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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Tenho um íman para gente descompensada

No dia da consulta, fui passear o Mojito até um relvado grande que existe aqui ao pé de casa. Lá, encontrei uma vizinha com quem costumo falar e que agora também tem um cão. Enquanto os dois rafeiros corriam que nem doidos, nós lá íamos pondo a conversa em dia. Os bichos, de quando em vez, deparavam com uns buracos que outros cães já fizeram nesse relvado, e punham-se a escavar. E lá íamos nós, a correr, tirá-los de lá. Os bichos insistiam, nós reprimíamos, e assim ia a nossa vida. Nisto, ouvimos uma voz de homem vinda de cima, aos gritos:
- Isso não pode ser! Suas irresponsáveis! Há crianças que brincam aí e se magoam nos buracos!
Olhei para cima (seria Deus?), e vi um fulaninho num último andar, de mãos na cintura, a fazer aquela peixeirada. Ainda pensei responder-lhe mas depois cuidei que, nestes casos, é sempre mais irritante para um provocador não receber troco (por muito que a acidez do meu estômago comece logo a crescer, que sou pessoa pouco dada a levar desaforos para casa). Continuámos por ali, até que ele aumentou o tom e principiou num verdadeiro berreiro. Volto a repetir: os nossos cães não escavaram os buracos, apenas se sentiam irremediavelmente atraídos por eles, mas nós apressámo-nos sempre a retirá-los de lá.
Olhei então para cima, expliquei ao "senhor" que não me conhece de parte alguma para estar a falar comigo daquela maneira e foi então que ele galopou nos impropérios, vociferados com uma violência incomum, mandando-me "desaparecer". Fiquei a pensar que, de facto, há coisas que o dinheiro não traz. Aquela alma até pode ter massa para comprar aquele último andar, provavelmente uma boa casa, mas desgraçadamente o seu poder económico não lhe permitiu adquirir educação, nível, polimento. Pôr-se assim aos gritos da janela, a incomodar duas senhoras, uma das quais grávida, revela toda a sua falta de chá.
Saí dali a imaginar que ele descia, que me ameaçava, e que eu lhe dava uma valente coça, grávida e tudo. Às vezes há um instinto violento dentro de mim, confesso. Sinto aquela raiva a crescer e só me consigo ver a desferir golpes de uma qualquer arte marcial, deixando o outro imobilizado e com cara de idiota. Aaaaaah, como eu gostava!

Ontem voltei a passear o bicho no mesmo sítio e lá apareceu o cretino. De novo aos urros da janela. Dá ideia que não tem vida (apesar de ser um fulano novo) e que fica à espera que eu chegue para ter o seu momento de existência. Está visto que vou ter de ir passear o animal para outro lado. Ou então inscrever-me no Krav Maga e despachar este tipo em três tempos. 

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