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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Uma história verdadeira (e repetida) que é um grito de alerta

Já não é a primeira vez que alguém me conta uma história assim. São, de resto, tão iguais que até arrepia. E é por isso que quero deixar aqui o alerta. Porque isto acontece, porque isto repete-se, porque isto pode salvar-vos a vida.

Uma pessoa que entrevistei há uns tempos, e que partilhou comigo uma história inspiradora, teve há pouco tempo um bebé. Estava a amamentar e tudo corria bem. Até que um dia, sentiu um nódulo na mama. Inquieta, foi ao obstetra. Do outro lado, a mesmíssima resposta de uma outra história que já me foi contada há algum tempo: "Isso é leite que encaroçou, não se preocupe". A pessoa em questão foi para casa mas continuou com receio de que não fosse assim tão simples. Passado um mês, voltou ao médico. O nódulo estava maior. Mas o médico tornou a desvalorizar. Que era leite, que não se preocupasse. Mas ela insistiu e pediu exames. O médico, quase contrariado, lá acabou por ceder. Antes que ela saísse ainda se despediu aconselhando-a a "tirar essas ideias da cabeça".

A minha entrevistada fez os exames e a médica já não a deixou sair do centro sem fazer uma biópsia. Sete dias depois veio o veredicto que ela, instintivamente, já conhecia: carcinoma da mama.

A notícia chegou há uma semana. Ela teve tempo apenas para secar o leite, acostumar o seu bebé ao biberão, arranjar uma escola para o deixar enquanto estiver a tratar de si, e introduzir o tema aos irmãos mais velhos.

Sexta-feira passada começaram os tratamentos de quimioterapia, que se vão prolongar por 5 meses.

Vai correr bem. Só pode correr bem. Ela é uma guerreira (tanto assim é que tem o diagnóstico há uma semana e escreveu-me um email para que pudesse alertar mais pessoas sobre estes equívocos médicos que podem ser tão graves). Ela é uma guerreira e vai dar luta ao bicho. E vai ganhar.

 

 

Quanto a quem estiver a ler esta história (que, como disse no início, não só é verdadeira como aconteceu, tal e qual, com outra pessoa que entrevistei há tempos), fica o alerta: façam o auto-exame da mama com regularidade e, se encontrarem alguma massa estranha, vão ao médico (quem diz a mama, diz qualquer alteração no vosso corpo). E mesmo que o médico diga que não é nada, pelo sim pelo não, peçam exames. Eu amo médicos, como sabem. Acho que são o mais próximo que há de Deus. Mas não são infalíveis. Às vezes enganam-se. E nem sequer têm de ser maus médicos para que isso aconteça. Simplesmente são humanos. E falham. Se pudermos reduzir a margem de erro com meios auxiliares de diagnóstico, melhor.

 

Boa sorte para a minha entrevistada.

Bos sorte para todos os que estejam a passar pelo mesmo. 

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