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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Será? Pois, parece que sim #2

Já chegámos a Londres e, por isso, já nos safámos de um voo. Agora sim, começo a acreditar nisto.
Relembro aos que chegaram há pouco tempo que, em Setembro, tínhamos uma viagem planeada com amigos e, uma semana antes do dia da partida, o meu filho Manel voou de uma janela, partindo os dois braços, o queixo, um molar definitivo e ainda o maxilar. Claro que já não fomos a lado nenhum. Mentira. Fomos ao hospital várias vezes.
Depois disso, tínhamos uma viagem marcada para os Alpes, com outros amigos. Dois dias antes, o Manel e a Madalena encheram-se de febre alta. Na véspera estavam tão mal que não tivemos outro remédio senão desmarcar. Foi o melhor que fizemos porque a Madalena encheu-se de doenças acabadas em «ite» como bronquiolite, otite e laringite, e em Avoriaz estavam -26ºC.
Agora, confesso, não planeei quase nada. Tinha a viagem marcada mas não liguei nenhuma. Possuo um dispositivo de segurança verdadeiramente implacável que se acciona de cada vez que uma situação aparenta poder vir a fazer-me sofrer. Fico como que anestesiada. Há dias, o Martim largou a gritar com dores numa bochecha (sim, numa bochecha!) Foi para o hospital e eu senti que a coisa ia repetir-se pela terceira vez. Os médicos ainda atiraram a hipótese de ser uma inflamação na parótida mas sem certezas. Talvez tivesse de ir a neuro-pediatra. Eu só encolhia os ombros. Pois, sim. Mais uma. Felizmente parece ter passado.
Também há uns dias, o Manel perguntou-me:
- Estás contente, mãe, com a vossa viagem?
- Nem por isso - respondi eu. - Com todas as peripécias dos últimos tempos acho que só vou acreditar quando estivermos no aeroporto. E mesmo aí... com o medo que tenho de voar... acho que só acredito quando chegarmos ao destino.
Resposta do meu filho grande:
- Então, nesse caso, eu só acredito quando vocês voltarem para casa!

Bom, com tantas dúvidas, as malas só foram feitas ontem à noite. Era uma da manhã quando terminámos e, ainda assim, eu olhei várias vezes para o telefone a ver se alguém ligava anunciando uma catástrofe qualquer. Ninguém ligou. E às 5.30h da matina estávamos a entrar no aeroporto da Portela, com um sorrisinho na cara mas sem grandes euforias.
Acresce a tudo isto o facto de sermos uns pais galinha, daqueles que viajam sem os filhos de vez em quando mas sempre com um nó na garganta na hora da partida (e muitas lágrimas, vá, tenho de confessar).
Agora que chegámos à primeira paragem, começo verdadeiramente a sentir que a coisa é real. Mas, com o sono que tenho (dormi 3 escassas horas) pode bem dar-se o caso de ser só um sonho.
 

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