam que há casos de insucesso escolar que mais não são que... falta de visão? Os miúdos não conseguem ver para o quadro, não passam bem a matéria que os professores escrevem, consequentemente levam apontamentos errados ou incompletos e assim começam os problemas. 

A escolha dos óculos certos também é muito importante. Os miúdos têm de se sentir bem com eles. Os pais podem dar uma ajuda mas acho mesmo fundamental que os óculos sejam escolhidos pelas crianças, que são quem vai ter de os usar todos os dias. E se é verdade que hoje em dia já são encarados por muitos como um acessório giro (até há quem os use sem lentes graduadas, só para o estilo) também já se sabe que os miúdos conseguem ser bastante cruéis uns para os outros. Se a criança não se sentir bem com os seus óculos ficará mais permeável a bocas parvas dos colegas. 

Quando foi para comprar os óculos nem me lembrei de mais sítio nenhum onde ir. E não foi pela parceria que temos (que obviamente também ajudaria) mas porque sou cliente MultiOpticas há anos (uso lentes diárias há muito, muito tempo e é sempre lá que as vou comprar) e sei que têm uma escolha que nunca mais acaba. Levei a Mada à loja da Avenida da República (que tem ainda mais variedade) e, depois de uma loooooonga escolha, lá a rapariga se decidiu (e por acaso escolheu uns baratinhos, que ainda não lhe deu para gostar de marcas). As funcionárias tiveram uma paciência de santas e acho que ela fica mesmo querida com os óculos. 

www.multiopticas.pt

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Clube de Leitura de Lisboa, by MultiOpticas: foi na sexta!

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Estava com uma enxaqueca daquelas terríveis, que melhoram com o comprimido-bomba mas cujos vómitos não chegam sequer a abrandar. Mas não dava para cancelar. Por um lado porque passo o mês à espera do dia do nosso encontro (gosto tanto das nossas tertúlias) e por outro porque há pessoas que vêm de longe e que já têm tudo previsto e que podiam não ver os avisos de cancelamento. Só cancelei uma vez, porque morreu um amigo, e espero nunca mais ter de o fazer. 

Fomos mais uma vez muito bem recebidos pelo Brown's Hotel que nos disponibiliza uma sala linda, com acesso exclusivo, onde estamos só nós. Tivemos duas estreias: a da Inês e a da Sílvia. Espero que ambas tenham gostado e que se juntem a nós mais vezes. 

Eis o que lemos:

Luísa - Os Meus Sentimentos, Dulce Maria Cardoso

Francisco - Os Mauzões 3 e 4, Aaron Blabey

Isabel Oliveira - Só Tinha Saudades de Contar Histórias - Joel Neto; O Estrangeiro, Albert Camus; À Espera do Centeio, J.D. Salinger

Elisabete - O Complexo de Portnoy, Philip Roth; Ela Primeiro, Afonso Noite-Luar; O Grande Golpe, John Grisham

Isabel Sobrinho - Bonjour Tristesse, Françoise Sagan; O Caderno Dourado, Doris Lessing

Didi - O Poço e a Estrada, Isabel Rio Novo

Joana - O Princípio de Karenina, Afonso Cruz; Flores, Afonso Cruz; Cafuné, Mário Zambujal

Sílvia - Dor, Zeruya Shalev

Ana - Ressurgir, Margaret Atwood

Ricardo - Caim, José Saramago

Inês - Filho da Mãe, Hugo Gonçalves

Cristina - Eliete, Dulce Maria Cardoso; The Shipping News, Annie Proulx

Marta - As Cidades Invisiveis, Italo Calvino; Uma Educação, Tara Westover

Pedro - Caviar é uma Ova, Gregorio Duvivier; A Câmara Clara, Roland Barthes

Antonieta - As Luzes nas Casas dos Outros, Chiara Gamberale

Isabel Raminhos - As Luzes nas Casas dos Outros, Chiara Gamberale; A Neta do Senhor Linh, Philippe Claudel

Teresa - Sob um Céu Escarlate, Mark Sullivan

Beatriz - Sangue & Fogo, George R. Martin

Sara - Dois Guardam um Segredo, Karen M. McManus; Vox, Christina Dalcher 

Eu - As Intermitências da Morte, José Saramago

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Obrigada à MultiOpticas por se ter associado a este clube e por se preocupar com os nossos olhos, para que continuem a conseguir ler por muitos e bons anos! 😊

O próximo encontro vai ser no dia 31 de Maio, a partir das 19.30, no Brown's Hotel, na Rua da Assunção 75. E ao contrário deste encontro, em que a leitura era livre, vamos ter um livro único para debater: Caim, de José Saramago. Inscrevam-se!

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Madrid me mata

Não fazia mais nada da vida, se pudesse. Aliás, gostávamos mesmo muito de passar um ano inteiro a viajar com os nossos filhos, quando todos tivessem idade suficiente para se lembrar dessa aventura, mais tarde. Perdiam um ano de escola mas ganhavam seguramente muito (ou então até conseguíamos fazer tudo, não sei). Adiante.

Viajar a dois é gostoso mas viajar com todos é uma alegria. Estamos próximos, rimos, conversamos, experimentamos coisas ao mesmo tempo. Tínhamos esta ida a Madrid engatilhada há algum tempo. O Ricardo ainda não conhecia, queríamos levar os miúdos ao parque Warner e queríamos fazer a meia-maratona (eu já tinha feito há 4 anos). E assim foi. Marcámos nas agendas, reservámos casa bem no centro de Madrid na Homeaway e lá fomos. No primeiro dia foi só chegar e ir jantar a casa de uns amigos que vivem em Madrid, no segundo dia andámos 11 quilómetros a pé (o Mateus portou-se como um herói) e vimos os pontos principais da cidade (passeámos pela Gran Via, fomos aos mercados de San Ildefonso, de San Antón, fomos ao Círculo de Bellas Artes e subimos ao roof top que tem uma vista incrível, andámos pelo Bairro das Letras, espreitámos o mercado de San Miguel, fomos ver o Palácio Real e a Catedral, passámos pela Plaza Mayor).

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Mercado San Ildefonso

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Mercado San Antón

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Vista do terraço do Círculo de Bellas Artes

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Bairro das Letras

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Não me lembro onde foi mas a parede era linda

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Catedral

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Plaza Mayor

 

No terceiro dia fomos ao Parque Warner. No início foi difícil controlar o Mateus

 

Comentários brilhantes

Há muito tempo que não fazia isto: destacar um comentário pela sua estultícia. Mas este definitivamente é merecedor.

Sobre o facto de haver 58 inscritos no Clube de Leitura, escreve esta perfeita iluminada:

"Pois...Com tantas mordomias, bom hotel, experimente num sitio com cadeiras de pau,vai ver quantas respostas tem."

É esplêndido, verdade?

Portanto, 58 almas inscrevem-se para ir ao Clube de Leitura no Porto, não porque gostem de ler, não por terem lido, não por quererem ouvir falar de livros mas porque... querem ficar bem abancadas numa sala de hotel. Ali fechadinhas, em círculo como nos AA, a aturar ouvir falar de livros, apenas e só para poderem dizer que estiveram de rabo bem acomodado numa cadeira fofa.

Sobre as mordomias que supostamente vão existir... minhas boas pessoas, não se iludam. Não vai haver banquete real, faisões, perdizes, lagostas, champanhe ou caviar. Não serão servidas iguarias em porcelana  de Limoges, não sairá do armário o faqueiro de prata. Não vai haver senhores fardados (ou nus) a abanarem-vos com grandes penas, se porventura a canícula apertar. Se estavam a contar com este cenário... então o melhor é retirarem o vosso nome da inscrição. Só cadeiras (possivelmente não de pau) e livros.

Há pessoas que não se endireitavam nem com a leitura de 2 mil livros, benza-as Deus. Nem sequer com uma cadeira de pau pela cabeça abaixo.