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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Galp, a Luz dos Portugueses, e a luz da Carminho

É a última bebé do ano de 2018, a pequena Carminho!

Como fui dizendo ao longo de todo o ano, a Galp desenvolveu a campanha "A Luz dos Portugueses" (Janeiro de 2018). Um ano inteirinho em que ofereceu um mês de electricidade grátis a todas as famílias dos bebés que nasceram no dia 1 de cada mês. O objectivo da campanha foi o alerta para a queda da natalidade no nosso país.

Foi também desde Janeiro que não quis deixar de me juntar a esta iniciativa e, em colaboração com a Galp, tive a decorrer um passatempo (que se repetiu todos os meses até ao final do ano), em que um bebé nascido em cada mês (e sorteado via random) ganhava uma sessão de Baby Art, com a talentosíssima Raquel Brinca

No mês de Dezembro, último do ano, ganhou a Carminho!

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Há muito para contar, antes da chegada da Carminho. Ela não sabe mas nasceu numa família grande, mas mesmo mesmo grande e cheia de amor para dar. A mãe chama-se Madalena e tem 44 anos. O pai chama-se Vasco e tem 47.

Os pais, Madalena e Vasco, conhecem-se desde crianças. As mães de ambos eram amigas e eles frequentavam a casa um do outro sempre que havia convites de parte a parte. Festas, jantares... lá estava ele, lá estava ela. Um dia, lá mais para a adolescência, ele perguntou-se se ela o podia ensinar a tocar piano. Ela, que se viria a tornar justamente professora de piano, disse que sim. Facto é que ele nunca aprendeu. Nota após nota o namoro compôs-se como uma sonata e ficou o aprendiz sem a matéria dada (a de piano, bem entendido). 

Namoraram sete anos. E, a substituir a crise que dizem abalar os casais aos 7 anos, veio o casamento. Casaram em 1998. Ela sempre quis ter seis filhos e avisou-o. Ele não foi ao engano e também não fugiu, pelo contrário. Cumpriu. Cumpriu tanto que o número que Madalena tinha idealizado foi excedido. Carminho é a sétima filha do casal.

Vamos então por partes. Primeiro chegou o Martim, em 2002. Depois, em 2004, a Maria Luísa. Em 2007 a Madalena, a Maria em 2010, o Manuel em 2014. A Constança chegou em 2017 e agora a Carminho, no dia 19 de Dezembro de 2018, com 48 centímetros e 3.095kg. Pergunto se, à sétima vez, o nascimento de um filho continua a ter mesma magia. "É sempre avassalador. Sentirmos o nosso coração a esticar é sempre único. Não muda. Certamente que não diminui."

Madalena e Vasco têm ambos um ar tão tranquilo que nem parece que têm a casa cheia de filhos. Dizem que o mais difícil é gerir brigas entre irmãos e oferecer atenção diferenciada a cada um. Estão cansados de ouvir as bocas do costume - "ah, vocês não têm televisão?" ou "não sabem fazer mais nada?" - mas convivem alegremente com isso. Afinal, construíram a família com que sempre sonharam e a Carminho é a nova imensa alegria da casa. 

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Obrigada à Galp por estes 12 meses em que conhecemos famílias tão queridas e bebés amorosos que nos fizeram ter vontade de ter mais filhos (mas depois passou). Obrigada à Raquel Brinca pelas fotos maravilhosas que nos deixaram com aquelas carinhas enternecidas a olhar para o ecrã do computador. Obrigada a todas as famílias que concorreram, especialmente às vencedoras que nos deixaram conhecer e partilhar um pouco mais de si. Foi um prazer dar a conhecer a Luz dos Portugueses.

 

Fisioterapia respiratória ao domicílio

Quando o Martim era bebé passámos por três anos difíceis. Enfim, nada que se compare a problemas de saúde realmente dramáticos mas foi - à sua medida - massacrante. Aos dois meses fez uma bronquiolite séria, foi roxo para o hospital, teve de ficar internado uma semana. Eu, que já tinha o Manel, que tido sido sempre super saudável, nem sabia o que me esperava. Depois daquela semana, nunca mais tivemos sossego. O Martim fazia bronquiolites de repetição, otites de repetição, amigdalites e passava o tempo enfiado no Hospital Dona Estefânia. Houve uma fase em que ia lá todos os dias, à Medicina Física e de Reabilitação, fazer ginástica respiratória. Ele melhorava, tinha alta, e passados três dias, voltava encharcado em ranho até à alma. Um inferno. Essa altura teve o condão de me dar dois pesos e duas medidas. Por um lado sentia-me um bocado desgraçada por ter de ir todos os dias com o miúdo para a Estefânia (e foram mesmo todos os dias, durante meses), mas depois chegava lá e via miúdos com paralisias cerebrais graves e com doenças terríveis que afectavam o desenvolvimento motor e intelectual e deixava-me logo de queixumes. Era certo: entrava cansada e chateada por ter de ali voltar com aquele bebé tão pequeno, tão aflito para respirar, e saía de lá a agradecer nem sei bem a quem pelo facto de ser só (mais) uma infecção respiratória.

Bom, isto para dizer que, se na altura conhecesse a Fisiolar (nasceu exactamente em 2005, ano em que nasceu o Martim), a minha vida teria sido mais fácil. A Fisiolar, além dos serviços de fisioterapia a que já recorremos várias vezes, tem o serviço de fisioterapia respiratória ao domicílio, que não podia ser melhor ideia porque a malta já tem olheiras até à alma de não dormir e a última coisa que apetece é andar com o bebé todo doente por hospitais ou clínicas, sujeito a ficar ainda mais doente (e, com ele, todos os acompanhantes). Além disso, já se sabe que não há fisioterapia respiratória à hora que queremos, é preciso estar a faltar a empregos e contar com o trânsito e com o estacionamento e o diabo a sete, e nem vos digo como é espectacular que venham ter connosco para que se façam os tratamentos no conforto das nossas casas. Se com a fisioterapia dos mais crescidos foi um descanso, nem imagino o que teria sido com um bebé. Bom, mas como agora já não vai haver mais bebés por aqui, deixo-vos com esta sugestão. Como vos digo, isto não é publicidade, não há aqui nenhum interesse comercial, simplesmente sei que a Fisiolar trabalha muito bem, são de confiança, e acho espectacular que vão a casa, para que as chatices que nos acontecem (e aos nossos filhos, pais, familiares em geral) sejam bastante menos chatas.

 

Para quem não sabe o que é isto da fisioterapia respiratória sugiro que vejam este vídeo, que explica tudo muito bem.

www.fisiolar.pt

 

Vegetais à Brás

Como já aqui disse, estamos a tentar comer menos carne. Não é deixar de comer carne! É reduzir. Na semana passada fiz uma receita de Vegetais à Brás que ficou óptima.

Cortei couve verde e roxa às farripas, cortei alho francês em rodelas muito fininhas, e cebola, e cenouras.

Numa tigela à parte, juntei açafrão, farinha de Espelta (mas na receita mandavam fazer com farinha de grão), água, sal e pimenta. Com um garfo, desfiz tudo para ficar um molho sem grumos.

Pus um panelão ao lume com azeite e alho esmagado e louro. 

Depois, pus lá dentro os vegetais e deixei-os amolecer. No meu caso demorou um bocado porque era uma dose para família grande. Pus a tampa ao panelão e fui mexendo. Salteei um pouco e depois fui deitando um pacote de batata-palha, devagarinho (deixando algumas para deitar no fim, porque gostamos de sentir o estaladiço).

Quando os vegetais ficaram com "cara" de estarem no ponto, deitei o molho de açafrão e envolvi tudo muito bem. 

No final, era para ter posto salsa e azeitonas pretas por cima mas esqueci-me. Ficou mesmo, mesmo bom!

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O Martim nem sequer tocou, recusou-se. O Mateus igual. A Mada experimentou mas não gostou. Eu, o Ricardo, o Manel e a minha mãe adorámos. 

É questão de irmos continuando. Água mole em pedra dura...

Se quiserem ver a receita completa (e com fotos mesmo bonitas), é ir AQUI.

Desta vez...

... eu voto (na verdade votei sempre).

"Desta vez eu voto". É este o mote de uma campanha que pretende incentivar os europeus a participar activamente nas eleições europeias. Como muitos devem lembrar-se, estive no Parlamento Europeu em Dezembro, e foi muito interessante perceber como por lá estão efectivamente preocupados com o desinteresse das novas gerações em relação à Europa e com o subsequente perigo de uma desintegração que, de certo modo, começa a verificar-se aqui e além. O referendo do Brexit veio mostrar a todos que a UE não é um projecto irrevogável. E não é preciso estar muito atento para observar que os nacionalismos renascem. Que os extremismos crescem. Que os proteccionismos se exacerbam. Que prolifera o desinteresse ou um sentimento anti-Europa. Quando, na verdade, a UE tem sido um garante de paz e de estabilidade. Quando, em bom rigor, o ideal europeu, não sendo perfeito, é um ideal de união, de "juntos somos mais fortes" no qual continuo a acreditar. Porque o "orgulhosamente sós" pertence ao passado e é uma falácia. E a democracia continua - e continuará sempre - a estar em perigo, por mais que muitos a considerem um dado adquirido.

Temos muitos desafios pela frente: a migração, as alterações climáticas, o desemprego, o envelhecimento da população, a precariedade. Juntos podemos enfrentá-los melhor. E incentivar uma maior participação nas eleições europeias é um primeiro passo. O objectivo não consiste em aconselhar em quem as pessoas devem votar. Mas sim em defender o próprio acto de votar, o acto de participar no processo democrárico de uma forma consciente e informada.

Vamos a isso?

Se estiverem de acordo, juntem-se a este movimento AQUI.

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Alerta pais: Tutor T vai crescer!

É uma boa notícia para 2019 em diante. Mesmo boa para quem mora ou trabalha no Parque das Nações e tem filhos pequenos. A melhor creche e jardim de infância do bairro vai passar a ter primária (agora diz-se 1º ciclo)! Siiiiiim! A Tutor T, que é aquela escolinha que é tão boa que parece mentira, vai crescer e acabar assim com aquela angústia que sempre assalta os pais que têm os filhos os anos todos ali e depois sentem que nenhuma outra escola é tão boa como aquela. Isto é verídico, acontece todos os anos. Quando chegam ao fim do percurso, fica mesmo difícil imaginá-los noutro sítio. Porque ali há amor, sabem? Mesmo. A forma como o Mateus sempre foi para a escola, tão feliz, porque sempre se sentiu amado... é única. E depois os pequenos detalhes: o facto de se receber, todos os dias, um email a contar o que foi feito, com fotografias alusivas. O amor com que cada email é escrito, cheio de citações engraçadas dos miúdos, é mais um dos sinais de que aquela creche não é apenas um "depósito" de crianças. E as salas com poucos miúdos, e as decorações incríveis que vão sendo feitas para preencher o espaço onde eles passam os dias... enfim. Não podia ser melhor. E agora... tcharan! Vão prolongar a escola, desejo de praticamente todos os pais que têm lá os filhos. 

O Parque das Nações tem cada vez mais gente, é das freguesias (creio que é mesmo a freguesia) com mais crianças em Lisboa, e é tão bom saber que há mais esta alternativa (e que boa alternativa!). Yey!!! Quem vos dá boas notícias, quem é? 

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Comparação entre irmãos

O Manel tem em mãos um projecto qualquer online, do qual não nos conta nada. Diz que é segredo. Anda a prepará-lo há meses. Parece que é em Fevereiro que a coisa se dá. Teve muito boas notas no primeiro período, fala de política, lê livros interessantes, está um miúdo giro. O Martim ontem dizia:

- Acho que o Manel vai ter um grande futuro. Só penso se eu serei a ovelha negra da família. 

Nunca tinha pensado nesta questão, que se pode pôr aos irmãos. Olhar para o lado e temer não estar à altura dos irmãos ou da expectativa dos pais. Olhar para a vida e pensar que não se faz ideia do que se quer fazer quando se chegar ao mundo dos crescidos e essa incerteza dar uma valente dor barriga, sobretudo quando existe um irmão que parece saber o que quer e para onde vai.

Disse ao Martim para não ter essa pressão, que o futuro dele pode ser tão bom ou melhor que o do irmão, mesmo que ainda não sonhe com uma profissão ou uma área, sequer. E disse-lhe principalmente que mesmo que não escolha uma área convencional (acho mesmo que não devia escolher, porque é demasiado "fora da caixa" para ter um emprego padronizado, das 9h às 18h, sentado num escritório) pode ter muito sucesso, até porque o sucesso se mede (ou devia medir) pelo tamanho da felicidade que traz a cada um. Imagino-o muito mais a ser humorista ou backpacker ou DJ ou tudo junto do que a ser advogado, engenheiro ou gestor. 

Ainda assim, fiquei a saber que existe na cabeça dele esta pressão. Temos agora a tarefa de a tentar aliviar.

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Foto: Afterclick

 

A viagem e o destino

Não consigo conceber uma vida sem projectos, sem novos desafios, sem muito sonho à mistura. Passar os dias inteiros a fazer o mesmo e sem sequer imaginar uma nova vida não é para mim. É verdade que em 100% dos meus sonhos apenas uns 20% se realizam (em calhando menos) mas só o que eu vibro com o que sonho já compensa tudo. Como disse Eduardo Lourenço, "Mais importante que o destino é a viagem". E é. Quando tenho uma viagem marcada, para usarmos o exemplo da viagem propriamente dita, adoro toda a antecipação. Não é que depois a viagem não seja extraordinária e até supere as expectativas, mas todo o tempo a contar os dias, com aquele friozinho na barriga, supondo cenários, viajando sem sair do sítio, tudo isso já é tão parte da viagem que faz com que em vez de uma semana ou duas consiga viajar durante meses. Mas a frase do filósofo engloba mais do que apenas as viagens, stricto sensu. É antes uma metáfora sobre a vida e como todas as fantasias e todos os projectos e todos os planos que temos conseguem ser mais excitantes e caminhos de aprendizagem do que a sua própria concretização.

Lembro-me de ser miúda e passar 90% do meu tempo numa vida imaginária. Vivia num colégio interno, dormia numa camarata (o filme Annie deve ter ajudado), tinha uma égua chamada Beca (mais tarde tive o Poly e a mãe da Beca que era a FelizmBeca - não perguntem porquê, não faço ideia), tinha irmãos. O excesso de imaginação valeu-me alguns problemas na escola. Inventava mil e uma histórias, gostava de ter os meus colegas em meu redor a escutar as mirabolantes aventuras que tinha para contar, e um dia inventei que o meu pai tinha partido os dois pés a fugir à polícia porque era um famoso ladrão (a parte dos pés partidos era real, mas a verdade bem menos excitante).

Hoje passo na mesma muito tempo da minha vida a imaginar. Nem quero apontar percentagens porque vai na volta e não mudaram assim tanto desde que era miúda. Muitos dos sonhos são mesmo apenas parvoíces quase inatingíveis e depois há os outros. Que começam a ganhar forma e corpo e peso e que tiram o sono. E não são insónias más, são boas, é bom não dormir para sonhar acordado. 

Não consigo imaginar a vida sem ser assim. Seria demasiado sensaborona. Talvez seja toda esta imaginação que faz com que, depois, não chegue a aborrecer-me com a vidinha de todos os dias. Afinal, eu ando metade cá metade nas núvens, numa montanha russa de emoções. Não há aborrecimento que aqui more muito tempo. 

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Rota da Saúde #9: Um doce veneno

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O açúcar, consumido é excesso, é um dos grandes responsáveis pelo aumento de peso, nesta altura do ano que acabou de passar, mas não só. O consumo de alimentos açucarados pode ter um potencial aditivo, fazendo com que uma exposição frequente ao mesmo, crie a necessidade constante do seu consumo. E, atenção que, além dos alimentos mais óbvios como os doces ou os refrigerantes, o açúcar pode até estar presente em produtos alimentares que seriam, à partida, inofensivos, pelo que, a leitura atenta dos rótulos alimentares é cada vez mais importante!

Em Portugal, sabe-se que 65% das crianças com quatro anos consomem doces diariamente, um mau hábito alimentar que antecipa graves riscos para a saúde. Desde os problemas mais óbvios, como o excesso de peso/obesidade infantil e as cáries dentárias, a outras doenças que podem passar despercebidas como a diabetes, a hipertensão arterial e a hipertrigliceridemia, os riscos do consumo excessivo de açúcar para a saúde dos mais novos são vários.
De cores vivas e sabor viciante, os doces podem ser irresistíveis para os mais pequenos. Para piorar, além dos chocolates, dos gelados ou das bolachas, o açúcar está presente em outros alimentos insuspeitos, como alguns enlatados ou pães embalados. A informação é, por isso, a melhor arma para evitar o consumo excessivo destes alimentos. É urgente ler os rótulos e aprender a identificar o açúcar escondido. Até pode ser feito em forma de jogo: "Meninos, vamos às compras! Já sabem, a vossa missão é descobrir o açúcar escondido nos alimentos!"

Para isso, saibam que nem sempre os produtos alimentares têm a palavra “açúcar” escrita na lista de ingredientes. Esta é, muitas vezes, substituída por outras designações: 

Glicose/Glucose;
Sacarose;
Dextrose;
Maltose;
Maltodextrina;
Frutose;
– Xarope de açúcar;
– Xarope de milho;
– Xarope de cana;
– Xarope de agave;
– Xarope de arroz;
Açúcar invertido;
Açúcar mascavado;
Mel;
– Melaço.

Quer saber mais sobre este flagelo que era mesmo importante começar a combater já em 2019 (se não começou antes)? Leia tudo AQUI.

 

*A Rota da Saúde é uma parceria com a Lusíadas Saúde

Coimbra 💗

Fomos para Coimbra na sexta. Os mais velhos ficaram em casa, com a supervisão da avó, os mais novos foram connosco até Aveiro, para ficarem com os tios e primos. Depois de os deixarmos, seguimos para a cidade dos estudantes, e jantámos no Tapas nas Costas. Não conhecíamos, ninguém nos recomendou mas tivemos sorte e gostámos muito. Procurei no Google, durante a viagem, não nos apetecia nada muito farta-brutos e encontrei aquele restaurante que me pareceu giro e com petiscos bons. Acertámos na mouche. Fomos bem atendidos, bem servidos e o preço recordou-nos que não estávamos em Lisboa. Dali seguimos para a Quinta das Lágrimas, o nosso destino final. Já não passávamos um fim-de-semana na Quinta das Lágrimas há uns bons anos. Não sei quantos mas bastantes. E que bem que soube. Aquele sossego, a beleza do palácio (construído no século XVIII mas com arquitectura do séc.XIX porque foi reconstruído depois de um incêndio), a fauna exótica que faz com que os jardins sejam verdadeiros jardins botânicos, já para não falar da própria história de amor de Pedro e Inês, tão bonita e tão triste.

Foi um fim-de-semana mesmo bom, a dois. Algum silêncio, entrecortado pelo entusiasmo partilhado de muitos projectos para o novo ano que, mesmo que não se concretizem, já nos deixam com aquela sensação de estarmos vivos e a fervilhar, que sabe tão bem. Lemos, namorámos, recebemos uma massagem em simultâneo na sala "Pedro e Inês", passeámos de mão dada, tomámos vinho no roof top do Sapientia (e conhecemos o André Sardet e a mulher, simpatiquíssimos), lanchámos à lareira de volta à Quinta das Lágrimas, pedimos room service para o jantar de sábado, almoçámos na esplanada do Loggia no domingo (um restaurante com uma vista linda no Museu Nacional Machado de Castro). Na Quinta das Lágrimas há um saber cuidar que relembra tempos idos. A pessoa sente-se mimada, bem tratada e rodeada por uma serenidade que alivia a alma. Não ficaremos tanto tempo sem voltar. 

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Um dia mudo-me (ou então não)

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É um dos meus vícios. Das minhas taras. Amo ver casas. Felizmente (para os senhores das imobiliárias) vejo-as quase sempre online, sem chatear ninguém (excepto a minha família, a quem estou sempre a dizer "ah, e olha esta!", "ah, vais dizer-me que não vivias nesta...", e tudo já a revirar os olhos). De vez em quando apaixono-me a sério. E aí vou visitar, sonho, entusiasmo-me, peço simulações ao banco. Até agora tenho desistido sempre (os tempos não estão fáceis para loucuras).

As casas por que me apaixono são geralmente casas antigas. Antigas mas recuperadas, de tectos altos e trabalhados, janelas de sacada, portas em bandeira (nunca sei se é "em" se é "de" se é "com" bandeira, mas pronto, são aquelas portas com uma janela em cima), chão de tábua corrida (daquela madeira antiga, linda de morrer)... São geralmente gigantescas e têm corredores infinitos. O que eu adoro corredores compridos. A minha casa tem um corredor comprido mas, ainda assim, parece que nunca me chega, que quanto maior melhor (não sejam porquitos, estamos a falar de corredores). 

Agora encontrei uma casa dessas. Linda. Com 260m2 e 9 assoalhadas. Com tudo o que descrevi atrás. E lá começo eu a imaginar como seria viver ali, como seria bom ter mais espaço (apesar de ir perder o terraço e a calmaria deste bairro). Posso alimentar-me deste sonho durante semanas. Imaginar onde punha os móveis, como decorava o espaço, imagino os miúdos a correr pela casa fora, imagino a vida num novo bairro... Chego a adormecer e a acordar nessa excitação da perspectiva, mesmo que no fundo saiba que não vou a lugar nenhum.

Estou nesta casa há quase 13 anos. Gosto muito dela mas há um lado inquieto em mim que deseja mudança. É um lado que tenho sempre que domesticar (mas que, em bom rigor, é indomesticável porque persiste e insiste). Ontem estava a ver mais um episódio de How to Get Away With Murder em que a Annalise muda de casa. A alegria dela a ver os móveis entrar fez-me lembrar a alegria que senti quando vim para esta casa: tudo vazio, amplo, enorme. E os móveis a entrar e as caixas e eu a ouvir música e a arrumar tudo nos sítios certos e a sentir a vida fervilhar em mim, nas minhas veias, no meu coração acelerado. Foram dos dias mais felizes da minha vida, esses. Porque encerravam todo o sonho do que estava para vir. Eram dias presentes mas que perspectivam o futuro. Foram - e são sempre - antecipações cheias de esperança.

Mudar de casa é, no fundo, como mudar de ano ou escrever num caderno novo. Abre novas possibilidades. De fazermos tudo diferente, de recomeçarmos, de fingirmos que temos uma vida nova. No fundo, é uma finta à morte ou ao medo dela. Afinal, se estamos no início não estamos no fim. Certo?

 

(isto para dizer que hoje vou ver uma casa, a tal casa grande, antiga e linda. Não será fácil comprá-la a menos que o valor seja bem negociável, mas é uma daquelas que merece uma visita e um ou outro estudo que mete contas e muitos "e se?". Mesmo que não dê em nada... o sonho já ninguém mo tira)