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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Um filho de boca fechada

O Martim tinha um dente da frente a abanar há que tempos. Mas ele, piegas, não deixava nem tocar. Um dia consegui dar-lhe um toquezinho da treta, só para perceber se já estaria por um fio, e foi um berreiro que parecia que lhe estava a arrancar a dentadura toda à paulada. Deixei andar. Afinal, creio não haver memória de ficar um dente de leite dependurado numa boca toda uma vida. O desgraçado havia de cair, um dia. Hoje, quando estava a comer os cereais, o Martim olhou para nós horrorizado. O dente estava mesmo por um fio, todo caído, patético mesmo. Lavou a boca, pedi-lhe para me mostrar e, enquanto o Manel o agarrava e eu também, dei-lhe um puxão de nada àquilo e pronto, caiu. Berrou, berrou, berrou. Calou-se. Foi-se ver ao espelho e voltou, num pranto.
- Martim, pára com isso! Já não pode estar a doer.
- Não é isso! - soluçava ele, inconsolável - Estou tão feio... Nunca mais abro a boca!

E assim tem estado, lá fora, a brincar com os amigos, mudo e quedo. Não fala, não se ri, nada.
Um dente da frente em falta é, sem dúvida, um duro golpe na autoestima de alguém, sobretudo de um puto com a mania que é galã.

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