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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Mada no seu melhor

A Madalena tem um cabelo que é como ela: rebelde. É liso mas cheio de jeitos e, se não for domado, facilmente a miúda parece um pequeno selvagem. Na generalidade dos dias, não é domado. E na generalidade dos dias, ela parece um pequeno selvagem. Nunca quer levar ganchos, há muito que rejeita os laços, recusa bandoletes, fitas, elásticos, tranças. Anda uma mãe a criar uma filha para isto. Enfim.

Ontem decidi experimentar aplicar a prancha (já que o secador não resolve). Estive ali cheia de paciência, depois do banho, a esticar-lhe a melena com muito tempo e primor. Ela, estranhamente, deixou. Mais estranhamente ainda... gostou. E, no final, gostou tanto que parecia não se reconhecer. E, a certa altura, olhando-se no espelho, pergunta:

- Porque é que fiquei com cara de Teresinha?

 

😂 Para ela, o cabelo tão lisinho fez com que ficasse com cara de menina delicada. E menina delicada, para ela, tem nome de Teresinha. Tão bom.

 

Mada no seu melhor

Ontem, quando vimos o grupo de praxados e praxadores, a Mada ficou muito espantada e quis saber o que raio vinha a ser aquilo.

Expliquei.

Abriu muito aqueles olhos grandes e não disse coisa alguma, que é sinal de que, não tarda nada, vem aí coisa maior, seja pergunta ou afirmação. Foi pergunta.

- Eu também vou ter de aturar isto?

Ri-me. E comecei a aligeirar, dizendo que era uma forma de toda a gente ficar a conhecer-se, que se não houvesse excessos até era divertido (no meu caso foi), que se construíam boas relações, e que os caloiros estavam, na verdade, a divertir-se.

Ela ouviu tudo, com a boca muito fechada, o que acontece quando está mesmo atenta, a absorver cada palavra. Depois, olhou de novo para o grupo. Os caloiros não sorriam. Tinham as mãos atrás das costas, a cabeça baixa, ao mesmo tempo que escutavam palavras de ordem atiradas em grito. Voltou os olhos na minha direcção e eu já sabia que estava feita ao bife. 

- É. Não há dúvida de que se estão a divertir imenso. A sério que eu vou ter de aturar isto?

Mada no seu melhor

Acordou e veio ter comigo à cama.

- Ontem deste-me beijinho quando chegaste?

- Dei, pois.

- Deste? Não senti.

- Isso foi porque estavas a dormir muito bem.

- Ah... Olha, tenho uma coisa para te contar - baixando muito o tom de voz até se tornar apenas um sussurro.

- Então?

- Pus um dente debaixo da almofada para...

- Ai, Mada, não estou a ouvir nada! Fala mais alto!

- Não posso porque senão a fada ouve!!!!! Pus um dente que já me tinha caído há muito tempo debaixo da almofada, a ver se a fada me traz um presente!

- Ah, mas isso não vale! Tu sabes que a fada só dá presente quando cai o primeiro dente! Achas que a consegues enganar?

- Não sei.. vamos lá ver!

Chegadas ao quarto, ela levantou a almofada para constatar, com desânimo, que o dente continuava lá e não tinha sido substituído por nenhum presente.

- Ora bolas! - lamentou.

- Eu avisei-te. Então tu achavas que conseguias enganar as fadas?

- Pensei que talvez... talvez não tivessem os registos!